Significado das ervas nas vinhas do Douro

Inspirado por um artigo na Western Farm Press sobre o significado de ervas nas vinhas, fomos observar as ervas que temos na nossa vinha para perceber melhor as necessidades e problemas relacionados com o solo.

Não gostamos de ter ervas nas nossas quintas. Bem, deixem-me explicar, adoramos ter ervas na nossa vinha, desde que elas estejam no sítio certo. Não gostamos de as ver debaixo da linha das videiras, uma vez que nesse sítio são difíceis de cortar, concorrem em termos de água e de nutrientes com as videiras e reduzem a ventilação. Contudo, adoramos vê-las entre as linhas das videiras, onde ajudam a criar um habitat para insectos benéficos à vinha e protegem a vida selvagem.

A parte mais interessante do artigo é que nos ajuda a perceber o que é que as ervas que temos na vinha nos dizem sobre o solo:

Analisando as ervas que temos nas nossas vinhas, podemos corrigir as necessidades das videiras. E ao fazê-lo, podemos reduzir e controlar a própria população de ervas, e assim eliminar necessidades de corte da erva ou do uso de herbicidas.

Se conhecer outros significados da presença de ervas em vinhas partilhe e ajude-nos a melhorar o artigo.

Oscar

A vindima de 2014 no Douro

O ano de 2014 pode tornar-se num grande ano para os vinhos do Porto e do Douro. Alguns dos fatores críticos que contribuem para vindimas acima da média estão alinhados, apesar de ainda ser cedo e de nesta fase estarem longe de ser conclusivos. Entre os pontos favoráveis podemos referir:

Em termos de quantidade, estimamos ter nas nossas quintas valores de produção semelhantes a 2013. Em geral, creio que não haverá grandes flutuações no Douro. Para o Vinho do Porto, a produção a beneficiar ainda não foi divulgada pelo IVDP – Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, mas a nossa estimativa é que andará dentro do valor de 2013, nas 100.000 pipas de mosto, ou um pouco mais de 62 milhões de litros de Vinho do Porto. em 105.000 pipas de mosto, um pouco mais de 65 milhões de litros.

Contudo, há algumas contrariedades que podem surgir e afetar a vida de quem tanto depende da natureza. A maior perturbação está relacionada com as temperaturas: um longo período de temperaturas bastante abaixo ou bastante acima da média pode estragar a produção. No caso do primeiro, significaria que as uvas não atingiriam níveis de maturação ideias por falta de calor e no caso do segundo traria queimadura dos bagos e elevados níveis de stress hídrico. Se as temperaturas seguirem um padrão normal, com alguns chuviscos durante o mês de agosto, então vamos ter razões para sorrir muito.

Oscar

A nossa vinha vai ser biológica

Tenho de confessar que tenho estado a ocultar-vos informação valiosa. Não intencionalmente, uma vez que só agora me apercebi que nunca tinha referido este projeto que tanto nos tem ocupado nos últimos dois anos. Aqui fica sem mais demora, estamos em processo de conversão de uma parcela de vinha para cultura biológica! A parcela é composta por cerca de 5 hectares localizados na Quinta da Trovisca. Depois de um período de três anos em conversão, ou seja, depois do ano de 2015, estaremos a vindimar uvas biológicas que pensamos utilizar para fazer tanto Vinho do Porto como Douro.

A paixão na família pela cultura de produtos orgânicos remonta a 2006, quanto o meu pai, Oscar Quevedo – de quem eu herdo o nome, começou a produzir azeite biológico em Valongo dos Azeites, uma aldeia 10km a sul da nossa adega. Levou sete anos até que arriscássemos converter a parcela de vinha para a cultura biológica, mas finalmente fizémo-lo. Há umas quantas tarefas adicionais associadas à cultura biológica, quando comparado com o método convencional. Um desses trabalhos está relacionado com a gestão do solo. No vídeo acima pode ver as ervas a serem removidas com a enxada sobre a linha de plantação da videira. Entre as linhas, ou seja, no meio do valado deixá-la-emos crescer um pouco mais e depois será cortadas com trator.

Até breve,

Oscar

Abelhas podem salvar o mundo dos vinhos depois de cheirarem a rolha

Image courtesy of thephotoholic / FreeDigitalPhotos.net

Há uns meses atrás falámos sobre vedantes, as vantagens e desvantagens de utilizar cortiça, rosca de alumínio ou rolha de plástico para tapar uma garrafa de vinho. A maior desvantagem da rolha é a possibilidade de estar contaminada com TCA, o que desenvolve um aroma estranho no vinho, tornando o vinho desagradável. Recentemente, um trabalho de investigação levado a cabo pela Amorim concluiu que as abelhas podem identificar o TCA, ou seja, o responsável pelo mau odor no vinho. Que curioso! A natureza ajuda a natureza a seleccionar. Com a população de abelhas a diminuir demasiado rápido, devido ao uso de herbicidas, quem sabe se a indústria da cortiça não poderia recrutar algumas abelhas para seleccionar rolhas. Com este incentivo económico adicional, haveria mais uma razão para restabelecer a população de abelhas para um nível sustentável. Todos sabemos o que Einstein disse sobre as abelhas: “Se a abelha desaparecesse da face da Terra o Homem só teria quatro anos de vida”.

Oscar

Priorato e Douro – semelhanças e diferenças entre estas duas regiões

Há lugares na Terra que ainda nos permitem viajar no tempo.  Pelo menos no planeta dos vinhos. Lugares onde a tecnologia, química e máquinas são totalmente relegadas para um plano irrelevante. Lugares onde os processos de produção de vinho para as massa são quase desconhecidos. Lugares onde cada bago conta, porque são poucos. Esse lugar é o Priorato.

Localizado no sul da Catalunha, a poucos quilómetros do mar Mediterrâneo, nalgumas coisas o Priorato recorda-me aquilo que seria o Douro dos séculos XVII, XVIII e XIX. Pude vê-lo em cada canto, na paixão dos locais pela videira, no respeito pelas tradições, nos solos feitos de xisto ou nas oliveiras nas bordaduras dos inclinados vinhedos.

São muitos os contornos das montanhas do Priorato que se comparam aos do Douro. Mas no Priorato, as vinhas velhas encontram-se ainda plantadas na encosta da montanha, sem qualquer socalco ou patamar de sustentação, o que torna impossível o cultivo com tratores e muito difícil a movimentação de animais de trabalho ou homens. A razão pela qual não se encontram socalcos prende-se com a vontade de manter e preservar as vinhas velhas em vez de as substituir por novas plantadas em patamar. A qualidade das uvas destas vinhas velhas é inquestionavelmente superior às uvas das vinhas novas, o que se traduz numa razão suficiente para mantê-las, apesar dos superiores custos de granjeio. E os vinhos ali produzidos refletem a velhice das videiras, são elegantes, ricos e tremendamente complexos. Para envelhecer, certamente, mas igualmente deliciosos quando bebidos jovens. O Ryan Opaz da Catavino fala nas semelhanças entre as notas de prova de vinhos do Douro e do Priorat, o que não deixa de ser curioso dadas as semelhanças de terroir.

Há uma coisa que falta ao Priorato que enriqueceria a paisagem: um rio. Um rio largo, e então as similaridades com o Douro seriam enormes. Quando tiver oportunidade visite o Priorato, vá ver as vinhas, conheça as pessoas que lá vivem e aprecie a paisagem sem moderação.

Oscar

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Quinta da Alegria – plantar videiras no Douro

 

Estamos agora a lidar com a parte mais difícil dos nossos trabalhos na Quinta da Alegria. Depois de abrir os patamares e retirar as pedras, chegou finalmente o momento de plantar as jovens videiras pré-enxertadas. Na área onde estamos a trabalhar agora, no cimo da propriedade, estamos a plantar videiras de Tinta Amarela. Talvez a primeira pergunta que lhe surgiu seja, porquê plantar Tinta Amarela neste local? A resposta assenta sobretudo no facto desta casta ser bastante sensível à humidade, desenvolvendo facilmente míldio e oídio. A Tinta Amarela também não gosta de temperaturas demasiado quentes. Depois da floração pode rapidamente desenvolver os fungos do míldio e do oídio caso haja alguma humidade e temperaturas de 22º-25ºC. A melhor localização da Tinta Amarela é em zonas de baixa humidade, ventosas e onde as temperaturas não atinjam valores elevados durante o Verão.

Para plantar as vinhas o primeiro passo que damos é traçar uma linha ao longo do socalco, a 50 cm do limite exterior. Depois utilizamos um ferro para abrir um buraco com cerca de 80cm de profundidade. Colocamos então a jovem videira no buraco e de imediato utilizamos água com pressão para irrigar e fechar o buraco. Deixamos uma distância de 80cm entre videiras.

A minha irmã Cláudia fez um vídeo com todos estes passos. Quem sabe se um dia não servirá de ajuda a tornar-se um viticultor no Douro. Caso haja dúvidas ou questões, escreva-as no fundo deste artigo.

Oscar

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Quinta da Alegria – retirar as pedras para plantar as videiras

Os trabalhos de surriba na Quinta da Alegria continua a um ritmo moderado mas firme, com vista à plantação de videiras. Nas últimas semanas temos estado a traçar socalcos e surribar o terreno para eliminar alguma compactação de terra que possa existir. Também importante quando se movimenta as terras é remover as pedras de maior tamanho de modo a facilitar a penetração das raízes da vinha e a movimentação dos tratores para o granjeio. Depois de retiradas as pedras dos socalcos torna-se necessário encontrar um local onde se possam colocar sem interferir com a circulação de viaturas. O local que escolhemos é no local dos caminhos, ou seja, abrimos uma grande vala com 5 a 6 metros de profundidade onde se colocam todas as pedras de maior tamanho. É posteriormente colocada terra por cima e alisado o terreno para servir de caminho. Desta maneira aumentamos também a estabilidade do próprio caminho, reduzindo o risco de deslizamento de terras que por vezes ocorrem em Invernos chuvosos.

Na foto acima pode ver a vala que abrimos na figura traçada a vermelho, enquadrada no que será o futuro caminho. Do lado esquerdo da linha azul pode ver os socalcos já terminados e do lado direito da linha amarela o terreno ainda por trabalhar.

Com as temperaturas a subir e o risco de geadas a desaparecer, começamos agora a plantar as videiras. Em breve vamos partilhar um vídeo com a plantação de videiras na Quinta da Alegria.

Algum comentário que queiram fazer?

Oscar

Inverno de chuva sobe a fasquia para a vindima de 2014

A primavera está finalmente a chegar depois de um inverno muito chuvoso. Este foi provavelmente o inverno mais chuvoso dos últimos 80 anos, o que nos cria grandes expectativas para a vindima. Como sabem, o Douro é uma das regiões vitícolas mais secas do mundo e um inverno chuvoso é um ponto chave para fazer vinhos e Porto de grande qualidade. O tempo começa agora a aquecer e a limpar, mas deveremos ter mais chuva nos próximos meses.

O reverso da medalha é que tanta chuva manteve-nos afastados das vinhas fazendo com que não pudéssemos trabalhar tanto quanto pretendíamos. Quer isto dizer que os trabalhos estão atrasados, com a poda só agora a terminar. Depois disso, ainda temos de triturar as vides que foram cortadas na poda, que é o trabalho que o Paulo está a fazer no trator verde.

Com o início da rebentação começará um novo ciclo para a uva. Sem pressas, é a natureza que marca o ritmo, mas confesso que a perspectiva de uma grande vindima começa a animar-nos.

Deixem as dúvidas e comentários.

Oscar

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Quinta da Alegria – como abrir patamares no Douro

Na Quinta da Alegria estamos agora na segunda fase da plantação de videiras. Depois de desfazer os socalcos antigos, estamos agora a abrir patamares de 2.30 metros com uma bulldozer. Devido à elevada inclinação do terreno, só vamos plantar um bardo (ou fila) de videiras por patamar. Se plantássemos socalcos de dois bardos, como se vê na maioria das vezes, a maior altura do patamar aumentaria o risco de deslizamento de terras. De modo a melhor reter a chuva, estamos a preparar o terreno com 3% de inclinação para dentro do socalco e 3% ao longo do socalco. Esta inclinação permite mais retenção da água ao mesmo tempo que evita deslizamento de terras. Quando o solo estiver saturado de água, a inclinação de 3% ao longo do socalco permite a condução das águas para o caminho e posteriormente para o rio. Para calcular com precisão a inclinação, utilizamos um feixe de infravermelhos (pode vê-lo atado à estaca à frente da bulldozer). O comprimento do socalco dependerá do traçado do caminho. Depois de aberto o socalco, uma giratória fará a surriba, ou seja, mobiliza a terra até cerca de 1.8 metros de profundidade retirando as pedras maiores.

Por agora temos cerca de 2 hectares de terreno preparados para a plantação. As primeiras videiras vão ser plantadas no início de Março. Essa é a próxima fase que vamos partilhar aqui.

Oscar

Quinta da Alegria – como preparar a solo para plantar videiras

A Quinta da Alegria é uma das propriedades (a outra é a Quinta das Mós) que pertence à família da minha mãe. Foi inicialmente plantada pelo meu bisavô no início do século passado. Naquela altura as uvas eram utilizadas para fazer Vinho do Porto na propriedade e seria depois daí enviado para Vila Nova de Gaia nos barcos rabelos. Mais tarde, nos anos 80, o meu avô Joaquim Morais Fernandes, em conjunto com a minha avó Judite, replantaram a quinta com videiras novas. Quando os meus avós morreram, na década passada, a propriedade foi herdada pelos meus tios e mãe, que continuam a ser os proprietários. Agora, em 2014, a família decidiu replantar cerca de 13 hectares de vinha no meio da propriedade – a parte de cima tem vinha velha e a parte de baixo, por baixo da linha de comboio, está plantada com laranjeiras e tangerineiras. Temos estado muito concentrados e empolgados neste novo desafio, até porque a Quinta da Alegria está localizada num lugar muito bonito, com exposição sudoeste, uns quilómetros a jusante da barragem da Valeira.

Estão agora a começar os trabalhos e achei que iam gostar de saber, passo a passo, como plantar vinhas no Douro. A primeira coisa a fazer é retirar os arames e os esteios que os sustentam. Depois disso, uma bulldozer veio desfazer os sucalcos antigos e desmatar o terreno. O video acima explica bem este primeiro passo.

O próximo passo será abrir novos sucalcos e nivelá-los. Será publicado em breve.

Oscar

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