Granizo duas semanas antes da vindima não era o que tinhamos pedido para as vinhas do Douro

Finalmente choveu no Douro, mas só numa pequena parte. Nas nossas quintas quase nada, mas em Alijó, localizada a norte de S. João da Pesqueira/ Pinhão, choveu fortemente. Na verdade, demasiado! Veja o video desta manhã e poderá constatar os danos causados pelo granizo nas uvas. Salte para o minuto 18.47.

Oscar

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Porque é a Suécia um mercado especial para o vinho? Por causa do Systembolaget

Quevedo Rose Port in the Summer launching sect...

Image by quevedoports via Flickr

Por diversas razões a Suécia é um mercado especial para a venda de vinho:

Port Wine section in a Systembolaget shop in Sweden Estas são as regras. Não é fácil colocar lá os vinhos, até porque o Systembolaget só compra uma marca por tipo de vinho, por exemplo, Douro Reserva ou Porto Banco. Só este ano, pela primeira vez, listámos um dos nossos vinhos nas lojas do Systembolaget. Houve uma oferta de Porto Rosé para o Verão de 2010. Como vencedores dessa oferta, o Porto Quevedo Rose tornou-se no primeiro Porto Rose a ser vendido na Suécia. Estava orgulhoso com o nosso feito e não queria perder a oportunidade de tirar umas fotos às nossas garrafas. E já que a oferta ia acabar no final de Agosto, lá fui eu visitar uma loja do Systembolaget em Estocolmo e tirar uma fotos. Não tenho a certeza se é permitido tirar fotos à loja, mas também não arrisquei perguntar. Por isso, se daqui por uns dias não houver fotos aqui é porque o Systembolaget pediu para as remover.

Oscar

Port Wine section in a Systembolaget shop in Sweden

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Prática da pronúncia de Quevedo na Dinamarca, aula nº2

Aqueles que se recordam do que se passou na Dinamarca à cerca de um ano atrás, vejam o vídeo. Tenho a certeza que estão de acordo que os dinamarqueses estão a melhorar as suas técnicas de pronunciação. Aqueles que não se recordam, carreguem aqui para ver primeiro o vídeo da aula nº1 de pronúncia. Só depois vejam este vídeo, a aula nº2 de pronúncia.

Divirtam-se, pelo menos tanto como eu me diverti!

Oscar

Vindimas 2010: talvez duas semanas para o início da festa

Maturity control

Aqui fica uma pequena nota escrita na Dinamarca sobre como vão as coisas nas vinhas. Ontem fizemos mais um teste de maturação na Quinta das Olgas, Mós, no centro do Douro Superior, tendo o resultado revelado um álcool médio potencial de 12,5%. Parece que a maturação das uvas está ligeiramente atrasada em relação à média dos últimos anos, mas a evoluir mais rápido do que previsto. Prevemos o inicio da vindima para o principio de Setembro, por volta do dia 6. Assim sendo, pode já começar a fazer a mala e vir até ao Douro ajudar-nos naquela que é a tarefa mais importante e empolgante do ano. Vai ser divertido!

Já agora, será que alguém pode mandar alguma chuvinha até ao Douro? As videiras iam agradecer e nós também!

Oscar

Em que medida é que os fogos florestais no Douro poderão afectar a qualidade dos vinhos de 2010

Fires Current Situation in the north of Portugal

Fogos no norte de Portugal, incluíndo vale do Douro: áreas a laranja - fogos últimos 7 dias; áreas a amarelo - fogos últimos 30 dias

Desde o início do ano que já arderam mais de 68.000 hectares de floresta em Portugal, dos quais cerca de 10.000 localizados na região do Douro. Para além das severas consequências socio-culturais desta catástrofe, a questão que se coloca agora é: será que o fumo libertado durante este fogos vai afectar a qualidade das uvas da próxima vindima, que deverá começar em poucas semanas? Pelo que vimos em 2003 na Austrália e em 2008 na Califórnia, há algum risco de que os vinhos do Douro possam ser afectado.

Na última semana a situação melhorou, as temperaturas já estão a baixar, tanto a máxima como a mínima, e o número de fogos está a diminuir, mas nas semanas anteriores o vale do Douro estava coberto com fumo dos incêndios, como eu nunca tinha visto.

À medida que os vinhos da vindima de 2008 do Mendocino e Humboldt (as regiões vitícolas mais afectadas pelos fogos de 2008 na Califórnia) começam a ser lançados no mercado, produtores e consumidores deparam-se com muitos aromas a fumo. Pelo menos mais aromas do que aqueles que podem ser justificados pelo envelhecimento dos vinhos em barricas ou pelo carácter das castas utilizadas. Estes aromas a fumo não foram detectados durante a fermentação dos mostos em 2008. Só depois de um certo período de envelhecimento é que este aroma se tornou evidente. E há uma solução para isto? É possível retirar o aroma a fumo do vinho, uma vez esteja este impregnado? Parece ser possível. Alguns testes realizados na Austrália e nos EUA mostram que utilizando processos de filtração com membranas de alta tecnologia pudesse não só reduzir a percentagem de álcool, para o qual são amplamente utilizados, mas também se pudesse eliminar aromas não desejados. Claro que esta não é uma solução para um pequeno produtor dedicado a fazer vinhos tão naturais quanto possível. Nem sei mesmo se a legislação do Vinho do Porto no-lo autorizaria.

Mas se não há uma solução razoável, vamos às boas notícias. Estudos mostram que muitos consumidores não só não se incomodam com o aroma a fumo, como na verdade até gostam. E se em vez de vinho estivessémos a falar de Vinho do Porto? Será que a maior concentração de álcool combinada com uma doçura natura,l iria alterar o perfil aromático? Provavelmente não, pelo que o que podemos fazer por agora é esperar para ver se depois de algum envelhecimento, os vinho de 2010 têm aromas a pinheiros e sobreiros, ou talvez oliveiras e amendoeiras.

Oscar

Há alguns artigos na internet relacionados com este tema que vale a pena ler:

A year in wine: no smoke in their eyes

San Francisco gate: smoke Australian wine research Institute white wines

My daily Wine: Interview with Tony Coturri - California

Forbes: Australia technology grapes when smoke gets in wine

Norcal Wine: La Follette wines

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Vindima 2010: resultado do primeiro controlo de maturação

DSCN1104Seguindo uma espécie de tradição que começámos em 2007, o primeiro controlo de maturação efectuado às nossas uvas é levado a cabo dia 10 de Agosto. O lugar escolhido é como sempre a Quinta Vale d’Agodinho, a qual dividimos em 4 partes: portão cimeiro, casa, laranjeiras e norte dos depósitos da água. Às 6h da tarde lá estava eu, com mais duas pessoas para me ajudarem nesta hercúleo tarefa. Com 43º de temperatura, a minha irmã na praia, o sol a bater-me nas costas e o rio lá ao fundo a uma distância não alcançável, pensei porque razão tinha escolhido viver no Douro. Nem mesmo as uvas me podiam ajudar a hidratar, ainda estão pouco maduras e ácidas. Alguns bagos ainda verdes, especialmente o Tinto Cão e o Sousão. E é essa a grande conclusão: a maturação está atrasada. Uma vez que os níveis de açúcar estão ainda muito baixos, com um álcool provável de 10,05%, as uvas precisam de pelo menos mais cinco semanas nas videiras. Não deveremos começar a vindimar na Quinta Vale d’Agodinho antes de 20 de Setembro.

Álcool a 10 de August      Início da vindima

2007 10.49%                                19 Setembro

2009 11.86%                                14 Setembro

2010 10.05%                                            ?

O principal contributo para este atraso na maturação vem do Inverno frio. Tanto a rebentação como a floração vieram já atrasadas, o mesmo devendo acontecer com a vindima. Além disso, uma outra coisa interessante que vi, e que retrata bem o Inverno e Primavera que tivemos, é a pujança da rebentação. Os elevados níveis de humidade no solo, levaram a que as videiras desenvolvessem mais rama do que o habitual. Toda esta folhagem tem sido controlada e cortada, para levar a que a videira se concentre no que é importante: as uvas.

E como é que o tempo tem estado nas últimas semanas? Como por todo o Portugal, extremamente quente e seco, o que não é bom para as videiras nem para as uvas. Em alguns caso, quando os cachos não estão ao abrigo das folhas, o sol pode queimar a pele do bago. Há já alguns sinais de uvas queimadas. Espero que as temperaturas baixem rapidamente, especialmente durante a noite e se chovesse durante um ou dois dias, até duas semanas antes do início da vindima, a qualidade das uvas sairia beneficiada.

Oscar

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As 5 principais razões porque me apaixonei por África

Sunset in Niger river

1. As crianças ainda sabem de onde é que as galinhas e batatas provêm e ao que é que as cabras se assemelham

2. A natureza está quase virgem com os animais selvagens a viverem nas redondezas das vilas e aldeias

3. Fazem a melhor bebida não alcoólica do mundo: bissap (trouxe algum comigo para Portugal)

4. Aprende-se mais dançando uma música com uma africana do que uma semana inteira em Ibiza

5. Cheira a terra, especiarias e pessoas felizes

Vamos continuar com esta lista, deixe os seus comentários que eu incluo-o no post.

Oscar

Viagem ao Níger - o casamento que marcará a minha vida

Bye bye NiameyEste ano está a ser marcado por um Inverso chuvoso, um Verão quente e pelo elevado número de casamentos a que tenho assistido. Um desses casamentos foi bem longe do Douro. Mouna, a noiva, é do Niger e Andreas, o noivo, é húngaro, o qual conheci quando estava a trabalhar em Madrid.

Graças ao seu casamento, a Mouna e o Andreas proporcionaram-me uma das mais ricas experiências culturais da minha vida, que nunca esquecerei. O casamento foi em Niamei, a capital do Níger, um país localizado na África Ocidental, sem acesso ao mar. Foi a minha primeira visita a África e confesso que recebi este convite com enorme entusiasmo. Tinha vontade de conhecer um continente com tanta história e cultura, com variadíssimas paisagens e um dos mais intactos do mundo. Além disso, toda esta experiência ia ser vivida no seio de uma família local.

Ao contrário dos casamentos europeus, que em geral duram meio dia, as celebrações deste casamento duraram três dias e quatro noites. Começaram na quarta-feira com um jantar de boas-vindas para a família e amigos dos noivos. Depois de comermos as saborosas, e às vezes picantes comidas locais, e bebermos bissap, um chá vermelho que por ter gostado tanto trouxe comigo para Portugal, tentámos empurrar o noivo para dentro da piscina. Para grande surpresa dos nativos, mas como seria de esperar quando se fazem estes jogos, a noite terminou com o noivo, um amigo nosso e comigo dentro da piscina, sem que houvesse tempo para nos despirmos.

No dia seguinte, quinta-feira, houve uma sessão para pintura das mãos e pés das senhoras, com especial destaque para a pintura que a noiva ia apresentar no dia seguinte ao noivo, depois da cerimónia religiosa. Já os homens tiveram um dia mais relaxado, com tempo para desfrutar da piscina.

Turban on non-nigerian peopleNa sexta-feira teve lugar a cerimónia religiosa. Como este era um casamento muçulmano, estava ansioso por ver e conhecer como tudo isto seria. As diferenças eram muitas, a começar pelos trajes: todos com vestidos tradicionais do Níger. Mas para além disso, como a mãe da noiva é de ascendência Tuaregue, todos os rapazes, pai do noivo incluído, vestiram o famoso turbante. O turbante é usado pelos Tuaregue para os proteger da areia do deserto e tapar a cabeça e cara das muito altas temperaturas e forte luz solar. Estávamos longe do deserto, mas para seguir a cultura local, íamos de turbante. A cerimónia religiosa em si, que durou cerca de 30 minutos, contou com a participação dos Sultões das diferentes partes do Níger. Mas a grande surpresa chegou quando me disseram que nem a noiva nem o noivo iam estar presentes. A noiva estava em casa dos pais e o noivo estava noutra casa, na mesma rua onde a cerimónia estava a decorrer. Também as mulheres não estavam presentes na cerimónia, estavam com a noiva a escutar os cânticos da cerimónia através das colunas instaladas na tenda onde estavam os homens. O ponto alto da cerimónia ocorre quando representantes do noivo, da noiva e da igreja discutem o dote que a família do noivo tem de pagar à família da noiva. No fim, o Andreas pagou um valor simbólico pela Mouna e ainda recebeu vacas e cabras da família da Mouna como prenda. Foi um grande negócio para ele!

No dia seguinte, sábado, e penúltimo dia da nossa visita, teve lugar a cerimonia civil, presidida pelo Presidente da Câmara de Niamey. Aqui já me sentia em casa, uma vez que foi semelhante ao que vemos na Europa. Também a roupa era semelhante à nossa, fato para os homens e vestido compridos para as senhoras. Logo depois de sair de casa e ir em direcção ao hotel onde a cerimónia ia ter lugar, percebi porque é que os nossos fatos não são muito populares num país com temperaturas que chegam aos 40º e humidade superior a 90%. A festa terminou tarde, ou melhor, bem cedo, com o nascer do sol. Parecia difícil conseguir dançar a noite toda, mas num hotel com uma espectacular paisagem sobre o rio Níger e no meio de gente tão feliz capaz de nos imbuir de uma energia extra, nunca nos sentimos cansados.

E é por causa destas simpáticas e sempre sorridentes pessoas que me apaixonei por África. Quero voltar em breve, ao Níger e a outros países. Pelo amor do Andreas e da Mouna!

Aqui pode encontrar fotos de toda a viagem ao Niger. Se houver alguma coisa que gostasse de saber deixe um comentário.

Oscar

Deslizamento de terras põe à mostra raízes das videiras: consequência de um Inverno chuvoso

Landslide shows vines' deep rootsOs elevados níveis de chuva durante o primeiro trimestre deste ano deixaram marcas indeléveis nas nossas vinhas. Nunca sabemos qual é o nível ideal de chuva. Por um lado, se chover muito, as videiras têm disponivel no solo bons níveis de humidade, permitindo aguentar melhor o Verão quente e seco do Douro. Por outro lado, demasiada chuva provoca, entre outras coisas, deslizamentos de terras e consequente destruição de socalcos. Na foto podem ver que esta videira da Quinta da Trovisca continua a produzir uvas, mas este socalco tem de ser reparado.

S. João da Pesqueira tem registado temperaturas máximas superiores a 35ª todos os dias desde o início da semana. Na Quinta Vale d’Agodinho, que está ao lado do rio, há dois dias, às 19.00 o termómetro marcava 41º. As pessoas do Douro estão habituadas a estas temperaturas. E as videiras também. O problema é que as altas temperaturas, sem noites frescas, que é o caso, fazem com que a videira tenha mais dificuldades em manter um equilíbrio na maturação das uvas. Obtêm-se níveis mais baixos de acidez, reduzindo a frescura dos mostos, e posteriormente, o potencial de envelhecimento do vinho. O pintor, ou mudança da cor das uvas, começou há duas semanas nas videiras mais próximas do rio e vai agora lentamente deslocando-se para as vinhas no cimo da montanha. Nos próximos posts vou falar de maturação, rendimento, açúcar e acidez das uvas, para que possamos ter uma ideia mais clara sobre o que esperar da qualidade e quantidade da vindima de 2010.

Tem alguma visita planeada ao Douro para esta vindima? Avise, estamos à sua espera!

Oscar

Beber Vinho do Porto em restaurantes; margens demasiado altas?

Port Wine bottles in Vinologia, PortoDurante uma pesquisa sobre tendências de consumo no sector do Vinho do Porto, encontrei um artigo interessante no Restaurant Wine. O texto, apesar de escrito em 2005, revela conclusões interessante sobre o consumo de Vinho do Porto, defendendo que o Porto Tawny de maior qualidade é cada vez mais popular nos restaurantes norte-americanos. Questiono-me se esta tendência se alterou nos últimos anos. E em Portugal, como é que acha que evoluiu a oferta de Vinho do Porto nos restaurantes?

No centro e norte da Europa e EUA, regiões que representam mais de 90% do consumo de Vinho do Porto, é muito frequente encontrar nos restaurantes pelo menos um ou dois tipos de Vinho do Porto. Na verdade, arrisco-me a dizer que os bons restaurantes da Holanda, Bélgica, Reino Unido e até mesmo Dinamarca, têm uma oferta maior que os congéneres portugueses. Para um português não é difícil justificar isto, já que nós gostamos de tudo o que não é nacional; o whisky triunfa em qualquer parte do país.

Contudo, no mesmo artigo, poderá ler: “Os tawny de maior valor deveriam ter preços equivalentes aos restantes vinhos, não serem considerados como bebidas destiladas. Margens ridículas (mais de 4 vezes o custo) são a maneira mais segura de eliminar as vendas.” Isto é provavelmente verdade, ainda que eu não seja a pessoa mais adequada para falar sobre isso, uma vez que como produtor quero o meu vinho esteja sempre disponível ao preço mais baixo possível. Está aí alguém para defender os restaurantes?

Partilhe os seus hábitos, costuma beber Vinho do Porto nos restaurantes? E o seu consumo de Porto está a diminuir ou a aumentar? Segundo o IVDP as vendas de Vinho do Porto em 2010 estão com crescimentos superiores a 10%. Nada mau!

Oscar