Sobre as vinhas

A coisa mais importante que aprendemos dos nossos antepassados é que o vinho deve ser feito na vinha. Não interessa o quão bom e sortudo se é a trabalhar as uvas na adega, se a proveniência das videiras não for a melhor, então não há maneira de fazer o melhor vinho.

Segue-se depois um segundo jargão: as videiras tendem a ser consistentes no que à qualidade diz respeito, mas não há um lugar que produza sempre as melhores uvas. Por isso, há que assegurar que temos várias sítios onde produzimos as uvas, nunca tudo no mesmo local.

Estas duas ideias ajudam a explicar a razão pela qual os produtores no Douro precisam de produzir uvas em áreas diferentes, a diversas altitudes e porque plantam uma enorme diversidade de castas. Navegue pelas nossas quintas para ver o que torna cada uma única.

Quinta Vale d’Agodinho

Agodinho é o centro das atenções quando de quintas falamos, extendendo-se até aos 25 hectares. Localizada no fantástico vale da Ferradosa, no inicio do Douro Superior, onde a margem esquerda do Douro se extende criando um falso ribeiro, esta propriedade é a espinha dorsal dos nossos melhores vinhos. Em termos de inclinação, a propriedade estendesse entre os 30º e 55º graus. O solo é composto por xisto, numa versão mole que se parte com facilidade. Enquanto que a parte mais baixa da quinta está a 102 metros acima do nível do mar, a parte mais alta eleva-se a 265 metros de altitude. Comprada com pouco mais de uma dúzia de amendoeiras, esta quita foi plantada em 1983. O porta-enxertos utilizado é o R99, muito popular na época, e as castas são as nativas do Douro misturadas nos diferentes talhões. O sistema de condução da vinha é duplo Royat. A casta predominante é a Touriga Franca com cerca de 40% do total da área, seguida das Tinta Roriz com 35%, Touriga Nacional com 10%, Tinto Cão com 10% e Tinta Barroca com 5%. Os vinhos aqui produzidos são ricos, encorpados, e bem complexos.

Nalguns anos, quando as uvas alcançam a maturação perfeita, uma grande parte das uvas é utilizada na produção de Porto Vintage, que pode ser engarrafado como Quevedo – Quinta Vale d’Agodinho Vintage, ou então entrar no lote de Quevedo Vintage, se o ano for excepcional. O nosso LBV mantém consistentemente uma percentagem generosa de uvas do vale d’Agodinho. As uvas para o Douro Claudia’s tinto vem também daqui.

No meio da quinta há uma pequena casa de xisto. O piso térreo é usado para guardar os tratores e ferramentas que usamos na vinha e o primeiro andar é local de convívio em almoços, jantares ou em longas e relaxadas provas de vinhos.

Quinta da Trovisca

A Trovisca é o nosso grande, e por vezes extravagante, campo experimental. Todos os enólogos gostam de ter um sitio para testar novas castas ou técnicas vitícolas. Numa primeira fase foi parcialmente replantada no ano 2000, e posteriormente em cada ano desde então. Os agora 27 hectares de vinha estão divididos por casta. Desde 2012 que estamos a cultivar 7 hectares em agricultura biológica, tanto a zona de uvas tintas como de uvas brancas. Na parte mais baixa da vinha, por esta ordem, encontramos: 1.91 ha de Tinta Roriz (12.5%), 3.31 ha de Touriga Franca (21.8%), 3.20 ha de Touriga Nacional (21.1%), 1,15 ha de Sousão (7,6%) e 0,7 ha de Syrah (4,5%). Na parte alta da quinta temos 2,47 ha de Rabigato (16,3%), 1,69 ha de Gouveio (11,1%) e 0,79 ha de Viosinho (5,1%).

Com uma altitude que vai dos 498 metros onde a Touriga Franca está plantada até aos 602 metros onde se encontram as vinhas de branco, na Quinta da Trovisca há uma parte de Tinta Roriz e de Touriga Franca plantada em socalcos de dois bardos. O solo é composto por xisto, o tipo mais comum na região do Douro.

As uvas que vindimamos na Trovisca são usadas para uma diversidade grande de vinhos do Douro e Porto:

  • – uvas brancas para o Oscar’s e Claudia’s branco e para os Porto Quevedo e Trovisca brancos
  • – uvas tintas utilizadas para refrescar e equilibrar os Portos Vintage e LBV; são também a estrutura principal do Oscar’s tinto; os lotes de Claudia’s tinto e o Porto Quevedo Rose frequentemente levam algumas uvas da Trovisca.

Quinta da Valeira

Valeira é certamente uma dos miradouros mais bonitos no Douro. Está localizada no ponto onde termina o Cima-Corgo e inicia o Douro Superior. Comprada pela Quevedo em 2014, esta propriedade com um total de 27 ha, dos quais 9,68 ha de vinha, foi plantada em 2006 com 5,02 ha de Touriga Nacional (52% da área total plantada com 11.332 videiras), 2,15 ha de Touriga Franca (22%, 7.287 videiras), 1,34 ha de Tinta Francisca (14%, 4.010 videiras) e 1,17 ha de Sousão (12%, 4.290 videiras). Encontrando-se entre 428 e 495 metros de altitude, aqui as temperaturas nunca são muito altas já que é um lugar com boa ventilação. O solo em xisto ajuda a água a drenar e retém o calor nos dias quentes de verão, libertando-o de no novo durante a noite. O sistema de condução da vinha é duplo Royat.

Com as uvas desta nova quinta, esperamos que a Touriga Franca e o Sousão tragam complexidade e intensidade ao nosso LBV, complementado com a frescura esperada da Tinta Francisca. A Touriga Nacional além dos LBVs, será utilizada para se exprimir com elegância no lote de Oscar’s tinto.

Se há algum lugar no Douro onde acha que pode tocar o céu com a ponta dos dedos enquanto lava o dedo do pé no rio, este é o sitio. Vire-se para norte e vai ver o rio Douro, quase como um ribeiro depois de cruzar a barragem que toma do nome da quinta, Valeira. Um pouco mais abaixo e pode ver a Quinta da Alegria. À direita do barragem está o Cachão da Valeira, o apertado cotovelo do rio onde J. J. Forrester perdeu a vida quando regressava ao Pinhão, de barco, com a D. Antónia Ferreira depois de passar o dia na Quinta do Vesúvio. A sul está o vasto tapete verde da Quinta de Cidrô. E à volta, um pouco por todo o lado, vai encontrar bonitas quintas.

Quinta Senhora do Rosário

Lá bem no meio do planalto, a 611 metros acima do mar e rodeando a adega da Quevedo está a mais velha das quintas, plantada inicialmente em 1960 por João Quevedo e com posteriores aumentos durante a década de 70. Nesta vinha de 9,8 ha, onde as castas estão misturadas estimamos as seguintes percentagens: 35% Tinta Barroca, 25% Touriga Franca, 15% Tinta Amarela e 25% de outras castas. Devido à idade avançada desta vinha, o sistema de condução é Guyot. Este era o sistema de condução tradicional do Douro até aos anos 80 do século passado.

Uma vez que se encontra no planalto de S. João da Pesqueira, estas videiras tendem a ser as últimas a ser podadas e vindimadas. A alta altitude do local ajuda a que as temperaturas nunca atinjam valores muito altos, o que se traduz na uva em valores mais altos de acidez. Por esta razão, os vinhos feitos com uvas da Senhora do Rosário são elegantes e frescos, produzindo a base para os nossos Tawnies.

Esta quinta, localizada na parte superior da sub-região do Cima-Corgo deve o seu nome à capela da Senhora do Rosário, localizada ao lado da vinha. Os velhos muros de xisto, tão típicos do Douro, juntamente com as oliveiras da bordadura delimitam a propriedade.

Quinta da Alegria

A Quinta da Alegria é uma das propriedades (a outra é as Mós) que pertence à família da Beatriz. A primeira plantação nesta quinta remonta ao início do século passado. Nessa altura era proibido exportar Vinho do Porto diretamente do Douro. As uvas eram então esmagadas e fermentadas e o mosto fortificado nos lagares da quinta. Depois do Inverno o Vinho do Porto era transportado em pipas que seguiam em barcos rabelo para Vila Nova de Gaia. Mais tarde, nos anos 80, Joaquim Morais Fernandes juntamente com a sua mulher Judite, replantaram a quinta com novas vinhas. Quando o Joaquim e a Judite faleceram, na década passada, a propriedade passou para os seus filhos, José Carlos, Beatriz e Judite, que a continuam a explorar e a renovar.

No cimo desta quinta de 13,7 ha, que se encontra na parte superior do Cima-Corgo virada a sul, temos plantados 1,5 hectares (ha) de Tinta Roriz, e logo por baixo 1,2 ha de Touriga Franca, ambas plantadas em 2003. Depois, entre a casa e o caminho de ferro, temos (de cima para baixo) 2 ha de Tinta Amarela, 3 ha de Alicante Bouchet, 2 ha de Touriga Nacional, 2 ha de Touriga Franca e 2 ha de Tinto Cão. plantado entre 2014 e 2015. O solo é sobretudo de xisto, com uma crescente influência de granito à medida que a altitude aumenta. O sistema de condução da vinha é Royat duplo. As uvas produzidas nesta quinta são usadas nos nossos Reserva Ruby e nos Tawnies.

Há uma anotação especial sobre esta quinta de 28 ha. É uma das poucas, as outras são Vargelas e Vesúvio, com uma estação de caminho de ferro no meio da propriedade. Essa mesma linha que liga o Porto ao Pocinho divide as culturas plantadas: videiras na parte acima da linha de caminho de ferro e por baixo, laranjeiras, tangerineiras e limoeiros estendem-se ao longo de 720 metros de rio.

Quinta das Mós

DOURO 3

Localizada no meio do Douro Superior, a Quinta das Mós toma o nome da aldeia das Mós, que se encontra 3km a sul da quinta. Plantada inicialmente nos anos 90 por Joaquim Morais Fernandes, esta quinta de 20 hectares (ha) foi parcialmente replantada em 2005. Esta propriedade encontra-se virada a norte, e é banhada ao longo de mais de um quilómetro pelo rio Douro. A área plantada em 2005 compõe talhões de Touriga Franca 2,5 ha, Tinta Roriz 2,5 ha, Touriga Nacional 2,5 ha e Sousão 2,5 ha. Os restantes 10 ha encontram-se na vinha mais velha distribuídos entre Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional, em percentagens que não sabemos com precisão.

A quinta estende-se de uma altitude de precisamente 100 metros ao nível do rio Douro até aos 243 metros. No solo predomina o xisto, enquanto que o sistema de condução é o Royat duplo. Esta é também a propriedade que sofre da menor precipitação, com cerca de 300 mm de chuva ao longo do ano. Devido a este facto, quando necessário, compensamos a falta de água no solo com rega gota a gota. É a primeira propriedade a ser podada e também a ser vindimada, uma vez que as videiras sofrem de stress hídrico mais cedo que outras que se encontram a oeste. As uvas que crescem nas Mós são parte do lote de Reserva Ruby e de LBV.

Devido à sua remota localização – uma hora de carro de S. João da Pesqueira – a Quinta das Mós é o sítio ideal para relaxar e sentir o silêncio. Bem, esse silêncio será interrompido cada vez que o comboio passa.