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	<title>Quevedo &#187; Vinhas</title>
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		<title>Como enxertar videiras</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 13:14:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oscar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A filoxera estabeleceu um novo paradigma na viticultura duriense e na de quase todas as regiões produtoras de vinho. Desde 1850 que este mínusculo inseto de nome filoxera, que se alimenta de folhas e raízes de videiras um pé franco, ou seja, não enxertadas, alterou a maneira como se plantam as videiras. Até então, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/nJB-Q8gAIQc" frameborder="0" width="526" height="296"></iframe>A <a title="Filoxera" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Filoxera">filoxera</a> estabeleceu um novo paradigma na viticultura duriense e na de quase todas as regiões produtoras de vinho. Desde 1850 que este mínusculo inseto de nome filoxera, que se alimenta de folhas e raízes de videiras um pé franco, ou seja, não enxertadas, alterou a maneira como se plantam as videiras. Até então, a videira era plantada diretamente no solo, tendo as suas próprias raízes, as quais eram vulneráveis à filoxera.</p>
<p>Para evitar que as raízes, e consequentemente, a planta fosse destruída pelo inseto, os viticultores começaram a plantar uma planta mais robusta e resistente à voracidade da filoxera. Nesta planta, também conhecida por americano porque foi dos EUA que veio a cura para a filoxera (tal como o próprio inseto tinha vindo umas décadas antes), é enxertado um garfo ou vide da casta que se pretende fazer crescer, como Touriga Nacional, Tinta Roriz ou qualquer outra.</p>
<p>A arte de enxertar é muito importante na viticultura, já que a partir desse momento teremos uma videira com capacidade para dar fruto de qualidade. O que quero partilhar convosco hoje é o modo como a enxertia se faz. Há as seguintes fases a saber, que constam do video acima:</p>
<ol>
<li>o porta-enxerto deverá ter sido plantado há pelo menos um ano</li>
<li>o melhor momento para enxertar é umas semanas antes de iniciar o novo ciclo da videira</li>
<li>corte uma vide com dois olhos, a crescer para cima para enxertar</li>
<li>faça um corte horizontal no porta-enxerto, a cerca de 10 &#8211; 20cm do nível do solo para que a união fique tapada com terra</li>
<li>faça um corte perpendicular no porta-enxerto onde vai inserir o garfo ou vide</li>
<li>ate bem a união com ráfia</li>
<li>dê um aperto final no garfo para ficar bem preso</li>
<li>cubra o enxerto com terra e regue de duas em duas semanas durante 6 meses com uns litros de água</li>
</ol>
<p>Dúvidas? Imagino que tenha algumas!</p>
<p>Oscar</p>
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		<title>Comentários à vindima no Douro depois de uma curta chuva</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 22:05:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oscar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há alguns desenvolvimentos no último estádio de maturação das uvas, poucos dias antes do início das vindimas. No domingo passado choveu fortemente no Douro. Esta chuva é muito bem-vinda, uma vez que não danificou as uvas e irrigou os secos solos das vinhas. Com esta humidade extra nos solos, as uvas vão passar mais alguns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><img class="alignleft" style="border: 0pt none;" src="http://farm5.static.flickr.com/4090/5175219788_b7efc8a250.jpg" border="0" alt="DSCN1428" width="300" height="225" /></p>
<p>Há alguns desenvolvimentos no último estádio de maturação das uvas,  poucos dias antes do início das vindimas. No domingo passado choveu  fortemente no Douro. Esta chuva é muito bem-vinda, uma vez que não  danificou as uvas e irrigou os secos solos das vinhas. Com esta humidade  extra nos solos, as uvas vão passar mais alguns dias nas videiras antes  de serem colhidas, o que deverá acontecer no início de Setembro.</p>
<p>Devido aos dias muito quentes das últimas semanas, sem que tivesse  chovido, esta chuva inesperada e acompanhada de trovoada vai pôr fim a  algum stress hídrico que pudesse existir, ao mesmo tempo que permite que  a videira termine a maturação fenólica. Há alguns produtores que já  começaram a vindimar unicamente as uvas brancas. Nós temos previsto começar  a vindima a 5 de Setembro. Mas como não podia deixar de ser, vamos  mantê-lo ao corrente do que se passa no Douro. Mantenha-se em sintonia!</p>
<p>Oscar</p>
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		<title>Vindima de 2011: o primeiro controlo de maturação</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Aug 2011 17:08:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oscar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Após um mês de ausência devido ao meu casamento, que ocorreu dia 15 de Julho, estou agora de regresso com notícias fresquinhas directamente da vinha. Como habitualmente, fizemos o nosso primeiro controlo de maturação dia 10 de Agosto e este ano não foi diferente. Este primeiro contacto com as novas uvas dá-nos uma ideia inicial [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><img src="http://farm5.static.flickr.com/4095/4883259461_d4d423d8cb.jpg" border="0" alt="2011 maturity control in Quinta Vale d'Agodinho" width="500" height="375" /></p>
<p>Após um mês de ausência devido ao meu casamento, que ocorreu dia 15 de  Julho, estou agora de regresso com notícias fresquinhas directamente da  vinha.</p>
<p>Como habitualmente, fizemos o nosso primeiro controlo de  maturação dia 10 de Agosto e este ano não foi diferente. Este primeiro  contacto com as novas uvas dá-nos uma ideia inicial muito genérica de  quando começar a vindima. Imagino que alguns de vós já tenham ouvido  falar que a quente Primavera de 2011 tenha levado a uma precoce floração  e rápida maturação durante as primeiras semanas. Em algumas regiões de  Espanha e França, os produtores planeiam começar a vindimar já no final  de Agosto ou principio de Setembro, duas semanas mais cedo do habitual.  Também em Portugal a maturação está adiantada. No Alentejo há já  produtores a vindimar.</p>
<p>A nós parece-nos muito cedo para começar a colheita. Primeiro,  porque este controlo de maturação mostrou que ainda temos de esperar  mais alguma semanas para obter uma maturação completa das uvas. E  depois, porque para o Vinho do Porto as uvas são colhidas numa ligeira  sobrematuração que permite a obtenção de aromas a figos, ameixas ou  amoras.</p>
<p>Se teve oportunidade de ler o artigo anterior sobre o míldio nas  vinhas, poderá estar a pensar em que medida é que este problema vai  afectar a colheita. Na verdade, teremos de ter ainda mais atenção às  uvas colhidas. Há ainda alguns cachos secos nas videiras, juntamente com  outros sãos e maduros que se encontram em boas condições. Mas estes  cachos secos têm de ser removidos e deixados no solo. Caso contrário,  dariam um sabor vegetal, seco e lenhoso ao vinho. E isso não queremos de  todo. Em alguns cachos, a partE de cima encontra-se sã enquanto que a  parte de baixo está seca e degradada. Razão pela qual ser necessária uma  selecção ainda mais cuidada.</p>
<p>A primeira estimativa para o principio da vindima na Quinta Vale  d&#8217;Agodinho, a nossa principal quinta, aponta para o dia 12 de Setembro,  ou antes se as temperaturas se mantiverem perto dos 40º C e se não  chover. Estes são os álcoois prováveis do primeiro controle de  maturação:</p>
<p><strong> Álcool potencial a 10 de Agosto, Início da vindima<br />
</strong></p>
<p><strong>2007</strong> 10.49%,                                September 19th</p>
<p><strong>2009 </strong> 11.86%,                                September 14th</p>
<p><strong>2010</strong> 10.05%,                                 September 18th</p>
<p><strong>2010</strong> 12.07%, ?</p>
<p>Como habitualmente, fico à espera dos seus comentários!</p>
<p>Oscar</p>
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		<title>Douro atacado: míldio veio e deixou uma grande marca</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jul 2011 01:08:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oscar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O cultivo das uvas está longe de ser um processo previsível e espectável, dado dependermos muito das condições climatéricas. Às vezes demasiado. Tanto, que clima adverso pode destruir o que cremos ser uma boa colheita. E foi isso que aconteceu com a nossa Tinta Roriz. Enquanto estávamos na Vinexpo, uma feira de vinhos que teve [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><img src="http://farm7.static.flickr.com/6016/5928579270_81d6eec217.jpg" border="0" alt="Mildew in the grapes" width="500" height="375" /></p>
<p>O cultivo das uvas está longe de ser um processo previsível e espectável, dado  dependermos muito das condições climatéricas. Às vezes demasiado. Tanto,  que clima adverso pode destruir o que cremos ser uma boa colheita. E foi  isso que aconteceu com a nossa Tinta Roriz. Enquanto estávamos na <a title="Vinexpo" href="http://vinexpo.com/"> Vinexpo</a>, uma feira de vinhos que teve lugar em Bordéus entre os dias 19 e  24 de Junho, as nossas uvas estavam a ser atacadas pelo míldio. Uma  estimativa detalhada indica que se perdeu mais de 50% da Tinta Roriz,  cerca de 15% da Touriga Nacional, Touriga Franca e Sousão. A propriedade  mais afectada foi a <a title="Quinta da Trovisca" href="http://quevedoportwine.com/pt/vineyards-and-winery/">Quinta da Trovisca</a>, onde algumas das videiras  perderam todos os cachos, como mostram as fotos.</p>
<p><a class="tt-flickr tt-flickr tt-flickr-Small" title="Grapes with mildew" href="http://farm7.static.flickr.com/6141/5928575138_8eff66607d.jpg"><img class="alignright" src="http://farm7.static.flickr.com/6141/5928575138_8eff66607d_m.jpg" border="0" alt="Grapes with mildew" width="240" height="180" /></a> O meu pai diz que a situação deste ano faz lembrar-lhe a colheita de  1988, quando uma grande parte da produção foi destruída também devido ao  míldio. Nessa altura eu tinha só 5 anos e não me lembro de nada do que  aconteceu. Mas recordo-me que há quatro anos atrás, em 2007, houve  também um ataque de míldio por todo o Douro, e não foi por isso que não  fizemos um dos melhores, senão mesmo o melhor Vinho do Porto da década.  Quer isto dizer que o míldio não vai afectar a qualidade, desde que se  tenha o cuidado de remover os cachos secos dos cestos da vindima. Deverá  até mesmo melhor a qualidade dos cacho que ficam na videira. Uma vez  que a videira tem menos produção, vai concentrar os esforços em  amadurecer em boas condições o fruto que resta.</p>
<p>Daquilo que falei com outros produtores, parece que o míldio afectou  todo o Douro. Imagino que poucos o irão admitir, e jurarão que está tudo  em perfeitas condições nas suas vinhas. Mas o que parecia uma colheita  generosa há dois meses atrás está agora transformada numa produção  reduzida. E esta redução da quantidade irá certamente melhorar a  qualidade de Vinhos do Porto e Douro e ao mesmo tempo subir os preços de  ambos os vinhos.</p>
<p><a class="tt-flickr tt-flickr tt-flickr-Small" title="DSCN1764" href="http://farm7.static.flickr.com/6027/5928013601_a8018120f5.jpg"><img class="alignleft" src="http://farm7.static.flickr.com/6027/5928013601_a8018120f5_m.jpg" border="0" alt="DSCN1764" width="240" height="180" /></a> Deixe os seus comentários e questões, terei todo o gosto em responder às suas perguntas.</p>
<p>Oscar</p>
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		<title>Mudança climática: como é que vai afectar a viticultura no Douro</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Jul 2011 01:30:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oscar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nota do Editor: Um destes dias, quando ia com o Luiz Alberto de carro do Porto para o Douro, demos por nós a falar na influência que a erupção em Abril de 2010 do vulcão islandês Eyjafjallajökull teve no clima global bem como na maturação das uvas no Douro, em 2010. Outros temas se falaram. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><em><img class="alignleft" style="border: 0pt none;" src="http://farm5.static.flickr.com/4135/4883230783_822deee6e4.jpg" border="0" alt="Quinta Vale d'Agodiho, Ferradosa" width="350" height="263" />Nota do Editor: Um destes dias, quando ia com o Luiz Alberto de carro do Porto para o  Douro, demos por nós a falar na influência que a erupção em Abril de  2010 do vulcão islandês Eyjafjallajökull teve no clima global bem como  na maturação das uvas no Douro, em 2010. Outros temas se falaram. Até  que a certa altura desafiei-o a escrever um ensaio sobre em que medida é  que a mudança climática vai afectar a viticultura no Douro. E aqui está  o texto do Luiz, retirado do seu blog <a title="My Wine Studies" href="http://mywinestudies.com/?page_id=201">My Wine Studies</a>. É longo, eu sei, mas vale bem a pena ser lido. Oscar</em></p>
<p>Quando se fala de mudança climática, as variações naturais do clima  nunca devem ser postas de lado. Há a &#8220;variabilidade do clima&#8221;, que se  refere às mudanças no comportamento do clima num certo lugar, de um  período para outro. Contudo, a mudança climática devido à actuação do  Homem é uma realidade e vai ter um grande impacto e muitas implicação em  todo o planeta. Os países que mais vinho produzem &#8211; Itália, França,  Espanha, EUA e Austrália &#8211; estão todos em risco. As videiras são  extremamente sensíveis a todas as alterações relacionadas com a mudança  do clima, mas neste ensaio, vamos fazer uma análise microscópica e  apenas será discutido em que medida vai afectar a viticultura no Douro.  Esta discussão trata daquilo que é necessário fazer num cenário em que as  temperaturas são mais altas (com um aumento da frequência de dias muito  quentes), as secas são mais severas, e há um aumento da evaporação à  superfície. É necessário direccionar esforços para manter a  vitivinicultura viável e rentável nesta região com longa tradição.</p>
<p>O aumento da temperatura pode ter um efeito dramático na videira e,  em geral, a solução para as temperaturas mais altas tem sido simples: vá  para cima (tanto em altitude como em latitude) e passa a ser  reestabelecido o  local ideal para uma certa casta. Esta regra  certamente que se aplica ao Douro, onde a altitude das vinhas pode  variar entre os 100 e os 700 metros. O Douro apresenta outra vantagem em  relação a outras regiões vitícolas: a exposição solar é adaptável e é  certamente outro dos remédios para os problemas que vão surgir. Uma  possível solução poderá ser o abandono dos terrenos com exposição a sul,  os quais são demasiado quentes (ou experimentar uma gestão mais drástica  da rebentação da videira, incluindo sobreamento), e replantar nas zonas  mais frescas com exposição ao norte. O vale oferece uma exposição de  360º, mas uma adaptação mais rápida ao novo cenário vai ser determinante  para uma transição com sucesso (vários anos serão necessários para a  transição completa, requerendo novas plantações). A grande maioria das  novas plantações no Douro Superior (onde a precipitação média chega a  ser de 1/3 do Baixo-Corgo) é já com exposição ao norte. As famosas  vinhas da Quinta de Vargellas e da Quinta do Vesúvio estão ambas na  margem sul com exposiçao ao norte.</p>
<p>No mundo dos vinhos tudo vai muito devagar (são necessários anos  para que uma videira comece a dar vinho e muitos mais para que o vinho  seja bom), daí a necessidade de se começar a actuar desde cedo. O resto  do mundo vai também responder às mudanças climáticas. A eficiência da  adaptação é crucial. Uma região tão tradicional como o Douro necessita  de adaptar-se rapidamente e mostrar flexibilidade. Algumas leis  tornar-se-ão desactualizadas e inapropriadas. Estas leis não farão  sentido à luz das novas condições ambientais e terão de ser eliminadas.  Por exemplo, há significantes diferenças fisiológicas e morfológicas  entre as variedades de Vitis vinifera. Aquelas que são permitidas (ou  recomendadas) para ser plantadas têm de ser reavaliadas ao longo do  tempo. Há centenas de castas em todo o Portugal. As que são menos  sensíveis ao stress hídrico e às altas temperaturas têm de ser  favorecidas em relação àquelas que não têm um comportamento tão bom  nestas condições (Tinta Barroca ou Tinta Francisca). Contudo, para  mitigar este problema, é também possível utilizar porta-enxertos que são  mais resistentes à seca (em termos relativos). Assim, o R110 está a  tornar-se mais popular no Douro. Era já utilizado no passado (juntamente  com o 1103P), mas nos últimos tempos tem havido uma preocupação por  parte dos viticultores em utilizar porta-enxertos tolerantes à seca, e  não necessariamente indicados para maiores quantidade ou qualidade.</p>
<p>As altas temperaturas, numa região já de si quente, vão  inevitavelmente ter consequências negativas no curto-prazo (ao contrário  de uma região como, por exemplo, o Mosel onde o aumento do calor está a  fazer crescer o número de vindimas de grande qualidade nas últimas  décadas): queda nos valores de acidez total (especialmente ácido málico)  e aumento do nível de açúcar (que por sua vez produzirá vinhos mais  alcoólicos). A vindima temporã é uma possibilidade para minimizar o  problema, mas o resultado serão vinhos com uma maturação fenólica  incompleta, com taninos mais agudos e verdes. Uma vez mais, castas  diferentes (ou clones de uma casta já existente) e porta-enxertos mais  resistentes à seca terão de ser plantados. Estas novas plantações vão  ter um desempenho melhor nestas condições ainda mais quentes. Castas com  maturações teporãs estão mais susceptíveis ao stress hídrico e podem  ter alguns problemas dentro da região. A gestão da matéria verde da  videira poderia ser uma opção, reduzindo a luz solar e aumentando o  sombreamento das uvas. Contudo, o aumento dos rebentos também leva a  maior desidratação, sendo uma faca de dois gumes.</p>
<p style="text-align: left;">Mas a temperatura não é o único efeito directo da mudança climática:</p>
<p>-  ocorrência de elevada precipitação pode levar a danos nas vinhas  (devido à erosão). Estudos mostram que estas ocorrências tenderão a  tornar-se mais frequentes, tornando-se incomportavelmente caro (e  intensivos em mão-de-obra) reparar os muros dos socalcos e patamares da  região</p>
<p>- rebentação antecipada pode causar grandes efeitos, aumentando o risco  de geadas nalgumas castas como o Tinto-Cão. Além disso, se o ciclo  começar mais cedo, terminará igualmente mais cedo, significando que a  vindima terá lugar mais cedo, num período ainda mais quente do ano. Isto  pode levar a redução da qualidade das uvas, devido a uma elevada perda  de água e componentes voláteis. A vindima nocturna poderia ser uma  opção, mas quem se arrisca a vindimar à noite em terrenos tão  acidentados?</p>
<p>- as datas entre castas com maturação precoce (Tinta-Barroca e Bastardo)  e tardia (como a Touriga Franca e o Tinto-Cão) tornar-se-ão mais  próximas. Dado que as castas com maturação mais tardia tendem a ser mais  sensíveis ao aumento da temperatura que as de maturação mais precoce,  haverá complicações na gestão da entrada das uvas na adega.</p>
<p>- prevê-se que os níveis de pluviosidade se tornem mais irregulares no  Douro com a consequente redução da água disponível. Parece haver um  consenso que a necessidade de rega das vinhas tenderá a aumentar com o  aquecimento e secas consequência da mudança climática. Dado que a rega  no Douro é actualmente ilegal, as autoridades deverão considerar uma  alteração da legislação. Parece que o <a title="Instituto do Vinho do Douro e Porto" href="http://www.ivdp.pt/">IVDP (Instituto dos Vinhos do  Douro e Porto)</a> está disponível para analisar a possibilidade de  autorizar a rega em alguns casos onde seja provado que a rega leva  claramente à produção de vinhos de melhor qualidade. Há já algumas  vinhas onde a rega está a ser testada. Um exemplo é a Quinta de  Ervamoira da <a title="Ramos Pinto" href="http://www.ramospinto.pt/home_ing.htm">Adriano Ramos Pinto</a>. Outro exemplo são os testes que a  Quevedo está a fazer na Quinta das Olgas, no Douro Superior, desde 2007.  Ainda que quatro anos seja um período muito curto, puderam já verificar  que algumas vinhas tiveram um desempenho melhor quando regadas,  acabando por gerar uvas e vinhos de melhor qualidade. Um bom exemplo  ocorreu na vindima de 2010: parte da Quinta das Olgas foi regada,  enquanto que a restante vinha ficou a aguardar água da chuva. A parte  que não foi regada não conseguiu completar o processo de maturação,  deixando muitos cachos totalmente secos. A parte regada produziu cachos  com boa concentração de antocianas e componentes fenólicos, que se  traduziram em boas cores e aromas.</p>
<p>- enquanto que a rega parece ser uma solução para mitigar o problema das  secas mais recentes e habituais, há uma necessidade real de trabalhar  medidas que promovam a sustentabilidade da oferta de água em toda a  região.</p>
<p>As autoridades e as pessoas do Douro deveriam coordenar-se num esforço  conjunto para mitigar estas condições adversas. Como <a title="Pancho Campo" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pancho_Campo">Pancho Campo MW</a> disse A tecnologia de que dipomos hoje em dia tem que estar à disposição  do problema, procurando uma maior eficácia dos sistemas energéticos,  reduzindo ao máximo as emissões de gases de estufa, desenhando novos  combustíveis e promovendo a reciclagem, a reflorestação, etc. A  indústria internacional tem que investir na adaptação a novas  tecnologias que mitiguem os efeitos das mudanças climáticas e, a nível  económico, há que desenvolver planos de incentivo e reduções fiscais  para fomentar a adaptação. Políticos, científicos e economistas devem  concertar esforços.&#8221; O lucro é o motor da indústria do vinho (e de  qualquer indústria), mas mostrar que uma adega está a fazer &#8220;a sua  parte&#8221; na preservação do sistema é igualmente essencial. Os consumidores  estarão atentos às políticas adoptadas para combater as emissões de  dióxido de carbono, onde quer que estejam. As expectativas são altas e  caso se falhe poder-se-á comprometer a imagem de toda a região. Não só é  necessário encontrar soluções que se adaptem às condições desfavoráveis  que o futuro trará, mas também para fazer todo o esforço possível de  modo a que o trajecto que se escolha seja o que menos consequências  negativas tenha.</p>
<p>Por Luiz Alberto, disponível em <a title="My Wine Studies" href="http://mywinestudies.com/?page_id=201">My Wine Studies</a></p>
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		<title>O Rio Torto e as suas semelhanças com o Rio Douro</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jun 2011 16:30:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oscar</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><img class="alignleft" style="border: 0pt none;" src="http://farm4.static.flickr.com/3270/5796462737_9c2e4bafed.jpg" border="0" alt="Torto River at its mouth" width="350" height="263" />As fortes chuvadas dos últimos dias pintaram o Rio Torto de uma cor  pouco usual para esta época do ano. Este tom castanho claro, dourado,  que está na origem do nome do Rio Douro, costuma ser visto durante o  Inverno, quando as águas da chuva trazem terra pela encosta abaixo,  formando uma lama dourada.</p>
<p>Durante estes dias é o Rio Torto que se assemelha ao Rio Douro, ou melhor dito, ao rio dourado.</p>
<p>Oscar</p>
<p><img class="alignleft" style="border: 0pt none;" src="http://farm6.static.flickr.com/5191/5796482845_d23247043a.jpg" border="0" alt="The mouth of the Torto River" width="350" height="263" /></p>
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		<title>Temperaturas amenas e chuva levam a vindima temporã</title>
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		<pubDate>Mon, 30 May 2011 23:26:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oscar</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><img class="alignleft" style="border: 0pt none;" src="http://farm3.static.flickr.com/2498/5778542466_75694c3ff0.jpg" border="0" alt="Too much rain in our vineyards in the Douro valley" width="350" height="263" /></p>
<p>Nos últimos dias o clima no Douro tem estado muito instável. Rapidamente  muda de céu limpo para um fechado nublado de trovoada, como se de um  clima tropical se tratasse. As temperaturas movem-se entre 15ºC e 28ºC  ao meio da tarde. E quando chove parece que vai ser o fim do mundo, tão  forte é a chuvada. E em vez de termos uma lenta irrigação das vinhas,  estas chuvadas criam pequenos ribeiros de água a descer a encosta,  semelhante ao que vemos na fotografia. Pessoalmente gosto de trovoadas, mas não nada favoráveis às vinhas.</p>
<p>Com a floração da vinha terminada tão cedo (em meados de Maio nas  videiras próximas do rio) este ano devemos ter uma vindima mais precoce.  Este factor é explicado pelas temperaturas simpáticas e amenas que  temos tido durante a Primavera, ajudado pelas chuvas frequentes. Por  isso, se planeia vir até ao Douro na vindima, este ano talvez seja  melhor anticipar a viagem numa ou duas semanas. Mas ainda faltam uns 100  dias, o tempo o dirá.</p>
<p>Oscar</p>
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		<title>Despampa no Douro &#8211; remover os pâmpanos em excesso</title>
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		<pubDate>Wed, 18 May 2011 00:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oscar</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/VhVTiGPKOew" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/VhVTiGPKOew"></embed></object></p>
<p>Todos os anos, depois da vindima, a videira inicia um ciclo de dormência. Perto do fim do inverno esta fase vegetativa de inactividade cessa e começam a rebentar os pâmpanos dos olhos da videira que foram deixados na poda. Na maioria dos casos há excesso de crescimento vegetativo, tornando-se necessário eliminar alguns dos pâmpanos. É necessário controlar a sua rebentação e para tal removem-se alguns desses rebentos. Quantos mais pâmpanos removemos, menor será a produção esperada, aumentando a qualidade potencial. O equilíbrio encontra-se com cerca de 4 a 6 cachos por videira, o que se traduz em cerca de 1kg de uvas na altura da vindima.</p>
<p>Na semana passada estivemos a fazer este trabalho de remoção dos pâmpanos em excesso na Quinta da Trovisca. Fiz um pequeno vídeo para que se torne mais fácil perceber o processo. Deixem as vossas questões e dúvidas. Pode demorar alguns dias, mas sabem que eu respondo sempre!</p>
<p>Oscar</p></p>
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		<title>Outra colheita generosa no Douro?</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Apr 2011 14:27:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oscar</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><img src="http://farm6.static.flickr.com/5225/5653123290_3dcddaacbd.jpg" border="0" alt="New bunches on old vines, the cycle continues" width="500" height="374" /></p>
<p>O novo ciclo vegetativo da videira já decorre a toda a velocidade.  Depois da poda durante o inverno, altura em que as videiras apresentam  muito pouca atividade, a primavera traz a rebentação, pintando o Douro  de verde e escondendo o castanho das pedras e da terra.</p>
<p>Este ano a rebentação surpreendeu-me pelo alto número de cachos por  pampo ou rebento. Quer isto dizer que caso o clima ajude durante a fase  da floração, teremos uma colheita generosa. A fotografia mostra uma  videira escolhida ao acaso da vinha em frente à nossa adega. Há muitos  cachos. Em geral, apenas 60% a 80% dos bagos serão fertilizados e,  consequentemente, tornar-se-ão uva. Ventos fracos e temperaturas na  ordem dos 25º C favorecem a ocorrência da fecundação das flores da  videira. Mas isso é só daqui por mais 2 ou 3 semanas.</p>
<p>Oscar</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_e.png?x-id=6d95fd25-d713-4a5f-ae82-9c4f0770ef86" alt="Enhanced by Zemanta" /></a><span class="zem-script more-related pretty-attribution"><script src="http://static.zemanta.com/readside/loader.js" type="text/javascript"></script></span></div></p>
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		<title>Douro, o vale estreito</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Apr 2011 11:41:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oscar</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><img class="alignleft" src="http://farm6.static.flickr.com/5103/5634526366_368a8119a8.jpg" border="0" alt="The Douro valley of granite in Linhares de Ansiães" width="500" height="375" />Estendendo-se por uma área de 250.000 hectares, a Região Demarcada do Douro tem  cerca de 46.000 hectares plantados com vinhas. O início da  região coincide com a entrada do Rio Douro em Portugal, começando na  zona do Parque do Douro Internacional, em Freixo de Espada à Cinta  terminando em Barqueiros, uma aldeia que divide o distrito de Vila Real e  do Porto. Quando passa por Barqueiros, o rio Douro está já a metade do  seu percurso em Portugal, antes de chegar à foz no Porto/Gaia.</p>
<p>Como talvez saiba, a viticultura do vale do Douro depende muito do seu  rio. Em algumas zonas, a região demarcada limita-se a poucos quilómetros  para norte ou sul do rio. A fotografia que está em cima foi tirada em  Linhares, uma aldeia na margem norte, concelho de Carrazeda de Ansiães e  que fica entre a foz do Tua e a Ferradosa. Como se pode ver na imagem, há  uma grande mudança no tipo de solo, comparado com o tradicional xisto  que caracteriza o Douro. O solo é arenoso e o granito é a rocha  predominante, tornando esta área muito interessante para plantar videiras  de uvas brancas.<img class="alignright" style="border: 0pt none;" src="http://farm6.static.flickr.com/5308/5634536586_7d59ed5dd3.jpg" border="0" alt="Map of the Douro Demarcated Region" width="400" height="284" /></p>
<p>Nesta parte do Douro, a região demarcada é tão estreita que a distância  entre o lugar onde tirei a foto (no limite norte da região) e a montanha  ao fundo da imagem (a qual já está fora do limite sul da região) é de  só 14km. Pelo meio pode ver S. João da Pesqueira. Mas acho que este mapa  dá uma boa ajuda a perceber o que quero dizer!</p>
<p>Oscar</p>
<div class="shr-publisher-2450"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic -->]]></content:encoded>
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