Podería o Vinho do Porto utilizar outro vedante que não a rolha cortiça? Por agora não

DSCF0118_2Nos últimos anos, talvez mesmo nas últimas décadas, tem-se produzido muita investigação sobre vedantes para vinho. Alguns defendem a cortiça, outros os screwcaps” e outros recomendam os vedantes sintéticos. Nos países com uma maior tradição vinhateira, a cortiça é claramente o mais utilizado, enquanto, especialmente nos países do hemisfério sul, o “screwcap” é usado para vinhos de gama baixa. No entanto, a maioria dos vinhos mais caros e distintos, independentemente do país, não deixam de usar cortiça.

Esta discussão tem tido lugar no site da EWBC, e acho que posso contribuir para ela com o ponto de vista de um produtor de Vinho do Porto. O que é que nés andamos a usar como vedantes?

Todos os produtores de Vinho do Porto utilizam rolhas de cortiça. Contudo, há pelo menos uma empresa – Castelinho Vinhos – a utilizar rolhas sintéticas nos vinhos de categorias mais baixa, comercializados no Reino Unido e Alemanha. Exceptuando este caso, a indústria utiliza rolha capsulada nos vinhos mais baratos como os Ruby, Tawny e White base, e rolhas naturais para as categorias mais altas. Vinhos do Porto ruby de categoria superior tenderão a utilizar melhores rolhas que os tawny de categoria superior uma vez que o processo de envelhecimento dos ruby dê-se em garrafa enquanto que os do tawny ocorre em madeira e quando são engarrafados estão óptimos para consumo.

Na minha opinião, o Vinho do Porto vai resistir à nova onda de “screwcap” e vedantes sintéticos utilizados nos vinhos de mesa. Também neste campo o Vinho do Porto é uma bebida tradicional e os consumidores dificilmente aceitariam um vedante diferente de uma rolha natural. A cortiça permite uma lenta oxidação do vinho, a qual complementa o seu processo de envelhecimento. Além de tudo, a cortiça é o vendante com maior longevidade. As melhorias verificadas na qualidade das rolhas de cortiça, fruto do aumento da investigação por parte das principais empresas e associações do sector, tem vindo a diminuir os seus efeitos nefastos no vinho. Curiosamente, o último vinho que provei, ontem ao jantar, com um amigo que também participou na I EWBC, sofria de TCA!!

Assim, a Quevedo continuará a utilizar rolhas de cortiça nos seus Vinhos do Porto e Vinhos do Douro.

Oscar Quevedo

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