Apresentação na Vindouro com dois pontos controversos
- predominante concentração em castas com mais nome
- redução do número de produtores de vinho do Douro
Deixe-me só clarificar que eu não sou um defensor de nenhum destes pontos; acho simplesmente que vão ocorrer se não fizermos nada para o contrariar.
- Historicamente, os pequenos viticultores do Douro, que representam a grande maioria da produção de uvas, seguiam conhecimentos empíricos para escolher as castas que deveriam utilizar para fazer o Vinho do Porto. Consequentemente, em 1981, foi levado a cabo um grande estudo sobre castas no Douro, do qual resultou a recomendação de 5 castas para Vinho do Porto, esculpindo em pedra o destino da viticultura no Douro. Rapidamente os viticultores começaram a plantar por talhões as castas recomendadas, limitando ou extinguindo a plantação de “castas estranhas”. E eu até poderia ter defendido esta prática se os nossos antepassados plantassem estas 5 castas, mas não era o caso. Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão e Tinta Barroca são algumas das dezenas de castas nativas. As vinhas têm uma diversidade de castas que em conjunto permitem que elaboremos extraordinários Vinhos do Porto, não meia dúzia escolhidas a dedo. E será que estas castas são também boas para Vinho do Douro? Não, ou melhor, depende das proporções. Todos queremos preservar a cultura e diversidade do vale do Douro, e para tal precisamos de manter as vinhas velhas também com as castas menos conhecidas. Em poucas palavras, precisamos de mais variedade, mais mistura.
- Há cerca de 360 produtores de Vinho do Douro, sem que haja um ou alguns com uma grande fatia do mercado. Durante os últimos anos, com o preço das uvas a cair abaixo de 1 euros, e em alguns casos abaixo de 50 cêntimos, muitos viticultores decidiram fazer vinho em vez de venderem só as uvas. Para a grande maioria, este é uma ocupação a tempo parcial, já que mantêm os empregos que têm noutras actividades. Por outro lado, poucos são os que têm conhecimento de marketing para vender os vinhos e não estão disponíveis para gastar 1 cêntimo em viagens, provas ou eventos sociais. A internet continua a ser uma ferramenta desconhecida. Alguns destes produtores têm stocks antigos de vinho do Douro, quando novas vindimas vão batendo à porta cada mês de Setembro. Isto não é sustentável, e alguns vão ter que, mais tarde ou mais cedo, deixar de vender o vinho engarrafado. Na minha opinião, o sector dos vinhos do Douro vai seguir os passos dados pelo Vinho do Porto há uns anos, com o número de produtores a apertar. Neste momento há cerca de 98 produtores de Vinho do Porto com os 5 maiores a venderem 75% do total. Na conferência da Vindouro sobre Vinhos do Porto e Douro estava sozinho a defender este ponto. Enquanto que o Cristiano van Zeller, da Quinta Vale D. Maria, concordava comigo no primeiro ponto, neste em particular, acha que o sector dos DOC Douro não vai perder produtores.
Vamos continuar aqui a discussão que tivemos na conferência em S. João da Pesqueira. Partilhe os seus comentários e ideias. É óptimo termos os pontos de vista dos que não estão no sector.
Oscar
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Em 1991 Quevedo fez-se marca, sucedendo a gerações de dedicada paixão pela vinha e pelo vinho. Desde então fundámos a nossa estratégia na sabedoria dessa tradição. Assim, para garantirmos as melhores uvas ano após ano, começámos por estender as nossas vinhas até aos 100 hectares que hoje cultivamos nas férteis regiões de Cima-Corgo e Douro Superior; e para honrarmos (ou dignificarmos) o seu incomparável sabor, ampliámos e equipámos a adega com tecnologia vinícola de ponta, sob a direcção da enóloga da família, a Cláudia. O resultado são vinhos que sabem ao xisto onde nasceram, ao sol que os amadureceu, à gente que os colheu. Com mais de um século de vida dedicada ao vinho, Quevedo é muito mais que uma marca, é uma família que vive para o vinho e se orgulha de oferecer ao mundo o melhor que o Douro tem.