Harvest at the Douro by Monique de Jager

Oscar Nota do Editor: O artigo que encontra em baixo foi escrito por uma amiga holandesa, Monique de Jager, que passou uma semana connosco durante a vindima de 2011. Desafiei-a a partilhar a sua experiência e aqui fica o relato. Se arriscar uma visita ao Douro em Setembro avise-nos. Oscar

 Vindimas no Douro –  fantástico mas duro periodo do ano para todas as adegas. O Eugène e eu (Monique) estivemos lá em Setembro de 2011

O meu irmão tem sido um apaixonado por Vinho do Porto nos últimos 3 anos. No ano passado ele conheceu o Oscar na Holanda, durante uma prova em Nieuwegein. O Oscar convidou o Eugène para vir à adega ajudar na vindima. Foi então que o Eugène começou a fazer os planos para a viagem ao Douro e quase um ano depois e a poucas semanas antes de partir para Portugal convidou-me. Tive que organizar a minha vinda com o meu marido (Ronald), filhos (Jelle e Sietse) e também no trabalho. Tudo acabou em bem! Eu fui a sortuda que teve a oportunidade de ir para o Douro com o meu irmão Eugène. Depois de um dia completo de trabalho no hospital – onde sou enfermeira – ao fim do dia deixámos Amesterdão num avião com destino ao Porto, chegando a tempo de levantar o nosso Clio no rent-a-car do aeroporto. Depois de uma curta noite no Hotel Ibis fomos fazer umas provas de Vinhos do Porto muito bons: Tawnies velhos e Porto Vintage. Escrevo tudo em maiúsculas pelo respeito que tenho pelo Vinho do Porto e pelo Douro.

Começámos a nossa viagem para a adega Quevedo em S. João da Pesqueira; o destino final na viagem ao Douro. Depois de duas horas e meia a conduzir, eram 18h quando chegámos à adega. Encontrámo-nos com o Oscar (junior) e Cláudia, irmã dele. Foi uma recepção calorosa de boas-vindas. O Oscar mostrou-nos a adega em linhas gerais e deu-nos a provar um Vinho do Porto. Apercebemo-nos que era um período de muita  agitação. A vindima é a parte mais intensiva do ano. E ainda assim, a família estava amigável e aberta a receber-nos, sempre com tempo para mostrar as etapas da adega e os movimentos das uvas. Conhecemos também os pais do Oscar e da Claúdia. Fomos até convidados para jantar na quinta-feira da semana que por lá passámos. Foi muito agradável conhecer o Sr. e a Sra. Quevedo. Ficamos a conhecer bem esta família trabalhadora. Um dos amigos que conhecemos no encontro de fim-de-semana falou-nos do Oscar. Depois de acabar o curso na universidade, o Oscar trabalhou na banca. Mas depois mudou a carreira quando o avô morreu. O Oscar quis ajudar na adega e começou a trabalhar na empresa da família. Ele, o Oscar, mudou as coisas de um modo positivo. Encontrou o trabalho da vida dele. Passou a ser mais feliz do que nunca. A meio da tarde o Oscar trouxe-nos para a casa em Valongo dos Azeites. Foi fantástico ver uma casa tão elegante num ambiente tão bonito. Ficamos surpreendidos. A casa pertence à família. Tinha sido acabada de recuperar, podíamos ainda sentir o cheiro a tinta.

No dia seguinte tivemos de estar na adega às 7h. Foi-nos dado um par de tesouras para apanhar as uvas. E era tudo, era essa a ferramenta que precisávamos, e também um chapéu para o sol e as vestimentas certas o trabalho. Tivemos de trabalhar em lugares rochosos e inclinados. É um trabalho onde se faz muito exercício. É como ir ao ginásio e trabalhar os músculos. Bem, lá seguimos nós com o nosso Clio para a casa dos pais do Oscar. Durante o caminho ainda vimos um lindo amanhecer. Aí conhecemos o pai do Oscar, o Sr. Quevedo, Oscar Quevedo. Com o seu jipe e outro pessoal da Roménia e Bulgária fomos para a vinha. Era um lugar rochoso, apertado e com caminhos sinuosos. Gostámos muito da vista. Ao princípio, cerca das 7.30, estava fresco nos valados mais altos. Mas depois, quando o sol subiu e os raios começaram a fazer o seu trabalho, tornou-se, de um momento para o outro muito quente.

Foi um grande momento quando apanhámos as primeiras uvas. Era aquilo que tínhamos vindo. Apanhar uvas, a vindima na Quevedo. Deu-nos energia extra. Foi também muito interessante trabalhar com pessoas estrangeiras. O objectivo deles era bem diferente do nosso. Dois mundos separados. Fez-me pensar nas diferenças no mundo também. Temos muita sorte no estilo de vida que temos aqui na Holanda e na maneira como pudemos visitar Portugal do modo que o fizemos.

A parte mais engraçada é que quando o Eugène começou a cortar o primeiro cacho de uvas, cortou o dedo, começando a sangrar. Parecia mas não era líquido das uvas, era sangue de verdade. Envolvi o dedo dele numa compressa artesanal e teve de contentar-se com isso porque ninguém levava pensos rápidos. Durante a tarde aconteceu-me a mim… Por sorte foi a última vez que nos cortámos porque à tarde decidimos comprar luvas de jardinagem numa loja em S. João da Pesqueira. Gostei tanto das luvas e das tesouras que comprei uns pares para trazer para a Holanda, para os meus amigos e para mim. Às 9.30 fizemos uma pausa de meia-hora. Os Oscares pai e filho levaram-nos até à vila onde nos serviram uma chávena de café e pastelaria deliciosa. Portugal é famoso pela sua pastelaria! Pude agora confirmar que é verdade! De regresso à vinha começámos a segunda parte do dia a apanhar uvas. Quando uma parcela terminou, o Oscar levou-nos para outro lado da quinta; era realmente montanhoso; de vez em quando um buraco. De repente ficamos presos e o jipe quase se virou. Por sorte uns homens fortes e valentes voltaram a meter o carro em quatro rodas.

Entre as 13h – 14h almoçámos e depois do almoço fizemos uma grande sesta no cimo da quinta. Entre as 14h – 17h fizemos a última etapa de vindima do dia. Quando terminámos às 17h, era hora dos vindimadores irem para casa descansar e preparar-se para o próximo dia, mas para a família Quevedo era diferente; a parte mais importante do trabalho estava a começar sem sinais de hora para terminar. Até durante a noite havia que controlar a fermentação para finalmente se fazer autêntico Vinho do Porto e Douro.

As mais fantásticas coisas serão feitas aqui, na adega pela Cláudia. Claro que não haveria Vinho do Porto sem o trabalho conjunto do Oscar júnior e sénior. E sempre sem esquecer a mãe que sem se ver organiza as coisas na família.

Agora dizemos obrigado pelo maravilhoso tempo que passámos convosco, pela vossa hospitalidade e simpatia. Adorámos apanhar uvas e ainda mais beber o Vinho do Porto. Na Holanda o Porto Quevedo está à distância de um pequeno passeio de nossa casa. Assim, estamos sempre próximos do Porto Quevedo e podemos manter a memória fresca desta fantástica experiência que passámos com a família Quevedo no Douro.

Monique de Jager