Que comece a vindima 2012 no Douro
Chegou aquela época do ano. Está na hora de começar a vindima, aquele perÃodo de 5 ou 6 semanas para o qual trabalhamos durante todo o ano. Começamos a estar nervosos, e a sentir a pressão do ver testado o trabalho desenvolvido durante os onze meses anteriores. E tudo começa amanhã, dia 17 de Setembro. Primeiro vamos cortar as uvas brancas, e alguns dias depois,  começa a vindima das uvas tintas na Quinta das Mós, bem no centro do Douro Superior.
Como é que vejo esta vindima? Em termos de quantidade, e ainda que seja muito difÃcil fazer uma estimativa próxima da realidade devido à variabilidade de cada parcela, diria que em linha com a média. Mas se não é fácil dar uma indicação em termos de volumes, estou ainda mais confundido com a qualidade. Não faço ideia, ainda que creio que não será nem fantástica nem horrÃvel (a não ser que comece a chover sem parar durante as próximas duas semanas). Talvez em termos de qualidade seja também em linha com a média.
A maturação está cerca de duas semanas atrasada, dado que tanto a floração como o pintor chegaram tarde. A maturação fenólica está um pouco mais atrasada que a alcoólica, o que quer dizer que as uvas vão apresentar um álcool potencial mais alto quando atingirem o ponto ideal de maturação (se é que isso existe). As uvas tintas vão começar a ser vindimadas 14 dias mais tarde este ano, quando comparado com o inicio da vindima no ano passado. As uvas brancas não estão tão atrasadas para a vindima, dada a importância de manter a acidez, antes que desapareça rapidamente.
É hora de aproveitar as últimas horas de tempo livre das próximas 6 semanas!
Oscar
Quais as palavras usadas na produção de Vinho do Porto
Na sua primeira visita à nossa adega, em Julho de 2012, Christopher Pfaff, um alemão apaixonado por Vinho do Porto que gere o site Passion Portwein, pediu para fazermos um video em que eu explicava as palavras portugueses utilizadas na produção de Vinho do Porto. Estão na sua maioria relacionadas com castas e envelhecimentos. Apesar disso, ainda há uma ou outra que talvez nunca tenha ouvido. Veja o vÃdeo e se ainda houver alguma palavra que não saiba como pronunciar, avise-nos que eu sugiro ao Christopher para incluir num próximo video.
Até breve,
Oscar
Sangria com bolhas de Quevedo Rose Port
O que vai ler de seguida é provavelmente a melhor receita de sempre de um cocktail de Porto Rosé. A primeira e única vez que provei este cocktails foi em Salt Lake City há duas semanas atrás, numa tarde quente de verão, mesmo antes de começar o que creio que foi a primeira prova de Vinho do Porto, com presença do produtor, em Utah. Por certo, este estado que quase nunca está muito à mão, localizado no oeste dos EUA, é uma bela região, com paisagens espectaculares, e mais importante, gente boa. Coloque na sua lista de lugares a visitar da próxima vez que for aos EUA.
E agora vem a receita para 3 bebidas; a acrescentar ao misturador:
- 130 ml de Quevedo Rose Port
- 22ml de mel de agave
- 6 pitadas de aromatizante amargo
- noz-moscada ralada
- cubos de gelo
- acrescente CO2 – esta é a parte difÃcil, eu não tenho um sistema para carbonatar cocktails, e provavelmente, aà em casa também não há, use talvez água com gás
no copo:
- espremer uma casca de limão
- acrescentar o conteúdo do cocktail
Provado e aprovado pelo nosso importador nos EUA Peter e Michael Grisley, da P. R. Grisley, que organizou um grande jantar prova de Vinho do Porto nessa noite.
Tente em casa, mesmo que não tenho possibilidade de adicionar o CO2, e deixe ficar os seus comentários. Outros cocktails de Porto Rose disponiveis em C. da Silva – Porto Dalva.
Oscar
Como é que os génios provam vinho
A coisa mais interessante na Conferência de Wine Bloggers é conhecer pessoas. É essa a razão que me leva a participar neste encontro nos EUA, e que este ano se realizou na cidade de Portland, estado de Oregon, na costa oeste. Foi uma longa viagem, com oito horas de diferença de fuso horário, e que no meu caso significa vários dias para ajustar os sonos.
Este ano a conferência contou com mais de 370 participantes, na sua grande maioria americanos. Eram muitas as caras novas, mas havia outros que já são veteranos. E apesar de serem as pessoas que me levam a participar neste evento, não é delas que vou falar aqui hoje. Prefiro focar-me numa das sessões, que apresentou um tema para o qual nunca me tinha debruçado: a neurociência da prova de vinhos. O que é isso? Neurociência, diz o dicionário, é a “Ciência ou conjunto que estuda o sistema nervoso”. Creio que podemos concluir que a neurociência da prova de vinhos é o estudo do comportamento do nosso sistema nervoso numa prova de vinhos. Tim Gaiser apresentou um estudo absorvente sobre a neurociência da prova de vinhos, que se apresenta acima. Analisando a apresentação, especialmente depois da página 40, que é quando as conclusões começam a aparecer, podemos perceber melhor como é que o cérebro reage aos diferentes impulsos da prova. É uma longa apresentação que vale a pena analisar. Por exemplo, pegue num copo de vinho; leve-o ao nariz e pense nos aromas que encontra no vinho; escreva-os; enquanto está a pensar nestes aromas, não importa se são frutos, especiarias ou outra coisa qualquer, o seu cérebro está a construir imagens para cada uma delas. Agora pense naquele que sente com mais intensidade (vamos chamar-lhe morango); rode os olhos o máximo para cima e imagine o morango, aumente-o muito de tamanho, tão grande quanto possÃvel. Mantenha o copo perto do nariz; não é mais intenso o aroma a morango?
Talvez tenha encontrado aqui uma maneira fácil de convencer os seus amigos a encontrar os mesmos aromas que sente durante uma prova de vinhos. Mas, como o Doug Frost refere, “Alterar qualquer aspecto estrutural das imagens, sejam elas frutos ou palavras, torna a experiência artificial e irreal”. E, acrescento o meu humilde comentário, quanto maior for o morango, mais pequeno vai parecer tudo o resto, e menos complexo parecerá o vinho.
Deixe os seus comentários depois de fazer esta experiência. Esta pode fazer em casa, em segurança.
Oscar
Vindima 2012: primeiro controlo de maturação
Como se de um ritual se tratasse, levamos a cabo o primeiro control de maturação à s uvas da Quinta Vale d’Agodinho no dia 10 de Agosto. Este ano não foi diferente, e ainda que este artigo chegue com alguns dias de atraso, creio que não deixa de ser interessante analisar os resultados.
2007 10.49%, 19 Setembro
2009 11.86%, 14 Setembro
2010 10.05%, 18 Setembro
2011 12.07%, 12 Setembro
2012 9.13%, ?
Já falámos sobre isto antes, e é sem surpresas que constatamos que a maturação das uvas está atrasada. No mesmo dia do ano passado, por exemplo, o nÃvel médio de açúcar das uvas era 3 p.p acima deste ano. É assim de esperar que a vindima inicie mais tarde, o que é um ponto favorável. Uma vez que a vindima deverá iniciar para finais do mês de Setembro, as temperaturas deverão ser mais baixas, o que facilita a vida aos vindimadores e trará uvas mais frescas à entrada da adega.
O que é estranho neste ano, e confuso para videiras e humanos, é o tempo. Muito difÃcil de prever. Inverno seco e quente, primavera fria, seguia de um inÃcio de verão muito quente, mas que depois trouxe grandes variações de temperatura, oscilando entre os 14º C e os 45ºC nas últimas oito semanas. Na semana passada vieram cerca de 10mm de chuva, que nesta altura só se agradecem já que trazem um pouco de água aos secos solo do Douro. Mas sinceramente, não sei o que esperar desta vindima.
Oscar
As mais recentes notÃcias (pouco encorajadoras) do Douro
As coisas não estão a correr como desejado pelo Douro. Depois de um inverno muito seco e de uma molhada e ventosa floração, agora, em pleno verão, foi a hora do granizo. Até agora houve duas trovoadas que deixaram marcas. A primeira foi na quarta-feira da semana passada, na área de Sabrosa. Depois, na sexta-feira, próximo de Horta do Douro, a sudeste do vale do Douro. A trovoada de quarta-feira, à volta de Sabrosa, foi muito forte, destruindo não só as uvas mas também as varas da videira, o que poderá afetar a planta por um perÃodo mais longo de tempo, o qual vai requerer uma atenção especial durante a poda. Também as uvas que ficaram nas videiras estão danificadas na maioria dos casos e podem não atingir a maturação completa.
Mas este é só o mais recente capÃtulo de uma temporada que nunca esteve nos carris. Estamos ainda muito longe dos nÃveis de pluviosidade esperados para o Douro. Na verdade, entre Outubro de 2011 e Julho de 2012, a precipitação ficou abaixo dos 50% habituais. O que é que isto quer dizer numa das mais secas (especialmente o Douro Superior que conta com 1/3 da pluviosidade do Baixo-Corgo) regiões vÃnicas na Terra? Um tempo conturbado para as videiras. As temperaturas têm oscilado entre os 20º C e muitos e os 40º C e poucos, com temperaturas durante a noite a não descerem dos 18º C. O nÃvel de água no solo é baixo e as videiras, em alguns casos, não têm humidade suficiente nas raÃzes para levarem a cabo a maturação. Deste modo, as videiras poderão abandonar a maturação da uva para proteger a sua própria vida. A somar a isto está um par de vagas de calor, nos finais de Junho e meados de Julho que queimaram a pele das uvas. Passados uns dias, os bagos mais expostos ao sol estavam secos. Surpreendentemente, isto aconteceu não só nas zonas mais quentes junto ao rio, mas também em zonas de maior altitude, mais frescas e protegidas.
Ainda é um pouco cedo para falar da produção total no Douro, e eu não sou bom nisto, mas uma queda de 10% na produção total de uvas não deve andar longe da realidade. A produção de Vinho do Porto vai aumentar para 96.500 pipas de 550 litros, o que representa um aumento de cerca de 13.5% em relação ao ano de 2011. Ou seja, veremos a produção de Vinho do Douro diminuir.
Se está a pensar ter uma criança em 2012, talvez não consiga encontrar uma garrafa de um Vinho do Porto de topo para recordar a data. E talvez já seja tarde para atrasar o nascimento para 2013. Também aqui não há muito a fazer.
Algumas palavras sobre a foto acima. O pintor está agora a terminar nas partes mais quente do Douro, 15-20 dias mais tarde do que o habitual. Isto quererá dizer que a maioria das vindimas no Douro começará na terceira semana de setembro. As uvas brancas para vinhos de mesa deverão começar como de costume, em finais de Agosto.
Deixe os seus comentários, certamente que há por aà alguma pergunta a fazer!
Oscar
Prova de Vinhos do Porto OlÃmpicos em Londres
O inÃcio dos Jogos OlÃmpicos de 2012 foi a desculpa perfeita para a organização de uma prova de Vinhos do Porto olÃmpicos. Sem dúvida que a cidade anfitriã dos Jogos era também o sitio certo para realizar esta prova. E seria difÃcil imaginar um sitio melhor para albergar a prova do que a própria embaixada portuguesa. Ali fomos nós, a 25 de Julho, por convite do Sr. Embaixador português João de Vallera, que gentilmente cedeu o espaço. Tanto o The Port Forum como o The Port Society, especialmente Tom Archer e Ray Cook, organizaram com todos os detalhes este evento, que contou com um contributo do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto. Esta é a lista de Vinhos do Porto a prova:
- 1948 Martinez;
- 1952 Niepoort Colheita;
- 1956 Niepoort Experimental;
- 1960 Croft;
- 1964 Graham Malvedos;
- 1968 Fonseca Guimaraens;
- 1972 Offley Boa Vista;
- 1976 Taylor Quinta de Vargellas;
- 1980 Dow;
- 1984 Warre Quinta da Cavadinha;
- 1988 Quinta de la Rosa;
- 1992 Burmester;
- 1996 Quinta do Vesuvio;
- 2000 Delaforce;
- 2004 Cockburn Quinta dos Canais;
- 2008 Quevedo Quevedo Quinta Vale D’Agodinho;
Nem todos os Vinhos do Porto a prova se apresentaram bem. Seria difÃcil, já que alguns dos anos em que os Jogos OlÃmpicos foram celebrados foram muito difÃceis para a produção de Vinho do Porto, como é o caso de 1956, 1972 ou 1988. E é aqui que a parte interessante começa. Inspirado pelo ano de nascimento da minha irmã, Cláudia, o meu Porto da noite foi um Quinta de Vargellas 1976. Preciso de encontrar algumas garrafas para lhe oferecer, talvez já para o aniversário dela a 31 de Agosto.
Cada vez que um Vinho do Porto era servido, Tom Archer fazia uma breve apresentação sobre o clima e condições de vindima, e também sobre a performance portuguesa nos Jogos OlÃmpicos. Grande ideia Tom, informação relevante! Aqui fica um video sobre o ano de 2008. Mas a melhor parte da noite foi quando o Bispo de Norwich explicou a história que hoje em dia ainda se usa, quando à mesa, alguém não passa a garrafa de Vinho do Porto. Um vÃdeo a publicar em breve. Mais fotos da prova aqui.
Oscar
Desponta das videiras para melhorar rendimento
Nesta altura do ano, por meados de Julho, algumas semanas depois da floração das uvas ter ocorrido, cortamos as pontas das videiras, enviando a mensagem à videira para deixar de crescer as varas e para se concentrar nas uvas. Deste modo vamos melhorar a qualidade das uvas produzidas. Em vez de enviar energia para o crescimento de varas mais longas, a videira vai focar-se em amadurecer melhores uvas. Não haverá uma quantidade maior de uvas como resultado desta ação, serão as mesmas, é só uma questão de ajudar a videira a perceber em que é importante trabalhar.
Para melhor perceber este ponto, fica aqui um vÃdeo. O resultando final é bonito, a vinha fica a parecer um conjunto de muros verdes e tremendamente compactos, cuidadosamente aparados e que nos mostram as videiras na parte mais baixa. Na próximas semanas chegará o pintos, ou seja a mudança de cor dos bagos de verde para preto. Fique por aÃ.
Oscar
Vaga de calor queima bagos expostos ao sol
As consequências da vaga de calor de três dias que se verificou no inicio da semana passada não são agradáveis para as videiras. O perÃodo mais quente foi entre a segunda-feira 25 e a quinta-feira 28, com as temperaturas a subirem até aos 48º C ao meio dia, e durante a noite, a não baixarem dos 25ºC. Nalgumas partes do Douro, como no Douro Superior, mas não só, o sol era tão quente que acabou por queimar as uvas que estavam expostas ao sol. Se ao menos houvesse uma folha a tapar… O efeito foi potenciado naquelas vinhas que tinham sido pulverizadas com um composto à base de enxofre para combater o oÃdio.
A fotografia mostra alguns bagos verdes, os que estavam protegidos do sol, enquanto que outros estão secos. Os bagos secos/ queimados não voltarão a recuperar e terão este aspecto até à vindima. Isto significa mais trabalho na mesa de escolha para remover os bagos secos, que de outra maneira dariam um gosto seco ao vinho.
A vaga de calor terminou. Talvez tenha sido só um aviso de que o Verão estava a começar e qualquer coisa pode ser esperada. As temperaturas estão agora mais baixas, com os termómetros nos 12ºC às 8.30 da manhã e que deverão subir até aos 25ºC lá para o meio do dia.
Oscar
Porto Crusted – a próxima experiência da Quevedo
Se tivesse perguntado ao meu avô, há uns cinco anos atrás, se produzimos Porto Crusted, ele teria respondido com um “O que é isso?”. Talvez seja também essa a sua reacção quando houve falar de Porto Crusted. Então vamos lá clarificar o que é que é Porto Crusted: é um vinho de elevada qualidade, sujeito a criar depósito em garrafa, que tenha sido envelhecido em garrafa durante um período mínimo de três anos, só podendo ser comercializado após este período e devendo o rótulo mencionar, para além das menção Crusted, o ano do engarrafamento.
E adivinhe lá, não é que vamos mesmo fazer um Porto Crusted! Se as minhas pesquisas não estão erradas, parece que vamos ser a primeira família portuguesa produtora de Vinho do Porto a ter um Porto Crusted. Corrija-me por favor se estiver errado. Outros produtores de Porto Crusted são: Churchill, Dow, Fonseca, Graham e Niepoort.
Planeamos fazer apenas 1.500 garrafas, a qual será uma edição muito pequena com uma grande período de espera, uma vez que depois de o engarrafarmos nas próximas semanas teremos de o deixar em garrafa durante três anos e só depois estará pronto para começar a ser vendido. Eu sei, ninguém gosta de esperar tanto tempo, mas sem estes meses de garrafa a crosta não se desenvolveria e nós não queremos um Porto Crusted sem crosta!
Oscar








