Desenvolvimento de fungos dentro de uma garrafa partida de LBV 2003

Residue left on a bottle of Quevedo LBV 2003 - 3 years of evaporationAlguém imagina o que que a fotografia mostra? É uma das coisas mais interessantes que aprendi nas últimas semanas. Passo a explicar de onde é que isto vem. Estávamos a preparar duas paletes de LBV 2003 das quatro que temos para enviar para a Dinamarca quando vi uma mancha lilás na parte lateral de uma das paletes, que sujava uma dúzia de caixas. A primeira coisa que me veio à cabeça foi que uma garrafa tinha partido há algum tempo e que derramou Vinho do Porto sobre as caixas que se encontravam por baixo.

Passámos todas as caixas limpas para outra palete e finalmente encontrávamos a caixa responsável por esta trabalho extra. Dentro da caixa havia 5 garrafas em perfeitas condições e uma garrafa partida, como esperado. Mas surpreendentemente, a garrafa não estava partida pelo fundo mas pelos ombros. A parte que estava acima do anel de ruptura derramou-se, mas o resto ficou no vidro durante alguns meses. Com o tempo o vinho foi evaporando e foi-se desenvolvendo este novelo de fungos que vêm na fotografia. Guardei a garrafa em causa para vos mostrar quando nos visitarem!

As garrafas partidas também nos dão algumas lições!

Oscar

Prémios para os vinhos da Quevedo? Como dissemos antes, preferimos que sejam provados por si!

International Wine Challenge 2010Os nossos leitores sabem que nós, aqui no nosso canto, gostamos muito de ouvir o que pensam dos nossos vinhos. Tanto que muitas vezes não nos preocupamos com o que a imprensa diz. De qualquer modo, e para o manter informado sobre o que passa à volta dos nossos vinhos, deve dizer-lhe que os dois Vinhos do Porto que lançámos nos últimos meses foram premiados no International Wine Challenge. O Quevedo Vintage 2007 recebeu uma medalha de prata enquanto que ao Quevedo Colheita 1996 foi-lhe atribuído uma medalha de bronze. Se quiser ver que outros vinhos foram premiados vá a International Wine Challenge Awards 2010.

E já sabe, se tem alguma coisa a dizer sobre os nossos vinhos, diga-o agora, ou…. sempre que quiser!

Oscar

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Prova de Vintage 1960 em Londres - a primeira boa colheita dos fantásticos anos 60

DSCN0395Há duas semanas atrás participei numa daquelas provas de Vinho do Porto com que sonhava há já muito tempo. Com a desculpa que Tom Archer, um entusiasta de Vinho do Porto do Reino Unido, fazia 50 anos em Maio de 2010, os membros do The Port Forum organizaram uma prova de Vintage 1960, o ano de nascimento do Tom. Na mesa havia 14 garrafas, para partilhar entre 13 pessoas. Esta era de facto uma boa oportunidade de provar alguns vinhos raros em porções bem generosas.

Pela primeira vez provei um Porto da Quinta do Rei, propriedade actual da Messias, a qual está localizada em frente à nossa Quinta Vale d’Agodinho. A Quinta do Rei é contígua à Quinta do Cachão e foi adquirida em 1958 à Gonzalez Byass. Posteriormente a família Messias incorporou a Quinta do Rei na Quinta do Cachão e não voltou a engarrafa Vinho do Porto com marca Quinta do Rei, tornando esta garrafa ainda mais rara. Apesar do Quinta do Rei ter sido uma surpresa bem agradável, para mim as estrelas da prova foram o Croft, Noval, Dow’s e Delaforce. O Croft e Delaforce mostraram-se elegantes e delicados enquanto que o Noval e Dow’s apresentaram bom corpo e estrutura.

No final da prova alguns dos presentes disseram que o Vintage 1960, em geral, não valia o preço pago (cerca de 120 eur garrafa). Talvez seja verdade, mas por outro lado, ainda que algumas garrafas não se tenham mostrado bem, outras valeram todos os cêntimos pagos por elas.

Oscar

Quevedo nomeado para Melhor Blog de um Produtor de Vinho

WBA- Finalist Best WineryCaros leitores do nosso blog, chegou a hora de julgarmos. Desta vez não é pela prova dos nossos vinhos, mas porque fomos nomeados para Melhor Blog de um Produtor de Vinho pelo Wine Blog Awards. Foi uma surpresa para mim, nunca pensei que um produtor de Vinho do Porto duma região remota do norte de Portugal pudesse atrair visibilidade para tal nomeação.

É o momento de dizer o que pensa sobre o nosso blog. E só tem até ao dia 30 de Maio para votar. Por isso entre na votação clicando neste link e participe!

Agora vou buscar uma boa garrafa à garrafeira, sim, também celebro nomeações!!!!

Oscar

Um copo de vinho numa bolsa; é isto que o consumidor moderno quer?

Wine in one glass tube, is this the way to go?Esta é uma foto fácil, que não precisa de muita explicação. Na semana passada, enquanto estávamos a expor os nossos vinhos na LIWF, em Londres, um amigo veio até ao nosso stand e mostrou-me esta embalagem. Inicialmente achei uma grande ideia, tornando o consumo de vinho mais fácil. O consumidor pode facilmente levar esta bolsa para qualquer parte, até a bordo de um avião. Mas depois de reflectir durante alguns dias, pergunto-me agora: em que circunstâncias é que abriria a bolsa? Num restaurante ou na casa de um amigo? No escritório ou na viagem de férias? Hummm, não, acho que não o faria. Na verdade, não sei quando abriria esta bolsa de um copo de Sangiovese…. talvez em casa, se estivesse sozinho!

Alguém pode ajudar e partilhar sugestões?
Oscar

Trasfegas de Vinho do Porto velho; o que é que está errado na foto?

Empty balseiro of Colheita Port

Acertou, a tampa dianteira deste balseiro de 14.000 litros está aberta. Não é com muita frequência que trasfegamos os nossos vinhos mais velhos. Este é o balseiro onde o nosso Colheita 1994 envelheceu durante muitos anos. Chegou a hora de ir para vasilhas mais pequenas.  O vinho vai envelhecer agora em pipas de 605 a 615 litros, algumas delas mais velhas que qualquer um de nós, enquanto outras têm cerca de 10 anos.

Porque é que decidimos mudar este vinho? Durante o envelhecimento em balseiros, o Vinho do Porto tem pouco contacto com a madeira, uma vez que a área de contacto por volume é muito reduzido. Mas se mudarmos para pipos, o Porto vai ter mais influência do carvalho. Os aromas a fruta conservam-se durante mais tempo com envelhecimento em recipientes maiores. Mas os pipos vão ajudar o vinho a obter elegância, aromas a frutos secos e às vezes chocolate. Este é o caminho que a minha irmã Cláudia e eu achamos que o Colheita 1994 deve seguir.

Inside of a Port Wine balseiro Por outro lado, o Colheita 1996, que estava a envelhecer nas pipas para onde o 1994 agora vai, atingiu um nível de equilíbrio entre fruta e oxidação que queremos preservar. É então altura adequada para envelhecer no balseiro. Engarrafámos 3.000 litros de Colheita 1996 há umas semanas, enquanto que pusemos à parte 2.800 litros de 1994 para engarrafar durante as próximas semanas. Não há mais engarrafamentos destes vinhos planeados para os próximos 12 meses. Estas garrafas têm de chegar para todos nós!

Oscar

Conclusões de uma experiência com Vinho do Porto monovarietal

Quevedo gift package

Todos sabemos que a alma do Vinho do Porto está nos lotes, na diversidade: diferentes vinhas, pipos, colheitas e, claro, castas. Tudo isto pelo objectivo de ter um lote mais complexo e harmonioso. Desde há muito tempo que as vinhas do Douro estão plantadas com diferentes castas, algumas bem conhecidas, outras discretamente presentes. No total há mais de 80 variedades de uva.

Na última vindima desafiei a minha irmã Cláudia para fazermos Vinhos do Porto monovarietais com as 5 castas que temos plantadas por talhões. Quatro dessas castas provêm da Quinta da Trovisca - Touriga Nacional, Touriga Franca, Sousão e Tinta Roriz - enquanto que o Tinto Cão está plantado ao longo de um socalco na Quinta Vale d’Agodinho. Com a ajuda dos meus amigos da Faculdade dedicámos um fim-de-semana à vindima e pisa destas uvas.

Agora é tempo de avaliar a experiência e retirar algumas conclusões:

1ª - 9 meses não é nada na hora de avaliar um Vinho do Porto; qualquer conclusão retirada agora está sujeita a revisão
2ª - A casta Tinto Cão é como uma Senhora, gosta de se vestir de forma elegante com vestidos alusivos a flores, mas pode apanhar uma constipação com qualquer brisa de oxigénio
3ª - A Touriga Franca é uma jogadora de equipa, sozinha não se destaca, mas com um pequena colaboração de outros jogadores organiza e retira o melhor de todo o grupo
4ª - O Sousão é como um boa amigo que temos à distância mas que temos a certeza que sempre nos acompanhará durante a nossa vida; nem sempre está presente, mas aparece quando precisamos dele
5ª - A Tinta Roriz é como a nossa mãe, dá-nos um pouco de tudo do que precisamos
6ª - A Touriga Nacional é como a cereja no cimo do bolo; a massa pode ser excelente, mas a cereja torna-o especial
7ª - Nenhuma destas castas é suficientemente boa para jogar sozinha; mas com alguma inspiração podemos fazer uma boa orquestra, que dentro de alguns anos pode dar um grande espectáculo
8ª - Fazer lotes é divertido e aprendes muito, a sério…

Vem visitar-nos e faz o teu lote!

Oscar

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Vinhos tintos de 2009 apresentam muito sedimento

Empty bin of Oscar's wine 2009Antes que me faça a pergunta, passo a explicar o que a foto mostra: este é o fundo de um depósito de 10.000 litros onde uma parte do Oscar’s 2009 está a descansar. A estagiar aqui desde Novembro, este vinho foi criando uma camada compacta de sedimento, que este ano é especialmente maior por duas razões: Invermo muito rigoroso e elevado nível de antocianas (substâncias responsáveis pela cor) presente nas uvas da vindima passada.

Empty bin of Quevedo Rose Port É interessante comparar esta foto, de um vinho maduro tinto, com uma outra de um Porto Rosé, onde o fundo do depóstio está coberto por uma camada muito mais fina e de cor rosada. Diferentes níveis de extracção levam a diferentes tipos de sedimento!

Oscar

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Quevedo começa finalmente a exportar para os EUA

Este é uma passo grande para um pequeno produtor do Douro. Poucas semanas depois de começar este blog, em Julho de 2008, defini como dois dos nossos objectivos prioritários, encontrar um importador para os nossos vinhos no Reino Unido e outro nos Estados Unidos. Em Novembro passado começámos a trabalhar com um importador no Reino Unido: Wine Fantastic. E em Abril de 2010 vai para os EUA a primeira palete. P.R. Grisley parece acreditar nos nossos vinhos e vai levar seis referências: Oscar’s 2008, Porto Branco, Special Reserve Tawny, LBV 2003, Colheita 1996 e Vintage 2007. Alguns destes vinhos vão para o catálogo da rede de lojas do Estado da Pensilvânia, PLCB. Os outros, por agora, vão estar disponíveis numa oferta especial que o fórum de Vinho do Porto For the Love of Port fará para os seus subscritores.

Mas falaremos disso mais tarde, agora é tempo de celebrar e abrir uma garrafa especial da adega. É um sonho que se realiza!

O erro de promover a Touriga Nacional como casta-bandeira de Portugal

wines-of-portugal O erro de promover a Touriga Nacional como casta-bandeira de PortugalA Viniportugal seleccionou recentemente a Touriga Nacional como casta-bandeira dos vinhos de Portugal. Parece que a ideia é seguir os mesmos passos adoptados pela Espanha e Argentina, países que seleccionaram o Tempranillo (conhecida no Douro como Tinta Roriz) e o Malbec. Não surpreendentemente, estas duas castas são as mais plantadas na principais regiões vitivinícolas destes países: o Tempranillo representa mais de 60% das vinhas da Rioja, a mais conhecida região de Espanha e com uma quota das exportações espanholas de vinho superior a 40%; e em Mendoza, a mais importante região da Argentina, responsável por 84% das exportações de vinho, o Malbec representa 40% das vinhas.

No entanto, a Touriga Nacional tem actualmente uma presença mais discreta nas vinhas portuguesas; representa cerca de 4% das vinhas do Douro, 3% do Alentejo e menos de 1% do Minho. Estas três regiões em conjunto são responsáveis por mais de 50% da produção nacional de vinho.

Surgiu-me então a seguinte questão: deve uma região ser identificada por uma casta? Veja o caso de Bordéus. Ou será que devemos ter outra casta que represente Portugal? E se fosse uma casta branca? Uma vez mais, não seria melhor esquecer toda esta campanha de marketing de promoção de uma única casta?Touriga Nacional vine from Quinta da Trovisca

Se queremos preservar os extensos e diversos vinhedos de Portugal, temos então de preservar as nossas numerosas castas autóctones. Assim, num esforço de ajuda à diversidades, vou publicar uma serie de artigos durante os próximos meses sobre as mais importantes castas de Portugal. Por onde devo começar? Os comentários estão abertos.

Oscar

P.S. Discussão muito interessante que vale a pena ver no Mark Squires’ Bulletin Boar on eRobertParker.com