Vindima de 2013 no Douro – hora de esmagar as uvas

A vindima já está a decorrer. Esperámos durante algum tempo até estarmos certos de que as uvas estavam em perfeitas condições para ser vindimadas. E finalmente começámos a colher as uvas tintas da nossa mais importante propriedade, a Quinta Vale d’Agodinho.

Na altura em que escrevo, terça-feira ao meio dia, o tempo, que se tinha mantido limpo e quente nas últimas semanas, está agora nublado. As temperaturas começaram a descer durante esta noite e a previsão é de chuva para os próximos dias. Infelizmente, não será só um chuvisco, parece que vamos ter um período de mais de um dia de chuva.

Caso o vento não consiga secar as videiras, as uvas poderão ficar em condições precárias, o que poderá conduzir a podridão.

Mas as boas notícias é que as uvas que estão a chegar neste momento estão lindas, e tiveram um período longo e lento de maturação, que é uma coisa que sempre se deseja mas raramente acontece. Quem sabe se não sairá um single quinta Vintage deste ano…

Oscar

Vindima 2013: para quando o inicio?

A vindima de 2013 está a revelar-se bem interessante. Depois de muitas semanas com muito pouca chuva, os longos chuviscos que caíram sobre o Douro no fim-de-semana passado alteraram ligeiramente as expectativas para esta vindima? Se até ao final de Agosto estávamos à espera de uma vindima, em termos de qualidade, dentro da média (ou até talvez um bocadinho abaixo), esta chuva, que veio ajudar as videiras e as uvas a reidratar, está a aumentar as expectativas para uma boa vindima.

A questão agora é tomar a decisão de quando começar a vindimar as uvas para Vinho do Porto. As uvas brancas para vinho maduro já foram quase todas vindimadas por todo o Douro. As uvas tintas para vinhos maduros começam agora a ser vindimadas por aqueles produtores que procuram frescura e elegância nos vinhos (os que preferem aromas mais maduros e concentrados vão ainda esperar mais alguns dias).

E no caso do Vinho do Porto, as uvas apresentam já um nível de álcool potencial (açúcar que se encontra nas uvas), nesta altura, superior ao valores do ano passado. No entanto, a maturação fenólica ainda não está terminada e mais uns dias devem ajudar a melhorar a qualidade das uvas.

Diga-se que podemos esperar pela melhor altura para vindimar porque o tempo tem estado limpo e soalheiro. Se as previsões fossem de chuva para os próximos dias, mais gente estaria a vindimar. Mas o tempo ajuda e por isso vale a pena esperar. Estimamos começar a vindima na segunda-feira da próxima semana, a 23 de Setembro com uma pequena equipa de vindimadores já que não há pressa de trazer tudo imediatamente para a adega. As uvas estão a melhorar a cada dia e ainda podemos salvar a vindima de 2013.

Oscar

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Port Wine Fest – é hora de celebrar o Vinho do Porto

O dia 4 de Setembro marca o início da segunda edição do Port Wine Fest. Dedicado a comemorar e promover o Vinho do Porto, o Port Wine Fest realiza-se de 4 a 8 de Setembro de 2013 em Vila Nova de Gaia, terra que se estende na margem esquerda do Douro, em frente à cidade que dá o nome ao vinho, o Porto. Vila Nova de Gaia é conhecida por ser o lugar onde historicamente o Vinho do Porto envelhece. Nos dias de hoje, ainda podemos visitar mais de uma dúzia de casas que envelhecem o Vinho do Porto nesta área da cidade, localizada a mais de 60 kms a oeste do Douro.

O Port Wine Fest terá lugar na zona do cais de Vila Nova de Gaia, e será uma excelente oportunidade para os apaixonados do Vinho do Porto provarem o recentemente declarado Vintage 2011. Alguma dezenas de produtores estarão lá para partilhar opiniões e ideias e para converter mais alguns para o mundo do Vinho do Porto.

Para além de Vinho do Porto, os visitantes vão ter a oportunidade de provar pratos preparados por reconhecidos Chefs, participar em seminários sobre Vinho do Porto e o Douro e ainda poder escutar os produtores a provar e comentar os vinhos feitos por eles. Na verdade, creio que o melhor é que consulte o programa completo do Port Wine Fest.

E se depois de visitar o festival ainda tiver espaço para mais um pouco de Vinho do Porto, venha à cave Quevedo, na Rua de Santa Marinha 77, a 200 metros do festival onde poderá ouvir fado enquanto prova um último copo de Vinho do Porto.

Vemo-nos lá,

Oscar

Vindima 2013: primeiro controlo de maturação

Agora que já entrámos na segunda metade de Agosto e que quase todos em Portugal estamos a voltar de férias, as uvas no Douro aproximam-se da etapa final de crescimento. Enquanto que nas áreas mais altas algumas uvas ainda estão a terminar o pintor, nas áreas mais próximas do rio as uvas tintas já fazem jus ao nome.

Fizemos o primeiro controlo de maturação, como habitual, a 10 de Agosto, e os resultados foram de certo modo surpreendentes. Contrariamente ao que esperávamos, o nível de açúcar está já a chegar aos 11%, quando estamos a 4-6 semanas antes da vindima. É plausível esperar uma nível de álcool potencial mais alto para as uvas desta vindima. A grainha começa agora a mudar de cor verde para cinzento/ castanho enquanto que as vides endurecem e ganham tons de castanho claro. É difícil de prever uma data para o início da vindima, mas estimaria que por volta do dia 18 de Setembro deveremos estar a vindimar na Quinta Vale d’Agodinho. Ficam aqui os valores para o nível de álcool potencial a dia 10 de Agosto dos anos referidos, na Quinta vale d’Agodinho; vindima começou no dia indicado.

Um dos pontos que não é tão bom nesta altura relativo à maturação é o fato de dentro do mesmo cacho, diferentes bagos apresentarem diferentes níveis de maturação. É um sinal de baixa homogeneidade das uvas. Por outro lado, os níveis de pluviosidade foram muito baixos e insuficientes nas últimas semanas/ meses o que torna ainda mais difícil à videira levar a cabo a maturação da uva. As temperaturas por volta da hora do meio dia andam entre os 34-38ºC e se continuamos assim durante mais algumas semanas, sem chuva, então é possível que a videira pare e suspenda a maturação da uva. Se isto acontecer, a videira proteger-se-á mas prejudica a qualidade das uvas, uma vez que deixará de acumular água, açúcar e compostos químicos na uva. Isto levaria a uma muito má colheita.

Há que esperar com paciência, muita paciência!

Oscar

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Método de pontuação das vinhas: branco não é tinto mas parece

Durante os últimos séculos o Douro construiu a sua reputação como uma região de grande qualidade para a produção de vinhos graças ao Vinho do Porto. Porto tinto. Desde 1756, quando o Marquês de Pombal iniciou a demarcação e regulamentação do Douro que as pessoas se habituaram ao que podiam e não podiam fazer, ao que era correto e não. Em 1947, Moreira da Fonseca sugeriu um sistema de classificação para as parcelas de vinha no Douro, de A a I, revolucionário e inovador para a altura. Este sistema foi então aplicado e ainda está em vigor. Analisa 12 critérios que resultam na atribuição de uma classificação à parcela de vinha, também conhecida por letra. A ideia deste sistema é que se produza mais Vinho do Porto a partir das videiras que estão localizadas nas áreas mais aptas e de melhor qualidade. Vamos supor que nós os dois temos cada um um hectare. Assim, se o seu hectare está localizado próximo do rio, num solo pobre e xistoso, numa zona com grande inclinação, protegido dos ventos e plantado em socalcos, a classificação será superior à da minha parcela, que está a mais altitude, onde chove mais e o solo é mais arenoso e granítico, com pouca inclinação e bem afastado do rio. Com uma “letra” melhor, vai poder produzir mais Vinho do Porto do que eu a partir das suas uvas, e eu terei de usar uma boa parte das minhas uvas para produzir vinho maduro. Talvez, a certa altura, queira perguntar, “e vai plantar uvas tintas ou brancas?”. Bem, creio que foi esta a pergunta que ninguém fez na altura, uma vez que a classificação é dada sem ter em conta a cor das uvas a produzir. Apesar de tudo, há que dizer que naquela altura, há 60 ou 70 anos atrás, a produção de uvas brancas era muito pequena.

Com este sistema em prática, o meu hectare, que se encontra numa excelente zona para produzir uvas brancas, mas má para tintas, teria uma autorização para produção de Vinho do Porto, de menos de 50% da sua, porque o sistema de classificação das parcelas não tem em consideração a cor da uva que se está a produzir. Há uns tempos atrás fizemos um artigo sobre como funciona o sistema do benefício no Vinho do Porto. Os critérios principais de maior ponderação na classificação centram-se na altitude, localização e natureza do terreno. Estes três critérios terão uma classificação mais alta quanto mais apta for a parcela à produção de uvas tintas. Mas caso queira produzir uvas brancas, o método continua a classificar melhor a zona mais apta para produção de uvas tintas, não tendo em consideração a cor das uvas a produzir. Assim, caso queira melhorar as minhas receitas e ter (algum) lucro, em vez de produzir uvas brancas na melhor área para produzir uvas brancas tentarei encontrar um lugar onde a minha classificação seja mais alta mas que será, invariavelmente, pior para uvas brancas. Deste modo, em vez de produzir uvas brancas vou optar por uvas tintas, porque o terreno será mais apto para tintas. De uma maneira simplificada, espelha como nas últimas décadas os viticultores durienses alocaram as suas licenças de plantação. Sem diferenciarmos a classificação das áreas para uvas brancas e para uvas tintas, o Douro não utiliza as melhores áreas para produzir uvas brancas. Acabamos por plantar uvas brancas em zonas que em geral são muito quentes e secas, resultando em vinhos com mais álcool e menos acidez natural do que o desejado. Uma confusa má alocação de recursos.

Posso imaginar que alguns de vós, mais puristas, partilhem da opinião do Sr. Ernest Cockburn, que disse, “A primeira obrigação do Vinho do Porto é ser tinto (…)”, ou seja, que o sistema é perfeito. Certo é que todos nós conhecemos deliciosos e jovens e complexos e ricos Portos Brancos. E brancos maduros que nos surpreendem em cada vindima.

O legislador mencionou anteriormente, em 2001, a necessidade de rever o método de Moreira da Fonseca. Em 2008, Eduardo Abade e Joaquim Guerra, do Centro de Estudos Vitivinícolas do Douro sugeriram algumas ideias para rever o método de pontuação. Contudo, a questão de utilizar diferentes pontuações em função da cor da uva não foi abordada. Não será certamente uma tarefa fácil, mas quanto mais cedo se começar, mais rapidamente terminará a deficiente alocação de terras e vinhas, que prejudica o Vinho do Porto branco. E todos ficarão a ganhar.

Oscar

Vinho do Porto a produzir em 2013 e outras notas da vinha

Chegou Agosto, as videiras estão mais verdes do que nunca e a humidade no solo continua muito baixa. No domingo passado, a 28 de julho, duas horas de chuva ajudaram a refrescar o solo e as videiras. Não voltou a chover desde então. Na verdade, as temperaturas têm estado a subir, o que ajudou na ignição de dois incêndios que orbitaram a volta do Douro.

O burburinho sobre a vindima que se aproxima ainda quase não se ouve. Talvez porque muita gente esteja a aproveitar os últimos dias de férias e não queira pensar naquilo que os vai ocupar durante os próximos dois ou três meses. E também eu não quero falar sobre isso uma vez que os meus 10 dias de férias começam amanhã, na altura em que a minha irmã Cláudia regressa ao Douro.

Na vinha, depois do inverno frio e chuvoso (que tão necessário foi), a primavera foi mais seca que o habitual. Felizmente, as temperaturas médias permanecem abaixo da média de longo prazo para o Douro, o que ajuda videiras e uvas.

Com o pintor ainda por terminar nas zonas mais quentes e prematuras, podemos esperar a vindima das uvas tintas para Vinho do Porto a iniciar depois do dia 20 de Setembro. Ou seja, há uns quantos dias de atraso. Vamos ver como evolui a maturação nas próximas semanas. Um pouco mais de chuva era como ouro.

O volume total de Vinho do Porto a produzir em 2013 foi estabelecido pelo Conselho Interprofissional nas 100.000 pipas, ou 55 milhões de litros, uma subida de 3.6% em relação ao volume de 96.500 pipas de 2012. Haverá assim mais Vinho do Porto este ano. Na vinha, em termos de produção de uvas, podemos esperar uma subida de cerca de 15%. Quer isto dizer que a região deverá produzir entre 11 – 12% mais de vinho maduro este ano.

Brevemente voltaremos com mais novidades sobre a vindima de 2013, já que como sempre ocorre, faremos o primeiro controlo de maturação a 10 de Agosto.

Oscar

S. João da Pesqueira – o que mudou nos últimos 30 anos

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(Photo credit: Wikipedia)

Hoje é o dia do meu aniversário. E talvez porque 30 seja um número redondo, queria partilhar convosco algumas ideias que tive antes de ir para a cama, neste 24 de Julho.

Passei o dia em S. João da Pesqueira, a minha terra Natal, onde nasci e cresci, e onde venho sempre que posso. Da janela da minha casa, de onde vejo o pequeno centro da vila, dei comigo a pensar no que mudou nestes últimos 30 anos na vida de quem por aqui vive. Uma das coisas que vejo diferente, que me dá pena e me entristece pelas crianças, é ver que nos dias de hoje já quase não se brinca na rua. Ir brincar com os amigos para a rua durante uma ou duas horas antes do jantar era o ponto alto do dia. Tudo o que precisávamos era de uma bola ou outro qualquer brinquedo que houvesse por casa. No fim da brincadeira, estávamos certamente sujos ou arranhados. E ainda que voltássemos para casa com as roupas num estado miserável, as nossas mães recebiam-nos com dois braços abertos e prontas para nos abraçar.

A segunda coisa que tenho pena é do facto da minha geração não respeitar tanto as pessoas de idade com respeitava a geração dos meus pais. S. João da Pesqueira é uma vila pequena, com uma grande percentagem de pessoas de idade. Lembro-me, quando era mais novo, que sempre que nos cruzássemos na rua com alguém de idade dizíamos um olá ou um bom-dia. Trinta anos depois, parece que as pessoas de idade são mais um fardo pesado do que os líderes inspiradores da nossa sociedade. E é uma pena porque todos caminhamos para a velhice e se não educarmos a nossa sociedade a respeitar as pessoas de idade, não podemos esperar ser respeitados quando chegarmos à terceira idade.

Location in Portugal

Location in Portugal (Photo credit: Wikipedia)

Um terceiro ponto de que me lembrei nesta noite de céu limpo é que a minha vila não cria empregos suficientes para todos os que aqui querem viver. Em 1983 havia uma boa parte da população que trabalhava na agricultura, principalmente nas vinhas. Durante estes trinta anos, as pessoas procuraram empregos não agrícolas, onde as condições de trabalho fossem mais fáceis, não tão frias no inverno e quentes no verão, trabalhos menos intensos e desgastantes. S. João da Pesqueira precisou de atrair imigrantes durante as últimas décadas para que se fizesse o trabalho nas vinhas, uma vez que os nativos não os queriam. À medida que os imigrantes chegavam, os Pesqueirenses não encontravam trabalho nos sectores secundário e terciário. E de vez em quando lá ficava a saber de mais um conhecido ou amigo que tinha de migrar para a cidade à procura de trabalho. Gostava muito de ver, durante os próximos trinta anos, uma vila mais desenvolvida, onde todos os 8.000 habitantes que vivem no concelho tivessem um lugar para trabalhar.

Para terminar a lista dos quatro comentários do meu aniversário, resta-me dizer que estou muito feliz por ver que S. João da Pesqueira é um grande sitio para viver, calmo, bonito e agradável, genuíno, autêntico. As pessoas que por cá vivem tendem a ser, em geral, modestas e conservadoras, fruto dos tempos mais difíceis que viveram nas décadas anteriores. É certo que estamos longe da vida urbana, mas por aqui vive-se a vida de uma maneira própria, e mais importante, estas gentes sabem o significado da palavra felicidade.

Oscar

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Vaga de calor deixa o Douro de boa saúde

Depois da onda de calor que se fez sentir no inicio de Julho, as temperaturas no Douro voltaram novamente aos níveis normais, por volta dos 30º C. Períodos curtos com temperaturas muito altas não são raros no Douro. O mais estranho foi ver não só o Douro mas todo o país a despir-se, à procura de sobras e praias.

Como quase sempre acontece numa região vinícola tão seca, as ondas de calor deixam marca nas videiras, e este ano apesar de não ter sido tão forte como a onda de calor no final de Junho de 2012, alguns bagos acabaram por se queimar sem piedade. Mas aprendemos alguma coisa com a onda de calor do ano passado e em vez de cortarmos as pontas das vides no final de Junho, esperámos pelo final de Julho para o fazer, numa altura em que os bagos já têm a pele mais robusta e grossa. Se cortarmos algumas das folhas da videira numa fase mais tardia do ciclo de crescimento, vamos ter mais folhas para sombrear os bagos, reduzindo o risco de queimadura solar. O reverso da medalha é que a videira vai concentrar energia durante mais tempo nas vides em vez de se concentrar no cacho de uvas. Não há resposta absoluta para esta questão, mas mais cedo ou mais tarde, o corte das pontas deve ocorrer durante o mês de Julho.

A videira que vê na fotografia é da casta Gouveio, de uvas brancas e que cresce na Quinta da Trovisca, a cerca de 600 metros de altitude. Aqui não houve uvas queimadas, mas tal como a grande maioria dos portugueses, também as videiras não acharam muito divertido tão altas temperaturas, por vezes acima dos 45ºC.

Esteve pelo Douro durante estes dias? Como foi a sua aventura?

Oscar

Mimosas invadem o Douro

Já se apercebeu, durante a última visita que fez ao Douro, de uma árvore de folha perene, de crescimento veloz e com uma flor amarela que faz lembrar cachos de uvas brancas? Esta espécie de árvore forasteira, Acacia dealbata, conhecida por cá como Mimosa, adora proliferar nas bermas das estradas e também nos vales próximos a cursos de água. É originaria da Austrália e rapidamente conquistou a região Mediterrânea pela combinação de humidade e calor que por aqui se apresentam.

Há umas semanas atrás conduzia de S. João da Pesqueira para Foz-Côa quando deparei com um grande número de mimosas espalhadas por toda a parte. Há medida que o clima fica mais seco e mais austero em direção à zona este do Douro Superior, há menos vegetação a crescer, os arbustos são mais pequenos e poucas árvores nativas crescem. Suponho que esta falta de vegetação nativa torne o processo de desenvolvimento da mimosa mais fácil. Esta árvore foi já catalogada como a espécie mais invasiva em Portugal. Mas é preciso agora tomar medidas no terreno para parar a expansão da mimosa.

Os meus avós costumavam ter uma grande e velha mimosa na sua casa em Linhares. O aroma e cores das flores eram muito agradáveis e a árvore era já parte da casa. Mas naquela altura, havia só uma mimosa, e só estava ali. Nós não queremos que só veja mimosas e videiras da próxima vez que vier até cá.

Oscar

A invasão portuguesa de vinhos

Com os trabalhos na vinha controlados e dentro dos prazos, decidimos juntar-nos a um grupo de mais três produtores de vinho portugueses e atravessar o Atlântico, em direção aos Estados Unidos. Nós os quatro, Julia Kemper, Vitor Mendes da Quinta de Gomariz, Pedro Pintão da Poças e eu, tinhamos no Ryan Opaz, da Vrazon, o nosso lider. O Ryan é um americano a viver em Portugal há três meses e apaixonado por redes sociais, vinho e, diz ele, pelo nosso pais. O nosso destino? O Midwest. O nome da missão: A primeira invasão de vinhos portugueses.

De Portugal levámos galos de Barcelos, mapas, t-shirts e muita motivação. Todos nós já temos distribuição dos vinhos nos EUA, mas ainda nenhum de nós vendia para os estados que visitámos. Um grande forgão branco era o veículo da invasção, cheio de vinho e malas para começar uma ruidosa invasão. Tudo o que queriamos era que os americanos se apercebessem que Portugal os estava a invadir, no que a vinho diz respeito, claro! Começámos por Minneapolis, Minnesota, no dia 30 de Maio e terminámos em Madison, Wisconsin dia 5 de Junho. Durante este periodo parámos em Kansas City, St. Louis, Indianapolis e Chicago. Todas as nossas aventuras foram documentadas socialmente no blog da Portuguese Wine Invasion. Vá até lá.

À medida que o tempo passava, ia-me apercebendo que apesar de gerarmos muito interesse na nossa invasão, as pessoas dificilmente se recordavam dos nomes das nossas marcas. Regressavam a casa a pensar na experiência que tinham tido com os vinhos portugueses, mas não tinham em mente uma marca específica. Mas era o nosso objetivo promover os vinhos de cada um ou promover o país? Certo, estávamos ali para falar de Portugal, e promovendo o país estávamos a promover todos os vinhos portugueses e assim também promovíamos os nossos vinhos. Procurávamos novos elementos para que se tornassem fans de Portugal. Se alguns deles, pedirem vinhos portugueses da próxima vez que visitarem uma loja de vinhos, então teremos cumprido a nossa missão. Certamente que nós os produtores queremos e esperamos vender mais vinho nos EUA, caso contrário não poderemos financiar uma segunda invasão. Mas aprendemos que se juntamos esforços e falarmos de Portugal, posteriormente, o consumidor vai pedir os nossos vinhos.

Oscar

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