O Rio Torto e as suas semelhanças com o Rio Douro
As fortes chuvadas dos últimos dias pintaram o Rio Torto de uma cor pouco usual para esta época do ano. Este tom castanho claro, dourado, que está na origem do nome do Rio Douro, costuma ser visto durante o Inverno, quando as águas da chuva trazem terra pela encosta abaixo, formando uma lama dourada.
Durante estes dias é o Rio Torto que se assemelha ao Rio Douro, ou melhor dito, ao rio dourado.
Oscar

Temperaturas amenas e chuva levam a vindima temporã

Nos últimos dias o clima no Douro tem estado muito instável. Rapidamente muda de céu limpo para um fechado nublado de trovoada, como se de um clima tropical se tratasse. As temperaturas movem-se entre 15ºC e 28ºC ao meio da tarde. E quando chove parece que vai ser o fim do mundo, tão forte é a chuvada. E em vez de termos uma lenta irrigação das vinhas, estas chuvadas criam pequenos ribeiros de água a descer a encosta, semelhante ao que vemos na fotografia. Pessoalmente gosto de trovoadas, mas não nada favoráveis às vinhas.
Com a floração da vinha terminada tão cedo (em meados de Maio nas videiras próximas do rio) este ano devemos ter uma vindima mais precoce. Este factor é explicado pelas temperaturas simpáticas e amenas que temos tido durante a Primavera, ajudado pelas chuvas frequentes. Por isso, se planeia vir até ao Douro na vindima, este ano talvez seja melhor anticipar a viagem numa ou duas semanas. Mas ainda faltam uns 100 dias, o tempo o dirá.
Oscar
Impressão a 3D no sector dos vinhos
Já ouviu falar de impressoras 3D? A única revista que leio todas as semanas, The Economist, fez recentemente um artigo que quero partilhar convosco e o qual sugiro que leia aqui, Impressão a 3D.
Como é que funciona? Imagine uma máquina semelhante em tamanho à impressora que tem em sua casa ou no escritório que pode fazer pequenos objectos tão diversos como sapatilhas ou anéis, ou uma um pouco maior que faz estruturas para bicicletas, painéis para carros, partes de aviões ou violinos. Esta máquina já existe. Primeiro o que tem que fazer é desenhar uma maquete no computador e depois carregar em imprimir. E a máquina vai gradualmente construindo o objecto. Está já a ser utilizada no meio académico e em certas indústrias, tal como o computador o era nos anos 70 do século passado. O preço é já mais baixo que o preço de uma impressora laser em 1985. Com o avanço tecnológico e descida dos preços, veremos cada vez mais pessoas a construírem os seus objectos em casa com impressoras 3D.
Estava a pensar em que medida é que esta nova tecnologia poderia afectar o mundo dos vinhos. Em termos de produção de uva, a impressora 3D não poderá certamente (talvez me venha a arrepender de usar esta palavra) construir um bago com diversas vitaminas, minerais e outros elementos. Mas talvez a impressora 3D possa no futuro fabricar garrafas, caixas ou depósitos em aço inoxidável em adegas.
E como irá afectar a sua vida?
Oscar
Despampa no Douro – remover os pâmpanos em excesso
Todos os anos, depois da vindima, a videira inicia um ciclo de dormência. Perto do fim do inverno esta fase vegetativa de inactividade cessa e começam a rebentar os pâmpanos dos olhos da videira que foram deixados na poda. Na maioria dos casos há excesso de crescimento vegetativo, tornando-se necessário eliminar alguns dos pâmpanos. É necessário controlar a sua rebentação e para tal removem-se alguns desses rebentos. Quantos mais pâmpanos removemos, menor será a produção esperada, aumentando a qualidade potencial. O equilíbrio encontra-se com cerca de 4 a 6 cachos por videira, o que se traduz em cerca de 1kg de uvas na altura da vindima.
Na semana passada estivemos a fazer este trabalho de remoção dos pâmpanos em excesso na Quinta da Trovisca. Fiz um pequeno vídeo para que se torne mais fácil perceber o processo. Deixem as vossas questões e dúvidas. Pode demorar alguns dias, mas sabem que eu respondo sempre!
Oscar
Brasil: algumas reflexões depois de uma semana de degustações
Depois de ter passado a minha primeira semana no Brasil, estou agora de regresso à terra-natal. Foram uns óptimos dias no Brasil, um país enorme e frenético, onde nos sentimos pouco maiores que um grão de areia da praia do Guarujá. Caminhando pela avenida Paulista ou pela rua Oscar Freire, ou entrando num dos centros comerciais de luxo existentes em São Paulo, rapidamente nos apercebemos que os brasileiros têm dinheiro no bolso. Parecem desejosos de gastar dinheiro. Nada está fora do seu alcance. O forte crescimento que o Brasil tem vivido desde o início do milénio, tem aumentado o nível de vida dos seus habitantes. Mas ainda existe muita pobreza. É um país de contrastes que a música ajuda a equilibrar, mas que se está a tornar demasiado caro. A moeda brasileira, o real, está muito forte, diminuindo a competitividade da economia e tornando-a pouco recomendada para turistas. Por outro lado, é bom para os países que exportam para o Brasil, tornando os produtos em reais mais baratos.
A principal razão para esta visita ao Brasil esteve, naturalmente, relacionada com vinho. São Paulo albergou a maior feira de vinhos do Brasil, a Expovinis, onde não só os produtores expõem os seus vinhos, como os importadores dão a provar as marcas que têm no seu portfolio. No que diz respeito à possibilidade de cumprir a nossa missão, a qual definimos no ano passado – encontrar um importador para os nossos vinhos – a Expovinis mostrou-se uma boa aposta. Fizemos alguns contactos interessantes, de modo que agora espero não ver as minhas expectativas defraudadas.
Que mais fiz durante esta semana no Brasil? Para além de um par de reuniões de negócios, também expus os nossos vinhos nas duas provas que o IVDP organizou em São Paulo e em Curitiba. Também em São Paulo, organizámos, conjuntamente com o The Wine Hub, um seminário sobre Vinho do Porto, tal como o temos feito na Europa. Desta vez a audiência era especial já que se juntaram a nós alguns clientes da empresa de design o Meu Estudio. Também apareceram alguns amigos que vivem em São Paulo, tendo tornado esta noite a melhor no Brasil.

Quando alguém fala de Brasil, pensamos em futebol, praias, samba ou Carnaval. Mas no que se refere a comida, o que nos vem logo à cabeça é picanha e outras carnes deliciosamente grelhadas pelos brasileiros. Assim, no sábado ao almoço fui almoçar com o meus amigos Luiz Alberto, Arnaldo Nacarato, entre outros, à Churrascaria Fogo de Chão, uma das melhores especialistas em grelhados de São Paulo. O Luiz trouxe 10 garrafas de vinho, enquanto que eu pus 2 garrafas de Vinho do Porto na mesa. Éramos 6 pessoas, o que dava uma generosa proporção de vinho por comensal. A comida era deliciosa e alguns dos vinhos mostraram-se fantásticos, o que ajuda a explicar porque passámos mais de 7 horas à mesa, fazendo deste almoço o mais longo da minha vida! A minha mãe tinha-me dito para não emagrecer durante a viagem. Eu só estava a cumprir a promessa que lhe fiz!
Quero voltar ao Brasil e visitar os amigos que lá deixei. Espero estar novamente com a família Alberto e Nacarato em Capivari e com o Beto e a Maria Clara em São Paulo. E também ir tomar uma caipirinha com a Nilce e o Arnaldo à praia do Guarujá. A vida é bonita e temos de a aproveitar. Divirtam-se, e não se esqueçam de escrever os vossos comentários. Valeu?
Oscar
Outra colheita generosa no Douro?

O novo ciclo vegetativo da videira já decorre a toda a velocidade. Depois da poda durante o inverno, altura em que as videiras apresentam muito pouca atividade, a primavera traz a rebentação, pintando o Douro de verde e escondendo o castanho das pedras e da terra.
Este ano a rebentação surpreendeu-me pelo alto número de cachos por pampo ou rebento. Quer isto dizer que caso o clima ajude durante a fase da floração, teremos uma colheita generosa. A fotografia mostra uma videira escolhida ao acaso da vinha em frente à nossa adega. Há muitos cachos. Em geral, apenas 60% a 80% dos bagos serão fertilizados e, consequentemente, tornar-se-ão uva. Ventos fracos e temperaturas na ordem dos 25º C favorecem a ocorrência da fecundação das flores da videira. Mas isso é só daqui por mais 2 ou 3 semanas.
Oscar
Brasil, o novo destino dos vinhos Quevedo
Aqueles que leram um artigo que escrevi sobre os nossos objectivos para 2011, talvez se recordem que uma das missões que temos é a de encontrar um importador para os nossos vinhos no Brasil. Desde a altura em que escrevi essas palavras, em Novembro passado, já tivemos alguns contactos com importadores, mas nada de muito sério ocorreu. Por isso, continuamos empenhados neste desafio, e para tal espero que a visita que vou fazer ao Brasil para expor os nossos vinhos na Expovinis, em São Paulo, entre os dias 26 e 28 de Abril, possam definitivamente abrir-nos as portas do país dos nossos irmãos do outro lado do Atlântico.
Vamos ainda complementar a nossa visita à Expovinis participando nas provas de vinhos que o IVDPestá a organizar em São Paulo e Curitiba e ainda com a organização de uma prova para um grupo de apreciadores de vinho também em São Paulo, organizado pelo meu amigo Luiz Alberto do The Wine Hub e pelo Marcelo Vieira do Meu Estúdio.
Muitos dizem que o Brasil está a tornar-se muito arriscado em termos de pagamentos e que a maioria dos importadores está já a representar produtores portugueses. Mas ainda assim não vamos desistir. Alguém no país das praias e do futebol deve estar à espera de um produtor como com as nossas características. Brasil, aí vamos nóssssssssss!
Douro, o vale estreito
Estendendo-se por uma área de 250.000 hectares, a Região Demarcada do Douro tem cerca de 46.000 hectares plantados com vinhas. O início da região coincide com a entrada do Rio Douro em Portugal, começando na zona do Parque do Douro Internacional, em Freixo de Espada à Cinta terminando em Barqueiros, uma aldeia que divide o distrito de Vila Real e do Porto. Quando passa por Barqueiros, o rio Douro está já a metade do seu percurso em Portugal, antes de chegar à foz no Porto/Gaia.
Como talvez saiba, a viticultura do vale do Douro depende muito do seu rio. Em algumas zonas, a região demarcada limita-se a poucos quilómetros para norte ou sul do rio. A fotografia que está em cima foi tirada em Linhares, uma aldeia na margem norte, concelho de Carrazeda de Ansiães e que fica entre a foz do Tua e a Ferradosa. Como se pode ver na imagem, há uma grande mudança no tipo de solo, comparado com o tradicional xisto que caracteriza o Douro. O solo é arenoso e o granito é a rocha predominante, tornando esta área muito interessante para plantar videiras de uvas brancas.
Nesta parte do Douro, a região demarcada é tão estreita que a distância entre o lugar onde tirei a foto (no limite norte da região) e a montanha ao fundo da imagem (a qual já está fora do limite sul da região) é de só 14km. Pelo meio pode ver S. João da Pesqueira. Mas acho que este mapa dá uma boa ajuda a perceber o que quero dizer!
Oscar
Utilização de termos em inglês nas garrafas de Vinho do Porto
A influência da cultura inglesa no Vinho do Porto começou há vários séculos atrás, na altura em que os primeiros comerciantes ingleses vieram para Portugal e se instalaram em Vila Nova de Gaia. Na verdade, a chegada dos ingleses coincide com a criação do próprio Vinho do Porto. Por isso, é sem surpresa que vemos que este vinho fortificado feito no vale do Douro adoptou a terminologia inglesa para classificar os diferentes tipos de Vinho do Porto. A única palavra que eu conheço que é generalizadamente adoptada para classificar um tipo de Vinho do Porto é “Colheita”. Colheita é um tipo de Vinho do Porto que envelhece em cascos de madeira durante um período mínimo de 7 anos, sendo depois engarrafado, sem ser misturado com vinho de outras colheitas. O ano da colheita constará do rótulo.
Há uns dias atrás apercebi-me que “Colheita”, apesar de ser o termo utilizado para definir este tipo de Vinho do Porto, não é obrigatório que conste no rótulo. Apenas deve constar o ano de colheita, complementado, caso o pro
dutor o queira, por mais algum termo. Foi isso que a Graham’s, outro produtor de Vinho do Porto, fez quando lançou o Colheita 1961. No rótulo pode ler “1961 single harvest tawny Port”.
Esta é uma opção inteligente para identificar um colheita sem ter que utilizar o termo em português, o qual, como sabemos, não é de todo das palavras mais fáceis que temos. Imagino que esta solução seja preferível para a grande maioria dos clientes deste vinho, que certamente não estão familiarizados com a lingua de Camões. E como os portugueses estão habituados aos termos ingleses, esta deve ser uma solução que agrada a todos.
Agora talvez esteja a perguntar, “Oscar, sabendo agora que podem utilizar um termo inglês para definir um Colheita, estão a pensar alterar os vossos rótulos?” Bem, há certas tradições que devemos manter. Creio que vamos continuar a usar os mesmos termos que os meus pais utilizavam antes.
Quanto ao Graham’s Colheita 1961, que foi lançado recentemente pela família Symington, resulta de uma selecção de três cascos de um lote total de 14 que a família tem na cave. Mas veja mais informação sobre o Colheita 1961 no blog da Graham’s.?
Oscar
Oscar’s 2010 branco – o nosso novo projecto está a debutar
O projecto de vinho do Douro Oscar’s está a correr muito bem. Tão bem, que fomos desafiados a lançar não só um vinho tinto mas também um branco Oscar’s.
A Primavera já começou e o Verão está já ao virar da esquina e sabem que mais? Vamos lançar o nosso branco agora mesmo. Hoje, as primeiras 300 garrafas foram enviadas para Malta! Sim, Malta, a pequena ilha no Mar Mediterrâneo que talvez seja a sua escolha para veranear nas próximas férias, não só porque lá pode provar o Oscar’s branco mas sobretudo porque tem óptimas praias e muita festa!
De que é que está feito o Oscar’s branco? Muito carinho e atenção com as nossas uvas e um toque de amor e paixão na elaboração do vinho.
É tudo por agora. Viremos em breve com mais notícias!
Oscar










Em 1991 Quevedo fez-se marca, sucedendo a gerações de dedicada paixão pela vinha e pelo vinho. Desde então fundámos a nossa estratégia na sabedoria dessa tradição. Assim, para garantirmos as melhores uvas ano após ano, começámos por estender as nossas vinhas até aos 100 hectares que hoje cultivamos nas férteis regiões de Cima-Corgo e Douro Superior; e para honrarmos (ou dignificarmos) o seu incomparável sabor, ampliámos e equipámos a adega com tecnologia vinícola de ponta, sob a direcção da enóloga da família, a Cláudia. O resultado são vinhos que sabem ao xisto onde nasceram, ao sol que os amadureceu, à gente que os colheu. Com mais de um século de vida dedicada ao vinho, Quevedo é muito mais que uma marca, é uma família que vive para o vinho e se orgulha de oferecer ao mundo o melhor que o Douro tem.