Dê-me um abraço!

Na semana passada estive em Londres para a London International Wine Fair, uma feira de vinhos para profissionais que está a perder interesse, mas que ainda é visitada por alguns clientes e amigos. E por isso, lá fomos nós. Tive um jantar, num dos dias, com uma pessoa que só tinha visto uma vez anteriormente. Fomos a um restaurante francês, uma agradável Brasserie, à qual eu cheguei antes do meu anfitrião. Quando ele chegou levantei-me e fui surpreendido com um inesperado abraço. Ao principio, achei que alguma coisa estava errada, talvez ele estivesse só a dizer olá às pessoas na mesa detrás da minha. A minha resposta ao abraço não foi de todo convincente quando coloquei os meus braços nas suas costas. estava estupefacto pela simpatia com que estava a ser recebido. Estava em Londres, onde achava eu, as pessoas ocupadas preferiam dizer um “olá” ou até dar um aperto de mão quando saudassem alguém. Mas um abraço? Um emotivo e duradouro abraço? Estava boquiaberto.

Este abraço resultou numa maneira simples e honesta de me deixar mais relaxado e aberto para o que era um jantar de negócios. Nunca esperei ter um londrino que quase desconhecia a receber-me com um abraço tão amistoso. Em Portugal sim que abraço os amigos. Reconheçamos que precisamos de tocar nas pessoas para mostrar a nossa atenção e satisfação para com aqueles que temos à nossa volta. Mas esperava que em Inglaterra fosse diferente. Felizmente não é, e por isso deixe-me pedir-lhe, caro leitor deste artigo, da próxima vez que estivermos juntos, por favor, dê-me um abraço!

Oscar

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O primeiro rebento depois da enxertia

No dia 2 de Fevereiro de 2012 fiz um artigo com um vídeo sobre como enxertar videiras. Depois de enxertarmos centenas de videiras e três meses e meio mais tarde, os primeiros rebentos estão agora à vista. É ainda um rebento muito tenro e frágil, mas se tiver humidade suficiente à volta das raízes irá prosperar.

Se olhar com detalhe para a fotografia, verá que uma das folhas está seca devido às geadas. Mas por sorte, o segundo olho rebentou e esta videira deve estar salva.

Oscar

Consumo de vinho: médicos e políticos com abordagens diferentes

Todos sabemos que a situação económica atual não é tão favoravél como desejaríamos. O consumo privado é baixo, famílias, empresas e Estados estão todos sobre-endividados. O PIB (Produto Interno Bruto) se cresce fá-lo a ritmos muitos baixos e os políticos fazem o que podem para proteger as suas economias ao mesmo tempo que reduzem as dívidas, através da redução dos gastos, mas sobretudo, mediante o aumento dos impostos. O consumo de vinho não é alheio a estes problemas, não só porque o IVA está a crescer em muitos países (entre 2010 e 2012 14 dos 27 países da UE aumentaram o IVA) mas também porque os políticos estão a tentar sobretaxar o consumo de álcool.

Os políticos ainda ignoram os méritos do vinho, tratando-o como um álcool duro. o Brasil tem um plano Maqueavélico para reduzir as importações de vinho, de modo a proteger a produção local, que ainda é pequena, em geral para uva de mesa, e enquanto vinho é muito caro. O governo inglês também se está a preparar para castigar o consumo indiscriminado de álcool, como se pode ler num artigo recente na revista Economist. E mais países poderão fazer o mesmo.

Custa-me muito compreender estes comportamentos. Todos sabemos que o excesso de álcool é prejudicial à saúde. O álcool pode criar vício, levando a problemas graves em caso de consumo excessivo. Mas muitos dos que bebemos vinho de qualidade (deixemos as bebidas destiladas de lado) fazêmo-lo para complementar uma refeição. À mesa temos o pão, as batatas, o arroz, os vegetais, a fruta e o copo de vinho. Este é o hábito de bebermos vinho nos países do Mediterrâneo (ainda que Portugal não seja banhado por dito mar!). Um ou dois copos de vinho por dia, quase todos os dias e quase sempre com a refeição, só pode ajudar o sangue e o coração. É isto que a Organização Mundial de Saúde sugere, quando diz “(…) o prazer e benefícios de saúde do consumo moderado de vinho têm de ser reconhecidos.”

Se pelo menos tivéssemos uma bonança económica tal que terminasse com a ressaca de impostos dos políticos, talvez os méritos do consumo moderado de vinho pudessem ser reconhecidos pelos burocratas.

Oscar

P.S. Um dia depois de ter escrito este texto encontrei um artigo da Harvard Medical School sobre os benefícios do resveratrol, um elemento químico que se encontra no vinho.

O ditado “Em Abril, águas mil” quase que se aplica para 2012

Aqui fica um breve comentário ao clima das últimas semanas no Douro. Depois de um longo período de sol e céu limpo, as nuvens chegaram finalmente a um Douro desesperado por água, o que nos trouxe alguma tranquilidade. As coisas estão um pouco melhor agora, com a pluviosidade em Abril a situar-se em 2/3 da média de longo prazo. A grande questão que permanece é: continuaremos a ter chuva de modo a repor os níveis de água no solo para o que seria expectável nesta época do ano ou vamos ter um vindima com 1/3 da chuva. Oxalá continue a chover durante mais algumas semanas mas assim que a floração começar é bom que o tempo limpe de modo a melhorar as condições de polinização e assim termos mais flores fecundadas, o que posteriormente trará mais bagos de uva. Ventos fortes e chuva não são bem vindos durante a fase da polinização, ou teremos uma redução na colheita. Depois, em Junho, chega a época de doenças, que se desenvolvem melhor com tempo húmido, ou seja, desejamos tempo seco.

Assim, esperamos que a chuva se mantenha durante mais algumas semanas para aumentar o nível de água no solo e depois que venha tempo seco. São só desejos que às vezes se realizam, mas nem sempre.

Oscar

Japão, o país que todos deveriam descobrir

Pela primeira vez na minha vida visitei o Japão. Não fui numa viagem de férias, como teria desejado. Na verdade, tratou-se de uma viagem de negócios, uma vez que estamos determinados a encontrar distribuição para os nossos vinhos no país do sol nascente. As expectativas eram altas em relação a esta viagem. Esperava encontrar uma cultura única, uma nova sociedade e uma maneira diferente de pensar. E, sem surpresas, o Japão não frustrou as minhas expectativas. Esta foi uma das mais ricas, interessantes e inesquecíveis experiências que já tive, e só visitei Tóquio, a capital.

Não é apenas a comida, a língua ou as casas, mas são as pessoas, a maneira como pensam e se comportam. É difícil descrever. Li alguma informação sobre a cultura japonesa antes de chegar, mas não há nada que possa realmente transmitir o que se sente quando se chega lá. É a maneira como dizem olá ou adeus, a maneira como falam e conduzem ou a tradição da vénia. Os japoneses são tremendamente educados, respeitosos e concentrados e sempre se asseguram que o convidado se está a sentir bem. As ruas estão sempre perfeitamente limpas e as pessoas caminham de maneira ordenada e expectável.

Ainda que aquilo que vá dizer possa não ser válido para a geração mais nova, os japoneses têm sempre como prioridade o bem-estar do grupo em vez do individual. Trabalham para alcançar um determinado objectivo para a empresa ou para o país, sempre colocando os interesses individuais acima dos pessoais. Isto talvez possa ser explicado pelas consequências da II Guerra Mundial, da qual o Japão saiu derrotado. Para ultrapassar a destruição em que ficou o país os japoneses uniram esforços e trabalharam juntos na reconstrução do país. Todos foram necessários nesta gigantesca tarefa e o trabalho duro no interesse do grupo sempre vinha por cima. E na verdade resultou miraculosamente bem, já que no início deste século o Japão era a segunda maior economia do mundo, depois dos EUA. Foi recentemente ultrapassada pela China, mas isso é tema para outro artigo.

Instalar-se num ryokan, a tradicional residencial japonesa, talvez seja uma boa maneira de ajudar a perceber melhor a cultura japonesa. O quarto talvez seja pequeno e o chão um pouco duro, mas os banhos públicos ou o delicioso pequeno almoço são coisas que não se esquecem. Quero volta, em breve!

Oscar

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Teleférico em Vila Nova de Gaia – vista fantástica sobre o Porto e as caves de Vinho do Porto

Depois das grandes alterações que testemunhámos, na última década, nas regiões do Algarve e da Madeira, tornando estas duas regiões portuguesas em lugares de referência para os turistas, chegou agora a hora de Lisboa e do Porto. No Porto, uma das principais atrações da cidade é a história do Vinho do Porto e claro, a possibilidade de visitar as caves em Vila Nova de Gaia. Apesar de ainda estarmos longe da perfeição, a qualidade global dos serviços oferecidos em lugares como restaurantes, hotéis, lojas, museus e até caves do Vinho do Porto, está a aumentar velozmente, com o número de turistas a crescer igualmente rápido. O aeroporto do Porto marcou um novo recorde de passageiros acima de 6 milhões em 2011. Nos primeiros dois meses de 2012 o número de passageiros a chegar de avião ao Porto aumentou 6,3% face ao mesmo período do ano anterior, com muitos milhares a chegarem também em cruzeiros e em carros. Se não visita o Porto há mais de 5 ou 7 anos, da próxima vez que voltar vai encontrar uma cidade muito diferente, para melhor.

No ano passado foi instalado em Vila Nova de Gaia um teleférico, junto à ponte Luiz I, que liga o Jardim do Morro ao Cais de Gaia. O percurso, que leva uns minutos, dá-nos uma vista fantástica sobre a área do Porto, as caves de Vinho do Porto e sobre a velhinha ponte Luiz I, de 1886. Fiz recentemente o vídeo acima, dentro de uma cabine que procura mostrar aquilo que poderá ver. O fim-de-tarde deve ser a melhor altura para andar no teleférico. Não sei se pode levar um copo de Vinho do Porto a bordo, mas certamente que saberia muito bem!! De acrescentar que a entrada superior do teleférico tem ligação com o metro, com paragem no Jardim do Morro. Já a parte inferior, no Cais de Gaia, está a uns duzentos metros da nossa cave. Venha dizer olá quando estiver por cá!

Oscar

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Videiras do Douro começam a rebentar

Quer estejamos a falar de ameixas, amêndoas ou maças, a rebentação significa sempre o início de um novo ciclo para a colheita. E para a vinha não é diferente, começando agora a rebentação das nossas videiras. Sem surpresas, as primeiras videiras a brotarem são as que estão localizadas na Quinta das Mós, no Douro Superior, onde temos estado a regar durante um mês. Como certamente sabe, no Douro a rega só é permitida a videiras até cinco anos de idade. A partir desta idade, só com a provação do IVDP – Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, o que não é o nosso caso.

As temperaturas durante este Inverno estiveram dentro dos padrões habituais, com um Janeiro e Fevereiro até ligeiramente mais quentes, como nos indica o gráfico do Instituto de Meteoreologia. Chegado o fim de Março, vêm então os primeiros rebentos, talvez uns dias antes do habitual. Já com muita curiosidade, aguardamos para ver a generosidade das videiras, e assim verificar qual a quantidade e tamanho dos cachos que nos vão trazer. Em duas ou três semanas já devemos saber, apesar de que com o recurso a um microscópio pudéssemos já obter essa informação.

Até breve,

Oscar

Finalmente chegou a chuva para levantar a moral

Depois de mais de dois meses sem ver a chuva, tivemos finalmente um fim-de-semana com água no Douro. Apesar de não ter sido suficiente para compensar o longo período de seca que temos tido, não deixa de ser um bom princípio para aquilo que podem ser as próximas semanas. Tal como o ditado diz “Em Abril águas mil” e ainda não é demasiado tarde para reidratar vinhas e solos caso venha um longo período de chuva em Abril.

Ouvi recentemente na imprensa nacional que este tem sido o Inverno mais seco dos últimos 80 anos. Se olharmos para as estatísticas, poderemos ficar com uma ideia mais clara do que está a acontecer: de Outubro a Março choveu no Douro um terço da média de longo prazo. Felizmente tivemos um mês de Novembro muito húmido, com 71mm de chuva, quando a média de longo prazo é de 65mm. Mas ainda estamos 250mm de chuva abaixo da média o que poderá ser um grande problema se o verão for tão quente como habitualmente. Certamente que não será totalmente explicado pela falta de chuva, mas o preço dos vinhos está a subir, e rápido.

Oscar

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Tempo seco traz incêndios prematuros ao Douro


Já aqui falámos algumas vezes sobre o quão seco tem sido este Inverno. A falta de água tem sido prejudicial não só para a vinha mas também para as outras culturas que florescem no Douro, principalmente a oliveira e amendoeira.

Para além destas culturas, também as pequenas matas, que um pouco por todo o Douro se encontram à volta das vinhas, estão a sofrer com a seca. Numa das minhas viagens para o Porto, poucos quilómetros depois de deixar S. João da Pesqueira, ao chegar a Ervedosa do Douro, uma pequena mata estava em chamas. Os bombeiros já estavam a tomar conta do fogo nas é incrível como é que já temos o Douro em chamas em Março. Algo vai muito mal este ano.

Oscar

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Contrução da barragem do Tua in the Douro valley

O ser humano sempre utilizou a natureza para benefício pessoal. Durante muitos anos o rio Douro foi utilizado para o transporte de Vinho do Porto, desde o Alto Douro vinhateiro até Vila Nova de Gaia, cidade a partir da qual o Vinho do Porto era posteriormente exportado. O barco utilizado para o transporte, como certamente estará recordado, era o rabelo. Com a chegada do caminho de ferro numa primeira fase, e mais tarde das estradas pavimentadas, o barco rabelo deixou de ser utilizado no transporte de vinho para passar a ser usado para fins turísticos. Houve uma outra coisa que o homem criou e que alterou a paisagem do vale Douro bem como toda a trajetória do rio até à foz, no oceano Atlântico. Apesar de terem tornado a viagem mais segura, reduzindo o risco de afundamento dos barcos, estas construções criaram igualmente barreiras de cimento para os peixes, para a água mas também para os barcos. Certamente que já se apercebeu que estamos a falar das cinco barragens construídas há mais de três décadas, três das quais estão em pleno Alto Douro vinhateiro.

Para além de domesticar o rio, as barragens têm como principal função gerar energia. Muita energia que faz a região desenvolver-se, reduzindo a dependência portuguesa de fontes de energia importadas. Mas, ao mesmo tempo, as barragens alteraram a paisagem para sempre. Eu ainda não era nascido quando as barragens foram construídas, mas imagino o Douro como um grande ribeiro, como o podemos ver nos dias de hoje numa das melhor regiões vinícolas de Espanha, a Ribera del Duero.

Depois da primeira fase de construção de barragens, mais projetos estão a ser planeados ou construídos no vale do Douro. Há um projeto para o rio Côa que submergiria a grande maioria das pinturas rupestres da área bem como uma considerável extensão de vinhas, oliveiras e amendoeiras, incluindo a Quinta de Ervamoira, propriedade da A. Ramos Pinto. Uma outra barragem, esta já em construção, deverá começar a produzir energia em 2014. A EDP, a virtual monopolista na produção e distribuição de energia em Portugal, está, uma vez mais, por trás do projeto, tal como há 36 anos.

Há organizações contra o projeto, defendendo que o Douro Património da Humanidade pela UNESCO está a ser modificado com esta massa de betão. Honestamente, também a mim não me agrada ver mais uma barragem no vale do Douro, mas a verdade é que vai trazer desenvolvimento para uma área que precisa de investimento e que está a perder população a cada ano que passa. Desejo que com a barragem os turistas venham até às margens do rio e que restaurantes e hotéis sejam também vistos por lá. Os trabalhos de construção decorrem com rapidez, como mostra a fotografia acima, já que nada pode parar o desejo do homem de aproveitar o que a natureza oferece.

Oscar