Claudia’s 2009 entre os 50 Grandes Vinhos Portugueses por Olly Smith

Olly Smith picking the 50 Great Portuguese WinesDesde 2005 que a Viniportugal tem vindo a convidar um jornalista de prestigio para seleccionar os 50 Grandes Vinhos Portugueses para o mercado do Reino Unido. Na nona edição, o jornalista convidado foi Olly Smith, que apresentou na quinta-feira em Londres a sua lista para 2013. Nesta lista temos o prazer de ver incluído um vinho produzido por nós, Claudia’s 2009 tinto.

Esta será certamente um suplemento vitamínico, especialmente para nós que tendemos a focar a maior parte da nossa energia e tempo na produção de Vinho do Porto. A Cláudia, enóloga do vinho, estava contente por este reconhecimento no Douro reserva que leva o seu nome. Certamente que não muda nada sobre nós, mas vemos esta seleção como uma indicaçoa que estamos a seguir a estrela certa.

Os vinhos do Douro dominam na lista do Olly, com 3 brancos, 11 tintos, 1 Moscatel e 1 Porto. Aqui fica a lista:

  1. Vales de Ambrães – Avesso 2012 – Vinho Verde
  2. Casa da Senra 2012 – Vinho Verde
  3. Soalheiro 2012 – Vinho Verde
  4. Alvarinho Solar de Serrade 2012 – Vinho Verde
  5. FP 2012 – Bairrada
  6. Quinta da Raza Arinto 2012 – Vinho Verde
  7. Montes Ermos Reserva 2011 – Douro
  8. Beyra Quartz 2011 – Beira Interior
  9. Redoma 2011 – Douro
  10. Quinta de la Rosa 2011 – Douro
  11. Pato Frio Antão Vaz 2011 – Alentejo
  12. Vinhas do Lasso 2010 – Lisboa
  13. Dona Ermelinda 2011 – Península de Setúbal
  14. Valle Pradinhos 2011 – Trás-os-Montes
  15. Muros de Melgaço 2011 – Vinho Verdes
  16. Quinta de Saes Encruzado 2011 -Dão
  17. Quinta dos Roques Encruzado 2011 – Dão
  18. Esporão Reserva 2011 – Alentejo
  19. Arenae 2010 – Lisboa
  20. Marquês de Borba 2011 – Alentejo
  21. Almeida Garrett, DOC Beira Interior TNT 2010 – Beira Interior
  22. Sexy 2011 – Alentejo
  23. Zéfyro 2009 – Alentejo
  24. Altano Quinta do Ataíde Reserva 2009 – Douro
  25. PAPE 2010 – Dão
  26. Claudia’s 2009 – Douro
  27. Manoella Douro 2010 – Douro
  28. Quinta Nova – Colheita 2010 – Douro
  29. F’OZ 2011 – Alentejo
  30. Palpite 2010 – Alentejo
  31. Poeira 2010 – Douro
  32. Vertente 2009 – Douro
  33. Casa Cadaval Trincadeira Vinhas Velhas 2009 – Tejo
  34. Tinto da Ânfora 2010 – Alentejo
  35. Duas Pedras 2011 – Alentejo
  36. Crasto Superior 2010 – Douro
  37. Quinta de Foz de Arouce 2009 – Beiras
  38. Quinta dos Quatro Ventos 2009 – Douro
  39. Aliança Bairrada Reserva 2011 – Bairrada
  40. Quinta dos Roques 2010 – Dão
  41. Esporão Reserva 2010 – Alentejo
  42. Cedro do Noval 2009 – Douro
  43. Julia Kemper Touriga Nacional 2009 – Dão
  44. CH, Chocapalha 2009 – Lisboa
  45. Quinta de la Rosa Reserve 2010 – Douro
  46. Quinta do Sagrado Reserva 2007 – Douro
  47. Henriques & Henriques Verdelho 15 Years Old – Madeira
  48. Adega Coop. Favaios Moscatel de Favaios Colheita 1980 – Douro
  49. Família Horacio Simões Bastardo 2009 – Península de Setúbal
  50. Dow’s Quinta do Bomfim Vintage Port – Douro

Outros críticos de vinhos escolhidos nas edições anteriores dos 50 Grandes Vinhos Portugueses para o Reino Unido foram: Richard Mayson, Charles Metcalfe, Tim Atkin, Simon Woods, Jamie Goode, Sarah Ahmed, Tom Canavan e Julia Harding. Na edição de 2013 de Olly Smith centrou-se em vinhos entre as 7 e 30 libras (8 a 35 euros).

Aproveite o fim-de-semana e faça um brinde aos vinhos portugueses!

Oscar

Prova Vintage 2010 pela Revista Paixão pelo Vinho – boas notícias

2010 Vintage Port tasting by Wine Passion Magazine

Em Fevereiro de 2013 a revista Paixão pelo Vinho organizou uma prova de Vinhos do Porto Vintage de 2010. Os entusiastas de Vinho do Porto mais activos sabem que em 2010 os produtores de Porto tiveram boas uvas que deram em bom Vinho do Porto. Mas esta não foi uma colheita tão fantástica como 2007 e mais recentemente 2011. Apesar disso, tínhamos 3.000 litros feitos com uvas da nossa principal propriedade, a Quinta Vale d’Agodinho que críamos eram bastante bons. Este lote respeitava aquilo que uma boa vindima no Vale d’Agodinho deve ter: frescura, fruta bem madura mas sem ter excessivamente aromas de compota, alguma especiaria e uma nota mineral proveniente das uvas da parcela virada a norte. Os taninos são compactos sem serem agressivos. É assim que a minha irmã Claudia define os Portos feitos lá. E achamos que 2010 tem tudo isso. Decidimos então engarrafar 3.000 garrafas de Single Quinta Vintage já que nos pareceu uma pena misturar este lote com outro Porto e não dar a oportunidade aos nossos amigos de o provar.

Voltando à revista Paixão pelo Vinho, acontece que para eles o Vintage 2010 que mais se destaca é o Quevedo – Quinta Vale d’Agodinho. Boas noticias para nós certamente! Ficamos sempre contentes quando vemos os nossos Portos a serem elogiados. Mas tão importante como a opinião dos jornalistas é saber o que acham todos vós do nosso Single Quinta Vintage 2010. Escrevam-nos, enviem as vossas notas de prova e ajudem-nos a completar este texto com “a opinião dos utilizadores”. A vossa nota de prova ficará reproduzida abaixo.

Até breve,

Oscar

20 Year Old Tawny vs Porto Vintage de 1991 e 1992 – prova na Alemanha

Apesar das vendas de Vinho do Porto apresentarem uma tendência negativa na Alemanha, nos últimos cinco anos (-12% em valor), Axel Probst do World of Port e Christopher Pfaff do Passion Port continuam a entreter os apreciadores de Vinho do Porto, organizando eventos que trazem o consumidor alemão a conhecer os enólogos. Contrariamente aos vizinhos belgas onde o consumo anual per capita de Vinho do Porto é de 0.9L ou holandeses onde é de 0.7L, na Alemanha este valor desce para 0.04L. Há muito trabalho a fazer para educar o palato dos alemães para o Vinho do Porto, e para tal é preciso tempo, tempo e tempo, claro, partindo do pressuposto que o produto é bom.

O evento que o Axel e o Christopher organizaram em Novembro de 2012 centrava-se em Tawnies de 20 Anos e Vintage dos anos de 1991 e 1992. Como terá a oportunidade de ver no vídeo (em alemão com legendas em inglês) as cores destes dois estilos de Porto variam entre o âmbar/laranja/acastanhado dos 20 Anos, e o vermelho cereja que os Vintage apresentam nesta altura. Estou certo que sabe que esta diferença de cor se deve ao processo de envelhecimento, que para os Tawnies é em pipas de carvalho e para os Vintage em garrafa. Chega de explicações, vamos buscar um copo de Porto e ver o video que o Chritopher fez.

Oscar

Café China combina Vinho do Porto com cozinha chinesa em Nova York

Três anos depois de fazermos os primeiros contacto para termos os nossos vinhos disponíveis em Nova York, encontrámos a Washington Square Wines para nos representar. Jeffrey Ghi e Subir Grewal, os proprietários da empresa fundada no ano passado, são grades entusiastas por Vinho do Porto e vinho em geral. Quando pomos paixão naquilo que fazemos, mais cedo ou mais tarde os resultados vão aparecer e a verdade é que eles estão a fazer um trabalho notável, lutando como gladiadores neste sobrepovoado e competitivo mercado de Nova York.

Uma das mais recentes missões conseguidas passou pela colocação do Porto Quevedo LBV no Café China, um restaurante com estrela Michelin. Como imagino que não vai ter oportunidade de visitar o restaurante brevemente e ver com os seus olhos, envio-lhe uma reportagem da Sinovision, um canal televisivo para chineses nos EUA, onde fala sobre alguns dos vinhos que o restaurante oferece. Um dos vinhos que é falado é o nosso LBV 2006, como interessante informação sobre combinações com comida chinesa.

Obrigado Jeff e Subir!

Oscar

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Plantação de videiras no Douro

Plantação de videiras no Douro

Plantação de videiras no Douro

Desapareceu a neve. Na verdade, pouco resistiu, tendo-nos deixado sem desculpas para não trabalharmos na vinha. Depois de prepararmos o terreno, é chegada a agora hora de plantar as jovens e tenras videiras, previamente enxertadas, de Viosinho, Rabigato e Gouveio. É isto que o Marian, Marius e o Cosmin, entre outros, estão a fazer. Começamos por traçar uma linha com uma corda de alto a baixo e depois, com um ferro-do-monte abrimos buracos de 50cm de profundidade onde colocamos a videira. É posteriormente tapada com terra e regada de imediato. Se não houver muitas pedras à superfície, cada trabalhador pode plantar entre 300 e 400 videiras por dia. Caso contrário, num solo com muitas pedras, como é o caso da Quinta da Trovisca, a produtividade baixa rapidamente e diariamente não se conseguem plantar mais de 200 enxertos.

Enxerto

Enxerto

Esta plantação tem sido bastante invulgar pelo número de pedras que temos retirado. Normalmente, as pequenas pedras ajudam as videiras e afundar as raízes mais rapidamente e a água a drenar com mais facilidade, reduzindo a evaporação. Mas na Quinta da Trovisca é irreal. Temos tanta pedra que estes dias creio que o meu pai até com pedras sonha!

Próximos passos? Colocar paus e estender os arames de modo a que as videiras possam crescer em sebe e ser mais facilmente tratadas e controladas. Volto em breve com mais fotos. Não se esqueçam de deixar os vossos comentários.

Oscar

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Neve nas vinhas do Douro

A Quinta da Senhora do Rosário coberta de neve era o cenário que esperava quem visitasse a nossa sala de provas na quarta-feira. Tudo aconteceu em duas horas durante a manhã. Levantei-me bem cedo para ir ver uma máquina de plantar videiras à Quinta do Ataíde, em Vila Flor. Quando regressámos a S. João da Pesqueira deparámo-nos com as vinhas cobertas de neve. Se bem me recordo, eram mais de 6 cm de neve que certamente teriam justificado tirar os esquis do armário.

Na quinta-feira de manhã ainda havia um pouco de neve aqui e ali, mas com o regresso do sol ao vale, rapidamente derreteu. Como disse o David Spriggs no facebook sobre esta fotografia, “Tão quente no Verão e tão frio no Inverno”.

Oscar

Surriba no Douro para plantação de videiras

Enquanto que as formigas trabalham nos meses mais quentes para armazenar comida para o inverno, nós preparamos nos meses frios a colheita, que ocorre no fim do verão. E agora é a época do ano em que começamos a preparar a próxima colheita. E no caso que vamos ver hoje, também estamos a para preparar muitas mais que virão. Estamos a surribar o terreno, tornando-o arável para que as videiras possam viver e produzir uvas de boa qualidade. E gostava de partilhar convosco como preparamos o terreno da Quinta da Trovisca para plantarmos videiras de uvas brancas.

No vídeo poderá encontrar uma buldózer a remover o terreno, de baixo para cima. Neste terreno nunca outra cultura tinha sido plantada. Simultâneamente, uma escavadora retira as pedras de maior tamanho que estão à superfície deitando-as para o fundo da vala que a buldózer cria para surribar. Nas próximas semanas vamos plantar as videiras, fiquem à espreita!

Oscar

Levedura utilizada no Vinho do Porto

English: Image of dry winemaking yeast and yea...

English: Image of dry winemaking yeast and yeast nutrients. Photo taken on October 20th, 2007 with a kodak z650. (Photo credit: Wikipedia)

Um dos elementos chave, senão mesmo o mais importante depois da uva, no processo de elaboração do vinho, é a levedura. E porque é tão importante, apesar de medir 0.003 mm,? Porque este micro-organismo vive para transformar a frutose da uva em etanol, o tipo de álcool presente no vinho. Tolera temperaturas de entre 10 ºC e 35 ºC , quanto mais alta, mais rápida será a fermentação.

Mas são todas as leveduras iguais? Não. A levedura que vive numa vinha de branco não é a mesma da que vive numa vinha de tinto. Dentro de um país ou região, as leveduras são diferentes. E quais são as melhores? Provavelmente não há resposta para esta pergunta uma vez que certas leveduras desenvolvem os aromas em determinada direção, enquanto que outras vão noutro sentido. Chegando as uvas à adega, o enólogo tem duas possibilidades: confiar na levedura indígena que está adaptada ao terroir local desde sempre, ou então utilizar uma levedura, que muito provavelmente é originária de outra região, possivelmente noutro país, e que foi desenvolvida em laboratório para levar a cabo a fermentação numa certa direção de aromas e sabores.

No Douro temos duas realidades, dependendo se estamos a falar de Vinho do Porto ou DOC Douro. Daquilo que vejo e falo, diria que muito pouco Vinho do Porto é feito com leveduras selecionadas. Por outro lado, e contrariamente ao Porto, nos vinhos DOC Douro, um generoso número de produtores de vinhos de qualidade usam leveduras selecionadas. O facto de, dentro da mesma região, termos um tipo de vinho feito com levedura indígena e outra vinda de outros lados, não surpreende, dada a história dos vinhos. O Vinho do Porto é uma referência mundial, é copiado, imitado e até falsificado em muitas e respeitáveis regiões vinícolas do mundo. Mas parece que nenhum lugar no mundo consegue fazer um vinho tão fantástico como o Porto que se faz no Douro. Para além da qualidade das uvas e da experiência desenvolvida pelos produtores durante

séculos, a local levedura tem um papel importante. Assim, no Vinho do Porto enólogos acreditam que a melhor levedura é a que se encontra nas vinhas.

Active dried yeast, a granulated form in which...

Active dried yeast, a granulated form in which yeast is commercially sold. (Photo credit: Wikipedia)

E porquê utilizar leveduras seleccionadas nos vinhos DOC Douro? É como comprar um seguro, sabemos que se tudo correr bem o seguro não é necessário, mas se alguma coisa acontecer, o seguro garante que não perdemos tudo. No nosso caso, imagino que tenha curiosidade em saber, utilizamos leveduras indígenas para todos os Portos Quevedo com excepção do Quevedo Rosé. E para os DOC Douro compramos um seguro de vez em quando!

No futuro creio que os vinhos mais comerciais vão continuar a utilizar leveduras seleccionadas, talvez mais desenvolvidas e adaptadas às condições locais, uma vez que todos os anos são desenvolvidas mais leveduras em laboratório. Mas espero e desejo ver mais e mais pequenos produtores que fazem vinho de autor a utilizarem leveduras indígenas. Os consumidores iam gostar que preservássemos tanto quanto possível o que a natureza local nos proporcionou.

Há por aí alguma questão sobre vinificação que já esteja a guardar há algum tempo e queira colocar agora?

Oscar

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Azeite virgem extra biológico produzido pela Quevedo

Azeite biológico Quevedo – 75cl

Há uns anos atrás a minha irmã chegou a casa e disse para o meu pai: “Pai, porque não convertemos o olival para produção biológica?” O meu pai olhou para ela e respondeu com outra pergunta: “porque o deveríamos fazer?”. E é quando a Cláudia diz algo como: se deixarmos de utilizar produtos químicos na produção, o que não traz assim tanto trabalho acrescido, tenho a certeza que muitas pessoas vão gostar da ideia. Além disso, cada vez mais consumidores procuram alimentos orgânicos. E todos queremos um ambiente mais sustentável e menos manipulado.

E foi quando tudo isto começou em 2006. Os olivais estão localizados em Valongo dos Azeites – que melhor nome podia a aldeia ter?!? Valongo dos Azeites encontra-se a 14km de S. João da Pesqueira, vila onde nós vivemos. Valongo dos Azeites é a terra onde os nossos antepassados viveram, há umas quantas décadas atrás. A poucas centenas de metros do olival, ainda se encontra a casa onde a nossa avó cresceu. Valongo dos Azeites é uma pequena aldeia com 227 habitantes (2011) e o facto de incorporar a palavra azeite no seu nome não é certamente por acaso, mas porque tem condições extraordinárias para produzir um azeite de cor dourada e aroma extraordinário.

No total temos 25 hectares de olival com uma média de idades das oliveiras de 50 anos. Como algum do terreno estava por plantar, há uns anos o meu pai plantou umas centenas de oliveiras jovens. O conjunto do olival é agora de 4.000 oliveiras, produzindo por volta 5.000 litros de azeite.

Estamos muito contentes com este projeto de olival biológico. É certo que as culturas biológicas consomem mais tempo e recursos do que se cultivados da maneira convencional, mas mantemos uma diversidade de ervas, insectos e outros pequenos animais que não sobreviveriam ao uso de herbicidas.

Aqui fica um artigo que escrevi há uns anos sobre o colheita de azeite biológico. Este video mostra-nos a máquina de apanha da azeitona.

Venham esses comentários sobre a segunda mais importante cultura do vale do Douro e partilhem connosco o vosso interesse pelo azeite.

Oscar

A aguardente do Vinho do Porto

Ainda há alguma confusão na cabeça das pessoas em relação ao processo de vinificação de Vinho do Porto. Os detalhes básicos não são complicados, mas quando começamos a falar da aguardente utilizada para fortificar o mosto, por vezes as explicações complicam o que é simples. É frequente receber emails de aficionados ao Vinho do Porto confusos com o processo de fortificação. Espero com este texto ajudar a perceber melhor o papel da aguardente durante todo o processo.

O que torna o Vinho do Porto Porto, quando comparado com o vinho corrente é a aguardente adicionada durante a fermentação. A primeira metade da fermentação, isto é, a transformação do açúcar da uva em álcool, é semelhante à do vinho. O que realmente muda é quando cerca de metade do açúcar está já transformado em álcool. Nesta altura, por cada quatro litros de mosto adicionamos um litro de aguardente com 77% de álcool. No momento em que isto ocorre, aproximadamente 7% do álcool potencial do mosto está por fermentar e assim ficará uma vez que a levedura que se está a alimentar do açúcar e a transformá-lo em álcool morre. O nível de álcool sobe para cerca de 19% o que é demasiado alcoólico para a levedura. Uma nota rápida para recordar que quando falamos de açúcar, estamos a referir-nos a açúcar natural da uva, conhecido como frutose. Contrariamente a outras regiões com temperaturas mais baixas e consequentemente níveis de açúcar inferiores, no Douro não é adicionado açúcar ao mosto uma vez que as nossas uvas têm doçura e maturação suficientes. Mais tarde, durante o envelhecimento em pipas ou depósitos, poderá ser necessário ajustar o nível de álcool, mas nestes casos as correções não serão superiores a 1 ponto percentual.

Atualmente, estão a levar-se a cabo estudos para analisar em que medida a utilização de uma aguardente mais forte para fortificar o mosto (+90% em vez de 77%) teria efeitos similares na qualidade do Vinho do Porto. Para obter um álcool de 77% o ponto de partida é próximo de 100% e depois é-lhe adicionada água à aguardente. Será então a água realmente necessária para diluir a aguardente?

Deixe ficar as suas questões e dúvidas.

Feliz Ano Novo!

Oscar