Surriba no Douro para plantação de videiras

Enquanto que as formigas trabalham nos meses mais quentes para armazenar comida para o inverno, nós preparamos nos meses frios a colheita, que ocorre no fim do verão. E agora é a época do ano em que começamos a preparar a próxima colheita. E no caso que vamos ver hoje, também estamos a para preparar muitas mais que virão. Estamos a surribar o terreno, tornando-o arável para que as videiras possam viver e produzir uvas de boa qualidade. E gostava de partilhar convosco como preparamos o terreno da Quinta da Trovisca para plantarmos videiras de uvas brancas.

No vídeo poderá encontrar uma buldózer a remover o terreno, de baixo para cima. Neste terreno nunca outra cultura tinha sido plantada. Simultâneamente, uma escavadora retira as pedras de maior tamanho que estão à superfície deitando-as para o fundo da vala que a buldózer cria para surribar. Nas próximas semanas vamos plantar as videiras, fiquem à espreita!

Oscar

Levedura utilizada no Vinho do Porto

English: Image of dry winemaking yeast and yea...

English: Image of dry winemaking yeast and yeast nutrients. Photo taken on October 20th, 2007 with a kodak z650. (Photo credit: Wikipedia)

Um dos elementos chave, senão mesmo o mais importante depois da uva, no processo de elaboração do vinho, é a levedura. E porque é tão importante, apesar de medir 0.003 mm,? Porque este micro-organismo vive para transformar a frutose da uva em etanol, o tipo de álcool presente no vinho. Tolera temperaturas de entre 10 ºC e 35 ºC , quanto mais alta, mais rápida será a fermentação.

Mas são todas as leveduras iguais? Não. A levedura que vive numa vinha de branco não é a mesma da que vive numa vinha de tinto. Dentro de um país ou região, as leveduras são diferentes. E quais são as melhores? Provavelmente não há resposta para esta pergunta uma vez que certas leveduras desenvolvem os aromas em determinada direção, enquanto que outras vão noutro sentido. Chegando as uvas à adega, o enólogo tem duas possibilidades: confiar na levedura indígena que está adaptada ao terroir local desde sempre, ou então utilizar uma levedura, que muito provavelmente é originária de outra região, possivelmente noutro país, e que foi desenvolvida em laboratório para levar a cabo a fermentação numa certa direção de aromas e sabores.

No Douro temos duas realidades, dependendo se estamos a falar de Vinho do Porto ou DOC Douro. Daquilo que vejo e falo, diria que muito pouco Vinho do Porto é feito com leveduras selecionadas. Por outro lado, e contrariamente ao Porto, nos vinhos DOC Douro, um generoso número de produtores de vinhos de qualidade usam leveduras selecionadas. O facto de, dentro da mesma região, termos um tipo de vinho feito com levedura indígena e outra vinda de outros lados, não surpreende, dada a história dos vinhos. O Vinho do Porto é uma referência mundial, é copiado, imitado e até falsificado em muitas e respeitáveis regiões vinícolas do mundo. Mas parece que nenhum lugar no mundo consegue fazer um vinho tão fantástico como o Porto que se faz no Douro. Para além da qualidade das uvas e da experiência desenvolvida pelos produtores durante

séculos, a local levedura tem um papel importante. Assim, no Vinho do Porto enólogos acreditam que a melhor levedura é a que se encontra nas vinhas.

Active dried yeast, a granulated form in which...

Active dried yeast, a granulated form in which yeast is commercially sold. (Photo credit: Wikipedia)

E porquê utilizar leveduras seleccionadas nos vinhos DOC Douro? É como comprar um seguro, sabemos que se tudo correr bem o seguro não é necessário, mas se alguma coisa acontecer, o seguro garante que não perdemos tudo. No nosso caso, imagino que tenha curiosidade em saber, utilizamos leveduras indígenas para todos os Portos Quevedo com excepção do Quevedo Rosé. E para os DOC Douro compramos um seguro de vez em quando!

No futuro creio que os vinhos mais comerciais vão continuar a utilizar leveduras seleccionadas, talvez mais desenvolvidas e adaptadas às condições locais, uma vez que todos os anos são desenvolvidas mais leveduras em laboratório. Mas espero e desejo ver mais e mais pequenos produtores que fazem vinho de autor a utilizarem leveduras indígenas. Os consumidores iam gostar que preservássemos tanto quanto possível o que a natureza local nos proporcionou.

Há por aí alguma questão sobre vinificação que já esteja a guardar há algum tempo e queira colocar agora?

Oscar

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Azeite virgem extra biológico produzido pela Quevedo

Azeite biológico Quevedo – 75cl

Há uns anos atrás a minha irmã chegou a casa e disse para o meu pai: “Pai, porque não convertemos o olival para produção biológica?” O meu pai olhou para ela e respondeu com outra pergunta: “porque o deveríamos fazer?”. E é quando a Cláudia diz algo como: se deixarmos de utilizar produtos químicos na produção, o que não traz assim tanto trabalho acrescido, tenho a certeza que muitas pessoas vão gostar da ideia. Além disso, cada vez mais consumidores procuram alimentos orgânicos. E todos queremos um ambiente mais sustentável e menos manipulado.

E foi quando tudo isto começou em 2006. Os olivais estão localizados em Valongo dos Azeites – que melhor nome podia a aldeia ter?!? Valongo dos Azeites encontra-se a 14km de S. João da Pesqueira, vila onde nós vivemos. Valongo dos Azeites é a terra onde os nossos antepassados viveram, há umas quantas décadas atrás. A poucas centenas de metros do olival, ainda se encontra a casa onde a nossa avó cresceu. Valongo dos Azeites é uma pequena aldeia com 227 habitantes (2011) e o facto de incorporar a palavra azeite no seu nome não é certamente por acaso, mas porque tem condições extraordinárias para produzir um azeite de cor dourada e aroma extraordinário.

No total temos 25 hectares de olival com uma média de idades das oliveiras de 50 anos. Como algum do terreno estava por plantar, há uns anos o meu pai plantou umas centenas de oliveiras jovens. O conjunto do olival é agora de 4.000 oliveiras, produzindo por volta 5.000 litros de azeite.

Estamos muito contentes com este projeto de olival biológico. É certo que as culturas biológicas consomem mais tempo e recursos do que se cultivados da maneira convencional, mas mantemos uma diversidade de ervas, insectos e outros pequenos animais que não sobreviveriam ao uso de herbicidas.

Aqui fica um artigo que escrevi há uns anos sobre o colheita de azeite biológico. Este video mostra-nos a máquina de apanha da azeitona.

Venham esses comentários sobre a segunda mais importante cultura do vale do Douro e partilhem connosco o vosso interesse pelo azeite.

Oscar

A aguardente do Vinho do Porto

Ainda há alguma confusão na cabeça das pessoas em relação ao processo de vinificação de Vinho do Porto. Os detalhes básicos não são complicados, mas quando começamos a falar da aguardente utilizada para fortificar o mosto, por vezes as explicações complicam o que é simples. É frequente receber emails de aficionados ao Vinho do Porto confusos com o processo de fortificação. Espero com este texto ajudar a perceber melhor o papel da aguardente durante todo o processo.

O que torna o Vinho do Porto Porto, quando comparado com o vinho corrente é a aguardente adicionada durante a fermentação. A primeira metade da fermentação, isto é, a transformação do açúcar da uva em álcool, é semelhante à do vinho. O que realmente muda é quando cerca de metade do açúcar está já transformado em álcool. Nesta altura, por cada quatro litros de mosto adicionamos um litro de aguardente com 77% de álcool. No momento em que isto ocorre, aproximadamente 7% do álcool potencial do mosto está por fermentar e assim ficará uma vez que a levedura que se está a alimentar do açúcar e a transformá-lo em álcool morre. O nível de álcool sobe para cerca de 19% o que é demasiado alcoólico para a levedura. Uma nota rápida para recordar que quando falamos de açúcar, estamos a referir-nos a açúcar natural da uva, conhecido como frutose. Contrariamente a outras regiões com temperaturas mais baixas e consequentemente níveis de açúcar inferiores, no Douro não é adicionado açúcar ao mosto uma vez que as nossas uvas têm doçura e maturação suficientes. Mais tarde, durante o envelhecimento em pipas ou depósitos, poderá ser necessário ajustar o nível de álcool, mas nestes casos as correções não serão superiores a 1 ponto percentual.

Atualmente, estão a levar-se a cabo estudos para analisar em que medida a utilização de uma aguardente mais forte para fortificar o mosto (+90% em vez de 77%) teria efeitos similares na qualidade do Vinho do Porto. Para obter um álcool de 77% o ponto de partida é próximo de 100% e depois é-lhe adicionada água à aguardente. Será então a água realmente necessária para diluir a aguardente?

Deixe ficar as suas questões e dúvidas.

Feliz Ano Novo!

Oscar

Primeiro passo para plantação de vinhas novas no Douro

Agora que estão a terminar as vendas de Natal, o que nos mantém ocupados é a poda das videiras e as novas plantações. Todas as encomendas que estavam previstas ser entregues antes do Natal já estão a caminho dos seus destinos. Assim, estamos agora mais livres para olhar para as vinhas. Estas videiras que vê na foto acima são parte da Quinta da Trovisca. Esta é uma vinha velha, onde a mecanização não era possível devido ao apertado espaçamento entre bardos. Algumas oliveiras no meio das videiras também não ajudavam o trator a deslocar-se.

Depois de retirados os esteios e arames que suportam o crescimento das vides, estamos agora a arrancar as videiras. Após esta fase, virá um grande trator revirar e refrescar a terra, deixando-a preparada para que jovem enxertos de castas brancas, Gouveio e Viosinho, sejam plantados. Durante os próximos dois a três anos, estas videiras produzem muito poucas uvas. Mas dentro de cinco a oito anos começarão a produzir abundante quantidade, mantendo um alto rendimento até dentro de 15 – 20 anos.Depois disso a produtividade recua e passa a produzir uvas de melhor qualidade. Por causa desta gestão da relação qualidade/ quantidade, não devemos replantar uma propriedade inteira num ano, preferindo fazê-lo por fracções, assegurando-nos que encontramos na quinta vinhas de diferentes anos e qualidades.

Comentários e questões são sempre bem-vindos!

Oscar

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Hora de Perguntas & Respostas: pegue na sua garrafa e visite o For the Love of Port

Durante a última semana participei activamente no forum For the Love of Port, que em português quer dizer Pelo Amor ao Vinho do Porto. Respondi a questões e comentários na Área do Convidado, uma parte do site onde de vez em quando alguém do sector do Vinho do Porto vem partilhar ideias durante uma semana.

Foi um prazer ter sido convidado por Roy Hersh – uma voz de liderança nos EUA no que toca a Vinho do Porto – para fazer parte desta secção do fórum e a verdade é que me diverti muito, tendo refletido e pensado muito com algumas das questões.

Algumas das questões estavam relacionadas com a utilização de redes sociais na promoção dos vinhos, outras estavam relacionadas com as últimas vindimas no Douro e sobre a qualidade que obtivemos. Entre outras, uma das perguntas referia-se a como lançar um vinho num país onde o consumo de vinho está só agora a começar. E mais.

Se alguma destas questões despertou o interesse, abra uma garrafa de Vinho do Porto e visite o For the Love of Port.

Saúde,

Oscar

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Festival de Vinho do Porto – devia haver um em todas as cidades

Børsen

Børsen (Photo credit: Wikipedia)

Aqueles produtores que participaram no Portvin Festival, ou Festival do Vinho do Porto, que teve lugar em Copenhague, Dinamarca, na segunda-feira da semana passada, estavam seguramente empolgados com a motivação e interesse que os dinamarqueses mostraram durante o evento. A XX edição do Festival do Vinho do Porto, cuja organização é liderada pelo Sr. Henrik Oldenburg, e dedicado exclusivamente ao Vinho do Porto, contou com a participação de mais de 600 1200 pessoas, entre retalhistas, journalistas, mas na sua grande maioria, consumidores, ou melhor dito, apaixonados por Vinho do Porto. Na maioria das mesas estavam não só os importadores mas também os produtores que viajaram de Portugal. Na nossa mesa estávamos com o nosso importador, Haller Vine.

Apesar da chuva que caía, e acredite que choveu muito durante alguns minutos, nada fez as pessoas abandonar as longas filas que se formavam à porta. Nem sequer reduziu o entusiasmo que mostravam no momentos da prova, onde a maioria mostrava interesse em Colheitas e Tawnies com Indicação de Idade. Mas também em Porto Vintage. E todas estas pessoas que por ali estavam, e que iam saltando de mesa em mesa, fizeram-nos sentir, a nós produtores, especiais. Especiais porque partilham a mesma paixão por Vinho do Porto que nós temos de cada vez que o provamos. O facto deste evento ter tido lugar no belo Palácio da Bolsa de Copenhague, Børsen, certamente que lhe deu ainda mais charme.

A Dinamarca é um país especial para o Vinho do Porto, pela paixão, conhecimento e educação que os locais lhe devotam. Mas outros países poderiam também organizar eventos como este. E todos nós produtores de Vinho do Porto enriqueceríamos com isto. Dedicação e conhecimento são ingredientes que o Vinho do Porto requer em abundantes quantidades mas estou seguro que por aí fora, em muitos países, não falta quem quisesse fazer parte desde Festival do Vinho do Porto. E a prova que o Axel Probst do World of Port organizou uma vez mais, em Leverkusen, Alemanha, dia 9 de Novembro, desta vez dedicado a Porto 20 Anos, e dos anos de 1991 e 1992, é um grade exemplo disso.

Saúde,

Oscar

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A tradição do Bispo de Norwich no Vinho do Porto

O Vinho do Porto está repleto de tradições e de mitos tanto do lado de quem o produz como de quem o consome. Um daqueles mitos que talvez tenha ouvido aos seus avós e que hoje já pouco se vive é o que proíbe as mulheres de entrarem no lagar para pisar uvas. Os antigos diziam que se as mulheres pisarem as uvas o vinho vai estragar-se. Claro que isto não faz sentido.

Do lado do consumo, há uma tradição que eu não podia explicar até há uns meses atrás. Esta tradição invoca o Bispo de Norwich quando se quer servir mais Vinho do Porto. Imagine-se então num jantar, sentado a una longa mesa, com o seu copo de Porto vazio e vê que o decantador do Vinho do Porto está “preso” em alguém que está adormecido. Em vez de pedir diretamente pelo decantador ou por mais Porto, diria algo de um modo mais educado e subtil, perguntado à pessoa que tem o decantador à frente “Conhece o Bispo de Norwich?” E esperava obter um “não” como resposta para depois dizer “Tremendamente bom companheiro, mas nunca passa o Porto”. Maneira inteligente de evitar ofender a pessoa que retém a garrafa de Porto!

Sabe de onde é que esta tradição vem? Vem do Bispo Henry Bathurst, consagrado em 1805, que durante os jantares que dava adormecia à mesa. Deixava de passar o decantador com o Vinho do Porto! No video acima temos o atual Bispo de Norwich a explicar esta tradição, gravado em Julho de 2012, durante a Prova de Portos Olímpicos, para celebrar as Olimpíadas de Londres de 2012.

Conhece outras tradições relacionadas com o Vinho do Porto? Partilhe connosco!

Oscar

Portugal Lovers leva Urban Market à Quevedo

Terminada a vindima, podem começar as festas e as brincadeiras. Desta vez trago uma sugestão para um evento este fim-de-semana, dia 27 de Outubro das 10h às 19h, na nossa sala de provas em Vila Nova de Gaia. Vai realizar-se lá mais uma edição do Urban Market, uma feira de apresentação de produtos de criadores portugueses. Com muita pena minha, não vou estar por lá. Desta vez a família tem prioridade. Mas a Ana Paula e o Manuel, juntamente com a Cintia Woodcock, a Filipa Moredo e a Filipa Vale estão lá para animar o dia.

O que é isto do Urban Market? Aqui fica:

Conceito

Um evento de mostra e venda de produtos de criadores portugueses de várias áreas e divulgação de bandas nacionais organizado pela Portugal Lovers, que pretende dinamizar o centro histórico do Porto e Gaia enquanto agregador de indústrias criativas. Este evento pretende replicar‐se por vários espaços do Centro Histórico do Porto e Gaia de forma a criar dinâmica na cidade e dar a conhecer os produtos desenvolvidos pelos criadores.

Este evento, de promoção e divulgação de produtos e criadores portugueses, permite cativar outros mercados, novos criadores, novos públicos, promovendo, ainda, o centro histórico e a cidade, permitindo também a ampliação ou reposicionamento dos produtos no mercado nacional.

Objetivos

  • Dar a conhecer novos produtos e criadores portugueses;
  • Rotatividade do evento – cada edição do Urban Market será realizada preferencialmente num espaço distinto, dando a conhecer, assim, os novos espaços da cidade do Porto;
  • Oferta diversificada dos vários setores artísticos e culturais;
  • Criação de sinergias e parcerias entre criadores;
  • Oferecer à cidade e à comunidade portuense uma nova atividade cultural de acesso gratuito.
Oscar

Escolha mecânica de uvas para vinhos premium

Agora que a vindima terminou, é o momento de vos falar de uma das mais extraordinárias máquinas que os enólogos têm agora à disposição – a um alto custo – na escolha e seleção de uvas. Esta nova máquina de escolha de uvas está em funcionamento na Fundação Eugénio de Almeida, uma das mais prestigiadas e sérias adegas do Alentejo, na qual se produz e notável Pera Manca. A minha irmã Cláudia visitámos o nosso amigo Pedro Baptista no inicio de Setembro, uns dias antes de começarmos a nossa vindima.

Vendo o video, num primeiro momento vai ver as uvas a chegarem em caixas de aproximadamente 180kg e a serem tombadas para o esmagador e desengaçador. Depois de esmagadas e desengaçadas – e é agora que chega a novidade – os bagos são colocados num tapete que gira a muita velocidade de modo que todos os bagos fiquem espaçados. A máquina vai então analisar cada um dos bagos e se encontrar algum que não se encontra dentro dos parâmetros definidos pelo enólogo, então um jato de ar é soprado sobre o bago e é eliminado da linha. Impressionante!

Se for passear para o Alentejo, a Fundação Eugénio de Almeida é certamente uma das adega que não deve deixar de visitar. Está localizada poucos kms a sul da linda cidade de Évora.

Até breve,

Oscar