S. João da Pesqueira – o que mudou nos últimos 30 anos

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(Photo credit: Wikipedia)

Hoje é o dia do meu aniversário. E talvez porque 30 seja um número redondo, queria partilhar convosco algumas ideias que tive antes de ir para a cama, neste 24 de Julho.

Passei o dia em S. João da Pesqueira, a minha terra Natal, onde nasci e cresci, e onde venho sempre que posso. Da janela da minha casa, de onde vejo o pequeno centro da vila, dei comigo a pensar no que mudou nestes últimos 30 anos na vida de quem por aqui vive. Uma das coisas que vejo diferente, que me dá pena e me entristece pelas crianças, é ver que nos dias de hoje já quase não se brinca na rua. Ir brincar com os amigos para a rua durante uma ou duas horas antes do jantar era o ponto alto do dia. Tudo o que precisávamos era de uma bola ou outro qualquer brinquedo que houvesse por casa. No fim da brincadeira, estávamos certamente sujos ou arranhados. E ainda que voltássemos para casa com as roupas num estado miserável, as nossas mães recebiam-nos com dois braços abertos e prontas para nos abraçar.

A segunda coisa que tenho pena é do facto da minha geração não respeitar tanto as pessoas de idade com respeitava a geração dos meus pais. S. João da Pesqueira é uma vila pequena, com uma grande percentagem de pessoas de idade. Lembro-me, quando era mais novo, que sempre que nos cruzássemos na rua com alguém de idade dizíamos um olá ou um bom-dia. Trinta anos depois, parece que as pessoas de idade são mais um fardo pesado do que os líderes inspiradores da nossa sociedade. E é uma pena porque todos caminhamos para a velhice e se não educarmos a nossa sociedade a respeitar as pessoas de idade, não podemos esperar ser respeitados quando chegarmos à terceira idade.

Location in Portugal

Location in Portugal (Photo credit: Wikipedia)

Um terceiro ponto de que me lembrei nesta noite de céu limpo é que a minha vila não cria empregos suficientes para todos os que aqui querem viver. Em 1983 havia uma boa parte da população que trabalhava na agricultura, principalmente nas vinhas. Durante estes trinta anos, as pessoas procuraram empregos não agrícolas, onde as condições de trabalho fossem mais fáceis, não tão frias no inverno e quentes no verão, trabalhos menos intensos e desgastantes. S. João da Pesqueira precisou de atrair imigrantes durante as últimas décadas para que se fizesse o trabalho nas vinhas, uma vez que os nativos não os queriam. À medida que os imigrantes chegavam, os Pesqueirenses não encontravam trabalho nos sectores secundário e terciário. E de vez em quando lá ficava a saber de mais um conhecido ou amigo que tinha de migrar para a cidade à procura de trabalho. Gostava muito de ver, durante os próximos trinta anos, uma vila mais desenvolvida, onde todos os 8.000 habitantes que vivem no concelho tivessem um lugar para trabalhar.

Para terminar a lista dos quatro comentários do meu aniversário, resta-me dizer que estou muito feliz por ver que S. João da Pesqueira é um grande sitio para viver, calmo, bonito e agradável, genuíno, autêntico. As pessoas que por cá vivem tendem a ser, em geral, modestas e conservadoras, fruto dos tempos mais difíceis que viveram nas décadas anteriores. É certo que estamos longe da vida urbana, mas por aqui vive-se a vida de uma maneira própria, e mais importante, estas gentes sabem o significado da palavra felicidade.

Oscar

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