Influência da temperatura e chuva nos vinhos do Douro

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Quando alguém pergunta a um enólogo (daqueles que sabem de onde as uvas vêm) porque sabe o vinho a isto ou tem aromas daquilo, a maior parte deles dirão que o vinho é o reflexo da proveniência das uvas. Todos dizemos que o terroir é a chave para o expectro de aromas do vinho. O influência do solo, idade das videiras, embardamento, produtividade, proteção dos ventos, densidade de plantação, exposição solar, pluviosidade, e por aí adiante, tudo influencia a qualidade das uvas de maneiras diferentes. Mas para aqueles que conhecem o Douro, a localização pode às vezes ser confusa. O vale do Douro estende-se por mais de 100 km, 250.000 hectares, com altitudes que vão dos 50 aos 1.000 metros. Como Paul Symington dizia recentemente numa conferência, as vinhas do Douro representam cerca de 40% da área total de vinha plantada na Alemanha. Há uma tão grande diversidade de localizações, com altitudes diferentes, níveis de pluviosidade, temperaturas médias ou orientação solar que é difícil concluir em que medida este ou aquele fator influencia aromas e sabores, e como um todo, a qualidade. Há umas semanas, num seminário da ADVID, encontrei estes mapas sobre o Douro, elaborados por Gregory Jones da Universidade Oregon Sul. Coloquei dois mapas muito interessantes de G. Jones neste artigo para que possamos compreender como é que as temperaturas e pluviosidade influenciam as diferentes localizações do Douro. Há duas conclusões que creio podemos tirar:

– à medida que a altitude aumenta, sobe a pluviosidade e desce a temperatura média;

– as temperaturas sobem e a pluviosidade desce à medida que nos afastamos da costa e vamos de oeste para este;

Agora a pergunta que coloco é, como é que podemos sentir esta alteração de temperatura e pluviosidade nos vinhos? Destacaria duas frases:

– quanto mais próximo e mais para este está a vinha, maior é a concentração e mais maduros são os aromas do vinho, também temos mais taninos e um potencial de envelhecimento superior;

– altitudes maiores trazem mais frescura, elegância e ligeireza aos vinhos, que se querem bebidos enquanto novos;

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Encontrou vinhos que vão contra estas conclusões? Partilhe connosco, se estiver em desacordo com alguma coisa, todos aprendemos com trocas de ideias. E não deixe de perguntar ao enólogo de onde vêm as uvas, só assim conhecemos melhor o vinho que bebemos.
Oscar