A Bela e o Monstro – Prova de 15 Porto Vintage de 1983

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A Bela e o Monstro – Prova de 15 Porto Vintage de 1983

Nota do Oscar: Em setembro de 2013 co-organizámos uma prova de Porto Vintage de 1983 na nossa adega, a par com o nosso amigo Christopher Pfaff. Christopher está a cargo do website Passion for Port na Alemanha e generosamente doou quase todas as garrafas provadas. Considerando o quão bem correu a prova, desafiei o Christopher para escrever um artigo sobre a prova para o nosso site. Obrigado Christopher por contribuíres com as tuas ideias e espero que façamos una nova prova de Vintage de 1983 dentro de nove anos ou por aí.

Às vezes temos uma relação especial com uma ou outra vindima. No meu caso é o que acontece com a de 1983, o ano do meu nascimento. Ainda que não sejam raras as vezes em que provo vinhos desta vindima, uma prova horizontal com vinhos de diversos produtores é um evento raro. Em Setembro de 2013 organizámos uma desta provas no Douro, na Quevedo, para honrar o 30º aniversário dos Vintages de 1983.

Oscar Quevedo – filho – também nasceu em 1983, tendo assim igualmente uma relação especial com este ano. Daí a razão pela qual pedi para completar as seguintes frases:

Os Portos Vintage de 1983…
OQ: o melhor Vintage alguma vez produzido!!

O que é especial nos vinhos desta vindima é…

OQ: elegância e persistência
O meu vinho favorito de 1983 é…
OQ: Gould Campbell
Na Quevedo a vindima de 1983 foi…
OQ: O meu pai diz que não foi evidente que ia tornar-se num ano tão bom, apenas alguns meses depois da vindima, quando chegou o inverno, os Vinhos do Porto começaram a mostrar complexidade e intensidade de aromas que podemos ainda sentir nos dias de hoje.
A primeira vez que bebi um vinho de 1983 foi em…
OQ: provavelmente no início de dos anos 90
A ocasião perfeita para beber um Porto Vintage de 1983 é…
OQ: em cada festa de aniversário.

MG_7136-300x199Clima e informação geral: 1983 foi um ano excecionalmente seco, com um inverno muito longo e um verão e outono quentes, o que trouxe grande variações aos vinhos produzidos. Alguns produtores sofreram muito com esta vindima, incluindo a Cockburn. O 1983 deles resulta numa “Bela e o Monstro” – é preciso abrir a garrafa para perceber qual dos dois saiu.

Inicialmente, os 83 eram compactos e duros, um estilo pouco atrativo comparado com o concentrado e frutado 1985. Por esta razão, a vindima de 83 permaneceu na sombra do seu grande irmão. Há, contudo, uma agradável variável para os consumidores, o preço. O preço é ainda económico apesar de terem passado quase 30 anos depois do engarrafamento. Os vinhos permanecem austeros e muitos mantêm as notas de café e chocolate.

Em 1983 não foram produzidos vinhos realmente excecionais, mas sim uma razoável seleção de Portos muito bons. Além disso, apresentam-se numa fase de maturação boa para consumir com um rácio preço/prazer atrativo. Os melhores vintages deverão continuar a envelhecer bem durante as próximas duas a três décadas.

Para os que gostam de estatísticas: depois da prova cada participante, nos quais se incluem alguns enólogos como a Maria Maia e o Jorge Pintão da Poças, a Cláudia Quevedo e o Carlos Raposo da Niepoort, pontuaram os vinhos. De um a três pontos para os três vinhos preferidos. O “Vinho da Noite” foi o Gould Campbell (com 22 pontos) seguido do Niepoort (com 14 pontos), Taylor (8 pontos), Quarles Harris e Graham (7 pontos cada). A prova foi semi-cega, e as minhas notas de prova – listadas abaixo – estão por ordem alfabética.

  • Borges: cor muito madura, com distintas nuances de castanho; Na boca é elegante e bem maduro. Sem nada de errado e muito agradável para beber já. 17
  • Chruchill – Quinta da Água Alta: O único Porto Vintage que refere ser produzido a partir de uvas de uma única Quinta (Single Quinta) e apenas o segundo Vintage deste produtor, depois de 1982. A cor apresenta um vermelho tijolo maduro, nariz muito discreto. Na boca é ligeiro e elegante, fruta madura com boa acidez e álcool bem integrado. Para beber já, muito bom para um Single Quinta. 17
  • Cockburn: Não mostrou o seu potencial, mas isso apenas o sei pelo que me disseram, porque até agora todas as três garrafas que bebi não eram ótimas. 16
  • Dow: Cor vermelho ruby ligeiramente envelhecido, estrutura linda, complexo e harmonioso; muitas notas de chocolate e frutos de baga maduros. Mais seco que os outros. Bom equilíbrio de acidez. Ainda que o Dow 80 seja melhor, o 83 continuará a envelhecer por mais duas décadas. 18
  • Fonseca: Vermelho ruby muito bem maduro, ainda fechado na boca, precisa de arejar. Acidez relativamente presente, muito elegante, bom nível médio. 17
  • Gould Campbell: Grande Porto, ainda com uma cor escura em muitos tons avermelhados. Muito frutado, encorpado. Começa agora a amadurecer, tem boa acidez e um final longo. Para mim nesta noite foi só batido pelo Graham. 18+
  • Graham: é também um dos Portos da prova com cor mais intensa. Precisa de muito tempo e de ar. Muito bom, encorpado, nível médio de açúcar, fresco e frutado. Complexo com notas de erva e de café. Na minha opinião certamente um dos melhores Graham dos anos 70 e 80. Continuará a envelhecer bem, final longo. 18+
  • Kopke: Garrafa com defeito. De uma boa garrafa, como provei há uns meses, podemos esperar elegância, bem evoluído, com uma clara doçura. NR
  • Messias: Uma agradável surpresa, já que não me lembrava muito bem deste Porto. Igualmente cor muito evoluída. Elegante na boca com agradáveis notas de café e aromas salgados, agora numa fase muito agradável. 17
  • Niepoort: Bonita cor, de acordo com o envelhecimento, ligeiramente mais escuro que o Fonseca. Na boca é um pouco mais doce, aromas a fruta mais recente e notas ligeiramente tostadas. Bela estrutura, final médio-longo. 17+
  • Quarles Harris: Bonita cor ruby madura, boca agradável. Corpo ligeiro, bem desenvolvido, Porto sem nada de errado, mas falta-lhe alguma coisa de especial. 17
  • Ramos Pinto: Bela cor, um dos Portos mais escuros da prova. Aroma ainda fechado, precisa de arejar. Na boca é encorpado, fresco, boa acidez, intenso com muitos aromas a fruta e um final médio-longo. Um dos meus favoritos desta vindima. 18
  • Real Companhia Velha: Defeito. Não bebível. NR
  • Taylor: Vermelho ruby bem maduro. Boa estrutura, muito agradável para beber já, harmonioso e equilibrado. Aromas a fruta madura, bem envelhecido. Creio que deverá ser bebido na próxima década. 18
  • Warre: Cor escura mas com nuances acastanhadas. Nariz fechado. Porto muito bom, bem elegante e maduro, doçura evidente, com notas de café e por trás aparece o chocolate preto. O álcool está perfeitamente integrado. Final médio. 18+

Muito obrigado uma vez mais ao Oscar e Cláudia Quevedo pelo espaço e belo churrasco.

Christopher Pfaff