The Harvest 2008: How The City Guys Saw It In Quevedo

Nota do editor: Desde 2002 que os meus colegas da Faculdade vêm passar connosco um fim-de-semana durante a vindima, ajudando-nos a colher uvas, a trazê-las até à adega e também a fazer vinho. Este ano o ritual repetiu-se e pedimos ao João Sarmento para escrever sobre esses momentos e colocarmos no blog da Quevedo. Já foram publicados dois posts (1, 2)durante o fim-de-semana, de 26 a 28 de Setembro, e este é o último desta actividade, para o qual também temos um video produzido pelo Renato Lima com a colaboração da Ana Isabel Fonseca. Quero-lhes agradecer a todos não só pelo post mas principalmente pelos agradáveis momentos que proporcionaram a toda a família. Oscar Quevedo.

Toca a acordar!

Hoje, as meninas podem deixar os saltos altos e a maquilhagem em casa. A rapaziada pode esquecer a lâmina de barbear e a gravata. O dia vai ser totalmente dedicado aos solos rochosos do Douro e às suas riquezas. Todos têm de estar preparados para sujar as mãos e para suar a camisola. Todos têm de estar preparados para o companheirismo e para ver um sorriso nas caras dos amigos. Tudo isto, servido com uma paisagem deslumbrante como fundo.

A vindima inicia-se bem cedo pela manhã, quando os primeiros raios de sol começam a acariciar os delicados cachos nos vinhedos.

Este ano, fomos até Valongo dos Azeites, uma pequena aldeia a cerca de 20 Km de São João da Pesqueira. Nesta zona do país, é muito frequente que um produtor tenha as suas terras espalhadas num raio de 25km (por vezes mais) da sua adega. O terreno da região é duro, mas as pessoas destas terras, desde há muito, que fazem pequenos milagres tirando vantagem de cada pequeno recanto. Este pequeno pedaço de terra, em particular, tem excelentes condições para uvas de castas brancas.

Tesouras a postos! Homens e mulheres prontos! As caixas metodicamente espalhadas pelo terreno. Que comecem as actividades…

Foram quarto as horas de laboriosa recolecção e de divertimento. Nem uma só uva foi deixada para trás. Uma fortuna como esta não pode ser desperdiçada.

Deixem-me que partilhe um pequeno episódio, que considero significativo para mostrar a relação que os Quevedo têm com as suas terras. Durante os trabalhos deparámo-nos com uma pequena amendoeira a crescer no meio dos vinhedos. A árvore era ainda nova, três anos no máximo, e não poderia ser deixada naquele sítio. Poderíamos simplesmente arrancá-la descuidadamente, na certeza de que o seu caminho terminaria ali. Porém, o Óscar tinha um plano: Por que não retirá-la com cuidado e tentar replantá-la num sítio mais apropriado? Assim fizemos. Para mim, este foi um exemplo de respeito pelos mais nobres valores ecológicos e mostra uma profunda consciência de agricultura responsável.

Finda a tarefa de recolha, iniciámos o regresso à adega. Uma viagem calma, pois a carga era preciosa e a estrada sinuosa. Uma mistura de subidas e descidas com curvas e contracurvas, nada de muito estranho nesta região.

À chegada toda a maquinaria estava já à espera dos cerca de 1.250 Kg que conseguimos apanhar. Em poucos minutos todos os bagos estavam já separados dos pequenos ramos, e a caminho das cubas de inox. Aí, começaria a fermentação, o primeiro de um complexo processo natural que transforma aquilo que pode ser descrito como sumo de uva em Porto Branco Quevedo.

Deixo-vos com um pequeno vídeo, que mostra as actividades principais.

João Sarmento

Artigos Relacionados

Muito Cansaço, Meia Dúzia de Arranhões, o Nascimento de um Porto Quevedo Branco

A estrear brevemente: Os Mistérios da Vindima nas Quintas Quevedo