The mistake of promoting Touriga Nacional as the flagship varietal from Portugal

wines-of-portugalFui recentemente informado pela Viniportugal que esta acção de promoção da Touriga Nacional, é apenas a primeira de muitas outras actividades de divulgação das castas portuguesas ao mundo. Contudo, ainda não estou convencido que este seja o melhor caminho para promover os nossos vinhos e a diversidade de castas que temos nos nosso território.

A Viniportugal seleccionou recentemente a Touriga Nacional como casta-bandeira dos vinhos de Portugal. Parece que a ideia é seguir os mesmos passos adoptados pela Espanha e Argentina, países que seleccionaram o Tempranillo (conhecida no Douro como Tinta Roriz) e o Malbec. Não surpreendentemente, estas duas castas são as mais plantadas na principais regiões vitivinícolas destes países: o Tempranillo representa mais de 60% das vinhas da Rioja, a mais conhecida região de Espanha e com uma quota das exportações espanholas de vinho superior a 40%; e em Mendoza, a mais importante região da Argentina, responsável por 84% das exportações de vinho, o Malbec representa 40% das vinhas.

No entanto, a Touriga Nacional tem actualmente uma presença mais discreta nas vinhas portuguesas; representa cerca de 4% das vinhas do Douro, 3% do Alentejo e menos de 1% do Minho. Estas três regiões em conjunto são responsáveis por mais de 50% da produção nacional de vinho.

Surgiu-me então a seguinte questão: deve uma região ser identificada por uma casta? Veja o caso de Bordéus. Ou será que devemos ter outra casta que represente Portugal? E se fosse uma casta branca? Uma vez mais, não seria melhor esquecer toda esta campanha de marketing de promoção de uma única casta?Touriga Nacional vine from Quinta da Trovisca

Se queremos preservar os extensos e diversos vinhedos de Portugal, temos então de preservar as nossas numerosas castas autóctones. Assim, num esforço de ajuda à diversidades, vou publicar uma serie de artigos durante os próximos meses sobre as mais importantes castas de Portugal. Por onde devo começar? Os comentários estão abertos.

Oscar

P.S. Discussão muito interessante que vale a pena ver no Mark Squires’ Bulletin Boar on eRobertParker.com