Viagem ao Níger – o casamento que marcará a minha vida

Bye bye NiameyEste ano está a ser marcado por um Inverso chuvoso, um Verão quente e pelo elevado número de casamentos a que tenho assistido. Um desses casamentos foi bem longe do Douro. Mouna, a noiva, é do Niger e Andreas, o noivo, é húngaro, o qual conheci quando estava a trabalhar em Madrid.

Graças ao seu casamento, a Mouna e o Andreas proporcionaram-me uma das mais ricas experiências culturais da minha vida, que nunca esquecerei. O casamento foi em Niamei, a capital do Níger, um país localizado na África Ocidental, sem acesso ao mar. Foi a minha primeira visita a África e confesso que recebi este convite com enorme entusiasmo. Tinha vontade de conhecer um continente com tanta história e cultura, com variadíssimas paisagens e um dos mais intactos do mundo. Além disso, toda esta experiência ia ser vivida no seio de uma família local.

Ao contrário dos casamentos europeus, que em geral duram meio dia, as celebrações deste casamento duraram três dias e quatro noites. Começaram na quarta-feira com um jantar de boas-vindas para a família e amigos dos noivos. Depois de comermos as saborosas, e às vezes picantes comidas locais, e bebermos bissap, um chá vermelho que por ter gostado tanto trouxe comigo para Portugal, tentámos empurrar o noivo para dentro da piscina. Para grande surpresa dos nativos, mas como seria de esperar quando se fazem estes jogos, a noite terminou com o noivo, um amigo nosso e comigo dentro da piscina, sem que houvesse tempo para nos despirmos.

No dia seguinte, quinta-feira, houve uma sessão para pintura das mãos e pés das senhoras, com especial destaque para a pintura que a noiva ia apresentar no dia seguinte ao noivo, depois da cerimónia religiosa. Já os homens tiveram um dia mais relaxado, com tempo para desfrutar da piscina.

Turban on non-nigerian peopleNa sexta-feira teve lugar a cerimónia religiosa. Como este era um casamento muçulmano, estava ansioso por ver e conhecer como tudo isto seria. As diferenças eram muitas, a começar pelos trajes: todos com vestidos tradicionais do Níger. Mas para além disso, como a mãe da noiva é de ascendência Tuaregue, todos os rapazes, pai do noivo incluído, vestiram o famoso turbante. O turbante é usado pelos Tuaregue para os proteger da areia do deserto e tapar a cabeça e cara das muito altas temperaturas e forte luz solar. Estávamos longe do deserto, mas para seguir a cultura local, íamos de turbante. A cerimónia religiosa em si, que durou cerca de 30 minutos, contou com a participação dos Sultões das diferentes partes do Níger. Mas a grande surpresa chegou quando me disseram que nem a noiva nem o noivo iam estar presentes. A noiva estava em casa dos pais e o noivo estava noutra casa, na mesma rua onde a cerimónia estava a decorrer. Também as mulheres não estavam presentes na cerimónia, estavam com a noiva a escutar os cânticos da cerimónia através das colunas instaladas na tenda onde estavam os homens. O ponto alto da cerimónia ocorre quando representantes do noivo, da noiva e da igreja discutem o dote que a família do noivo tem de pagar à família da noiva. No fim, o Andreas pagou um valor simbólico pela Mouna e ainda recebeu vacas e cabras da família da Mouna como prenda. Foi um grande negócio para ele!

No dia seguinte, sábado, e penúltimo dia da nossa visita, teve lugar a cerimonia civil, presidida pelo Presidente da Câmara de Niamey. Aqui já me sentia em casa, uma vez que foi semelhante ao que vemos na Europa. Também a roupa era semelhante à nossa, fato para os homens e vestido compridos para as senhoras. Logo depois de sair de casa e ir em direcção ao hotel onde a cerimónia ia ter lugar, percebi porque é que os nossos fatos não são muito populares num país com temperaturas que chegam aos 40º e humidade superior a 90%. A festa terminou tarde, ou melhor, bem cedo, com o nascer do sol. Parecia difícil conseguir dançar a noite toda, mas num hotel com uma espectacular paisagem sobre o rio Níger e no meio de gente tão feliz capaz de nos imbuir de uma energia extra, nunca nos sentimos cansados.

E é por causa destas simpáticas e sempre sorridentes pessoas que me apaixonei por África. Quero voltar em breve, ao Níger e a outros países. Pelo amor do Andreas e da Mouna!

Aqui pode encontrar fotos de toda a viagem ao Niger. Se houver alguma coisa que gostasse de saber deixe um comentário.

Oscar

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