Vines punctuation system: white treated as red

Durante os últimos séculos o Douro construiu a sua reputação como uma região de grande qualidade para a produção de vinhos graças ao Vinho do Porto. Porto tinto. Desde 1756, quando o Marquês de Pombal iniciou a demarcação e regulamentação do Douro que as pessoas se habituaram ao que podiam e não podiam fazer, ao que era correto e não. Em 1947, Moreira da Fonseca sugeriu um sistema de classificação para as parcelas de vinha no Douro, de A a I, revolucionário e inovador para a altura. Este sistema foi então aplicado e ainda está em vigor. Analisa 12 critérios que resultam na atribuição de uma classificação à parcela de vinha, também conhecida por letra. A ideia deste sistema é que se produza mais Vinho do Porto a partir das videiras que estão localizadas nas áreas mais aptas e de melhor qualidade. Vamos supor que nós os dois temos cada um um hectare. Assim, se o seu hectare está localizado próximo do rio, num solo pobre e xistoso, numa zona com grande inclinação, protegido dos ventos e plantado em socalcos, a classificação será superior à da minha parcela, que está a mais altitude, onde chove mais e o solo é mais arenoso e granítico, com pouca inclinação e bem afastado do rio. Com uma “letra” melhor, vai poder produzir mais Vinho do Porto do que eu a partir das suas uvas, e eu terei de usar uma boa parte das minhas uvas para produzir vinho maduro. Talvez, a certa altura, queira perguntar, “e vai plantar uvas tintas ou brancas?”. Bem, creio que foi esta a pergunta que ninguém fez na altura, uma vez que a classificação é dada sem ter em conta a cor das uvas a produzir. Apesar de tudo, há que dizer que naquela altura, há 60 ou 70 anos atrás, a produção de uvas brancas era muito pequena.

Com este sistema em prática, o meu hectare, que se encontra numa excelente zona para produzir uvas brancas, mas má para tintas, teria uma autorização para produção de Vinho do Porto, de menos de 50% da sua, porque o sistema de classificação das parcelas não tem em consideração a cor da uva que se está a produzir. Há uns tempos atrás fizemos um artigo sobre como funciona o sistema do benefício no Vinho do Porto. Os critérios principais de maior ponderação na classificação centram-se na altitude, localização e natureza do terreno. Estes três critérios terão uma classificação mais alta quanto mais apta for a parcela à produção de uvas tintas. Mas caso queira produzir uvas brancas, o método continua a classificar melhor a zona mais apta para produção de uvas tintas, não tendo em consideração a cor das uvas a produzir. Assim, caso queira melhorar as minhas receitas e ter (algum) lucro, em vez de produzir uvas brancas na melhor área para produzir uvas brancas tentarei encontrar um lugar onde a minha classificação seja mais alta mas que será, invariavelmente, pior para uvas brancas. Deste modo, em vez de produzir uvas brancas vou optar por uvas tintas, porque o terreno será mais apto para tintas. De uma maneira simplificada, espelha como nas últimas décadas os viticultores durienses alocaram as suas licenças de plantação. Sem diferenciarmos a classificação das áreas para uvas brancas e para uvas tintas, o Douro não utiliza as melhores áreas para produzir uvas brancas. Acabamos por plantar uvas brancas em zonas que em geral são muito quentes e secas, resultando em vinhos com mais álcool e menos acidez natural do que o desejado. Uma confusa má alocação de recursos.

Posso imaginar que alguns de vós, mais puristas, partilhem da opinião do Sr. Ernest Cockburn, que disse, “A primeira obrigação do Vinho do Porto é ser tinto (…)”, ou seja, que o sistema é perfeito. Certo é que todos nós conhecemos deliciosos e jovens e complexos e ricos Portos Brancos. E brancos maduros que nos surpreendem em cada vindima.

O legislador mencionou anteriormente, em 2001, a necessidade de rever o método de Moreira da Fonseca. Em 2008, Eduardo Abade e Joaquim Guerra, do Centro de Estudos Vitivinícolas do Douro sugeriram algumas ideias para rever o método de pontuação. Contudo, a questão de utilizar diferentes pontuações em função da cor da uva não foi abordada. Não será certamente uma tarefa fácil, mas quanto mais cedo se começar, mais rapidamente terminará a deficiente alocação de terras e vinhas, que prejudica o Vinho do Porto branco. E todos ficarão a ganhar.

Oscar

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  1. Joe 07 07UTC Setembro 07UTC 2013 | reply
    Oscar, I have been growing some of the Portuguese whites in California for a couple years. They have great flavors, very impressive wines with acid. Arinto and verdelho keep the acid high in hot summers. The white wines from Portugal I have tried here in the US haven't been very good. I think there is great potential with your white varieties. Most Americans like a lower alcohol, slightly sweeter white Port than what has been imported here. So are you keeping the great white Ports and table wines in Portugal? Joe
  2. Joe 07 07UTC Setembro 07UTC 2013 | reply
    Oscar, I have been growing some of the Portuguese whites in California for a couple years. They have great flavors, very impressive wines with acid. Arinto and verdelho keep the acid high in hot summers. The white wines from Portugal I have tried here in the US haven't been very good. I think there is great potential with your white varieties. Most Americans like a lower alcohol, slightly sweeter white Port than what has been imported here. So are you keeping the great white Ports and table wines in Portugal? Joe

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