Em que medida é que os fogos florestais no Douro poderão afectar a qualidade dos vinhos de 2010

Fogos no norte de Portugal, incluíndo vale do Douro: áreas a laranja - fogos últimos 7 dias; áreas a amarelo - fogos últimos 30 dias
Desde o início do ano que já arderam mais de 68.000 hectares de floresta em Portugal, dos quais cerca de 10.000 localizados na região do Douro. Para além das severas consequências socio-culturais desta catástrofe, a questão que se coloca agora é: será que o fumo libertado durante este fogos vai afectar a qualidade das uvas da próxima vindima, que deverá começar em poucas semanas? Pelo que vimos em 2003 na Austrália e em 2008 na Califórnia, há algum risco de que os vinhos do Douro possam ser afectado.
Na última semana a situação melhorou, as temperaturas já estão a baixar, tanto a máxima como a mínima, e o número de fogos está a diminuir, mas nas semanas anteriores o vale do Douro estava coberto com fumo dos incêndios, como eu nunca tinha visto.
À medida que os vinhos da vindima de 2008 do Mendocino e Humboldt (as regiões vitícolas mais afectadas pelos fogos de 2008 na Califórnia) começam a ser lançados no mercado, produtores e consumidores deparam-se com muitos aromas a fumo. Pelo menos mais aromas do que aqueles que podem ser justificados pelo envelhecimento dos vinhos em barricas ou pelo carácter das castas utilizadas. Estes aromas a fumo não foram detectados durante a fermentação dos mostos em 2008. Só depois de um certo período de envelhecimento é que este aroma se tornou evidente. E há uma solução para isto? É possível retirar o aroma a fumo do vinho, uma vez esteja este impregnado? Parece ser possível. Alguns testes realizados na Austrália e nos EUA mostram que utilizando processos de filtração com membranas de alta tecnologia pudesse não só reduzir a percentagem de álcool, para o qual são amplamente utilizados, mas também se pudesse eliminar aromas não desejados. Claro que esta não é uma solução para um pequeno produtor dedicado a fazer vinhos tão naturais quanto possível. Nem sei mesmo se a legislação do Vinho do Porto no-lo autorizaria.
Mas se não há uma solução razoável, vamos às boas notícias. Estudos mostram que muitos consumidores não só não se incomodam com o aroma a fumo, como na verdade até gostam. E se em vez de vinho estivessémos a falar de Vinho do Porto? Será que a maior concentração de álcool combinada com uma doçura natura,l iria alterar o perfil aromático? Provavelmente não, pelo que o que podemos fazer por agora é esperar para ver se depois de algum envelhecimento, os vinho de 2010 têm aromas a pinheiros e sobreiros, ou talvez oliveiras e amendoeiras.
Oscar
Há alguns artigos na internet relacionados com este tema que vale a pena ler:
A year in wine: no smoke in their eyes
San Francisco gate: smoke Australian wine research Institute white wines
My daily Wine: Interview with Tony Coturri – California
Forbes: Australia technology grapes when smoke gets in wine
Norcal Wine: La Follette wines
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Glenn E.
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Filipe José Carvalho
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Joe Gates
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http://quevedoportwine.com/ Oscar Quevedo







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