O que faz um negócio de família?

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O que faz um negócio de família?

“Quevedo é um negócio familiar no ramo do vinho” Sim, mas afinal, muitas famílias fazem vinho.

Para os Quevedo, ser um negocio familiar no ramo dos vinhos significa muito mais do que o simples facto de membros da família estarem envolvidos na empresa. Há muitas pequenas histórias e detalhes familiares que desenvolveram os sabores dos nossos vinhos e a base do nosso negócio que não são muito obvias. Aqui vão alguns desses casos:

Porquê que os Portos Quevedo são um pouco mais secos que o normal?

Uma vez eu fiz esta pergunta ao meu avô João Quevedo e nunca me vou esquecer da resposta dele! Ele disse que o açúcar esconde os sabores. O açúcar funciona como maquilhagem, escondendo o que está por trás, bons e maus sabores. “Se acreditas nas tuas uvas e no teu Porto”, disse ele, “porquê fazer um Porto tão doce? Deixa o açúcar das uvas fermentar um pouco mais, deixa os teus Portos um pouco mais secos e vais ter mais expressão da tua fruta”.

Altos e baixos de um negócio familiar

Aconteceram alguns eventos durante o último século que afetaram a evolução do negócio da família. Um desses eventos aconteceu ao meu bisavô Raul, quando um comerciante estrangeiro, com um negócio em Vila Nova de Gaia e que comprava vinho do Porto à minha família, faliu. O comerciante ficou a dever os últimos dois vintages à minha família e, certamente, a outras também.
Esta grande perda de dinheiro do nosso pequeno negócio, criou um drama financeiro e emocional dentro da nossa família e o meu avô acreditou que esse contratempo, tão tarde numa vida sempre a lutar para construir um negócio familiar, afetou fortemente o seu sogro Raul. E foi esta uma das razões que, assim que as leis o permitiram, nos anos 80, a família Quevedo decidiu estabelecer a sua própria marca de vinho, para produzir e vender os vinhos acabados, e não vender todas as nossas uvas ou vinhos inacabados/de vindima para os grandes exportadores de Porto.

A mãe não precisa de saber tudo

Quando as pessoas me perguntam quando é que eu comecei a provar Porto, eu respondo que não me lembro muito bem quando é que isso foi. Talvez com 4, 5 ou 6 anos. Lembro-me de ir à casa do meu avô. Ele dava-me bolachas acabadas de fazer e partilhava comigo algumas gotas do seu vinho do Porto que tirava de um pipo que tinha na cave da sua casa. Eu apenas tomava um ou dois pequenos goles, mas era o suficiente para me fazer sorrir e sentir o doce perfume das uvas.
Contudo, por uma razão que só agora percebo, durante alguns meses ou talvez anos, não havia mais provas de Porto enquanto comia uma bolacha na casa do avô João. Eu acredito que isso aconteceu porque eu disse aos meus pais, durante o jantar, que o avô João dava-me umas gotas de Porto enquanto comia uma bolacha. Depois desse dia, quando a minha mãe olhou furiosa e sem dizer uma palavra para o meu pai, acabou-se o Porto e as bolachas na casa do avô.

Tanto aquela sensação feita por aqueles primeiros goles, como a perda dos mesmos durante alguns anos, depois de ter contado à minha mãe, fazem parte do que me fez apreciar vinho do Porto enquanto crescia e me puxou para este negócio agora em adulto.