Wine and Cork – why do they need each other so bad

Wine and Cork – why do they need each other so bad

A rolha tem um papel muito importante no mundo dos vinhos. Tem sido, historicamente, o mais utilizado dos vedantes, sendo nos dias de hoje utilizado em cerca de 70% das garrafas de vinho em todo o mundo. Contudo, nas últimas décadas, tanto as cápsulas de rosca (feitas de alumínio com cerca de 19% de utilização) como a rolha de plástico (com cerca de 11% de utilização) tornaram-se populares. Porquê? Eu apontaria duas razões:

  • a cápsula de rosca é mais fácil de utilizar não sendo necessário saca-rolhas para abrir a garrafa;
  • tanto a cápsula de rosca como a rolha de plástico não têm problemas de TCA, enquanto que há poucos décadas atrás a cortiça apresentou problemas de contaminação por TCA; acima de um certo nível o TCA estraga o vinho;

Apesar destes dois fatores, a cortiça continua a ser o mais usado dos vedantes. E porque serão os produtores de vinho tão insistentes na utilização de cortiça? Visitei recentemente uma das fábricas da Corticeira Amorim e procurei perceber qual a motivação por trás da utilização da cortiça. Li também alguns artigos sobre vedantes para garrafas de vinho e encontrei algumas publicações surpreendentes (veja a bibliografia ao fundo deste artigo). Colocando a questão ambiental de parte (a cortiça vem diretamente da casca dos sobreiros) há dois fatores que ajudam a cortiça a garantir a melhor qualidade como vedante de garrafa de vinho:

  • numa garrafa, todo o oxigénio que passa para o vinho vem de dentro da própria rolha, ou seja, das suas células, e não do exterior da garrafa; assim a rolha de cortiça é uma barreira à transmissão de compostos exógenos e voláteis, enquanto que os vedates de plástico não bloqueiam a contaminação e oxidação do exterior;
  • dada a sua relativa permeabilidade ao oxigénio, os vedantes de plástico conduzem o envelhecimento do vinho numa direção oxidativa mais rápida que a cortiça; por outro lado, aromas reduzidos desenvolvem-se mais rapidamente em vinhos selados com cápsulas de rosca, o que se explica pela sua baixa permeabilidade ao oxigénio quando comparado com outros vedantes;

Em relação ao Vinho do Porto, em 2008 havia um produtor, Castelinho, que não usava só rolha de cortiça. Usavam rolha de plástico em algumas referências. Nesta altura não conheço nenhum a usar plástico. A legislação não autoriza a utilização de cápsulas de rosca (a única exceção são as garrafas de tamanho muito pequeno que podem ser seladas com cápsula de rosca). Ainda que prefira cortiça para o Vinho do Porto, discordo da posição do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto quanto à impossibilidade de utilizar outros vedantes. Os produtores deveriam utilizar o que eles acham que melhor serve os seus vinhos. Pela análise e investigação de diferentes vedantes, deveríamos poder compreender como difertentes vedantes afetam o envelhecimento do Vinho do Porto. E posteriormente, poderíamos chegar à conclusão sobre qual é o vedante mais adequando para as garrafas de Vinho do Porto. Mas por experimentação, não por decreto.

Oscar

Bibliografia – Se quiser ler mais sobre vedantes de vinho sugiro que consulte as seguintes publicações: