Consumo de vinho: médicos e políticos com abordagens diferentes

Todos sabemos que a situação económica atual não é tão favoravél como desejaríamos. O consumo privado é baixo, famílias, empresas e Estados estão todos sobre-endividados. O PIB (Produto Interno Bruto) se cresce fá-lo a ritmos muitos baixos e os políticos fazem o que podem para proteger as suas economias ao mesmo tempo que reduzem as dívidas, através da redução dos gastos, mas sobretudo, mediante o aumento dos impostos. O consumo de vinho não é alheio a estes problemas, não só porque o IVA está a crescer em muitos países (entre 2010 e 2012 14 dos 27 países da UE aumentaram o IVA) mas também porque os políticos estão a tentar sobretaxar o consumo de álcool.

Os políticos ainda ignoram os méritos do vinho, tratando-o como um álcool duro. o Brasil tem um plano Maqueavélico para reduzir as importações de vinho, de modo a proteger a produção local, que ainda é pequena, em geral para uva de mesa, e enquanto vinho é muito caro. O governo inglês também se está a preparar para castigar o consumo indiscriminado de álcool, como se pode ler num artigo recente na revista Economist. E mais países poderão fazer o mesmo.

Custa-me muito compreender estes comportamentos. Todos sabemos que o excesso de álcool é prejudicial à saúde. O álcool pode criar vício, levando a problemas graves em caso de consumo excessivo. Mas muitos dos que bebemos vinho de qualidade (deixemos as bebidas destiladas de lado) fazêmo-lo para complementar uma refeição. À mesa temos o pão, as batatas, o arroz, os vegetais, a fruta e o copo de vinho. Este é o hábito de bebermos vinho nos países do Mediterrâneo (ainda que Portugal não seja banhado por dito mar!). Um ou dois copos de vinho por dia, quase todos os dias e quase sempre com a refeição, só pode ajudar o sangue e o coração. É isto que a Organização Mundial de Saúde sugere, quando diz “(…) o prazer e benefícios de saúde do consumo moderado de vinho têm de ser reconhecidos.”

Se pelo menos tivéssemos uma bonança económica tal que terminasse com a ressaca de impostos dos políticos, talvez os méritos do consumo moderado de vinho pudessem ser reconhecidos pelos burocratas.

Oscar

P.S. Um dia depois de ter escrito este texto encontrei um artigo da Harvard Medical School sobre os benefícios do resveratrol, um elemento químico que se encontra no vinho.

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